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Acordo Trump-Xi é um passo importante, mas ainda não resolve a falta de chips para o setor automotivo
Publicado 30/10/2025 • 10:18 | Atualizado há 11 meses
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Publicado 30/10/2025 • 10:18 | Atualizado há 11 meses
KEY POINTS
A reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, realizada nesta quinta-feira (30) na Coreia do Sul, sinalizou uma trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China. O acordo adiou por um ano tarifas e restrições bilaterais e suspendeu o início do controle chinês sobre as exportações de terras raras — insumo essencial para a fabricação de semicondutores, veículos elétricos e equipamentos de alta tecnologia.
O entendimento foi bem recebido por analistas e pelo mercado, mas não elimina o principal gargalo do setor automotivo global: a crise de fornecimento de chips, agravada pela intervenção do governo holandês na Nexperia, empresa chinesa que opera na Holanda e responde por 40% da produção mundial de chips usados em veículos.
“É um sinal de boa fé da China para os Estados Unidos, até porque o país está enfrentando uma desaceleração econômica e não quer prolongar um conflito que prejudique suas exportações”, afirmou Igor Lucena, economista e doutor em relações internacionais. “A decisão mostra pragmatismo de Xi Jinping, que busca preservar o crescimento enquanto elabora o novo plano plurianual da China.”
O acordo reduz tarifas sobre produtos sensíveis — como derivados de fentanil e navios — e amplia o prazo para revisão das restrições comerciais. Trump disse que “a questão das terras raras foi resolvida” e que o diálogo sobre chips com empresas como Nvidia será retomado, embora os modelos mais avançados da linha Blackwell sigam fora das negociações.
Para Milad Kalume Neto, diretor executivo da K.Lume Consultoria, especializado no setor automobilístico, o impacto positivo do pacto vai além do comércio de semicondutores:
“Esses materiais nobres não estão apenas em chips, mas em diversos componentes de um veículo moderno, especialmente os eletrificados. A indústria como um todo sai fortalecida, mas continua operando no limite, extremamente dependente de alguns setores estratégicos. E o caso da empresa holandesa ainda não foi resolvido — esse é outro problema.”
A avaliação é compartilhada por David Wong, sócio da Alvarez & Marsal:
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Siga o Times | CNBC“O acordo é bom, mas não resolve no curto prazo a possível interrupção do fornecimento e o consumo dos estoques que restam. O impasse com a Nexperia continua sendo um ponto crítico e depende da decisão dos holandeses sobre a operação controlada pelos chineses.”
A crise global de semicondutores preocupa também o setor automotivo brasileiro, que depende do abastecimento asiático. O governo federal abriu diálogo com a China após o país suspender temporariamente a exportação de chips, movimento que ameaça interromper a produção local de veículos.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as montadoras e fabricantes de autopeças instaladas no Brasil dispõem de estoques suficientes para apenas duas semanas. O setor representa 20% da indústria de transformação nacional e emprega 1,3 milhão de pessoas direta e indiretamente.
O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin conversou com o embaixador chinês Zhu Qingqiao para pedir a manutenção do fornecimento e acionou o embaixador brasileiro em Pequim, Marcos Galvão, para buscar uma solução diplomática.
O consenso entre economistas é que o acordo Trump-Xi reduz tensões geopolíticas, mas não resolve a vulnerabilidade estrutural da cadeia global de semicondutores — dominada por poucos países e empresas.
“A trégua é positiva e dá fôlego à indústria, mas os gargalos logísticos e as disputas por tecnologia seguem no horizonte. O setor automotivo continua refém de decisões políticas e de choques externos”, resume Lucena.
Enquanto as negociações diplomáticas prosseguem, fabricantes e governos tentam ampliar a produção local e diversificar fornecedores para reduzir o risco de novas paralisações — um desafio que vai muito além de um único acordo comercial.
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