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Tarifas do Trump

Governo avalia que pressão dos EUA sobre o Brasil tem digital de Trump

Publicado 04/06/2026 • 11:56 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • Governo Lula revê avaliação e passa a considerar que Trump apoia diretamente as medidas comerciais contra o Brasil
  • EUA propõem tarifa adicional de 10% a 12,5% sobre produtos brasileiros por falha no combate ao trabalho forçado
  • Foto de Trump com Flávio Bolsonaro publicada horas após anúncio de tarifas reforça leitura do Planalto sobre envolvimento da Casa Branca
Trump

White House/Daniel Torok | Ricardo Stuckert/PR

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva

O governo Lula mudou sua avaliação sobre a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas medidas comerciais anunciadas contra o Brasil.

Inicialmente, a diplomacia brasileira trabalhava com a hipótese de que as propostas haviam partido de setores mais ideológicos da administração americana, especialmente da área comandada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, sem o envolvimento direto de Trump. Com esse diagnóstico, integrantes do governo acreditavam que haveria espaço para negociação e eventual reversão das medidas.

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Nos últimos dias, porém, o Palácio do Planalto passou a considerar que as iniciativas contam com o respaldo do presidente americano. Com isso, o governo praticamente descarta a possibilidade de os Estados Unidos recuarem na intenção de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas ou na proposta de impor tarifas adicionais de até 12,5% relacionadas ao combate ao trabalho forçado.

Ainda assim, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apostam que o grupo de trabalho criado para discutir o tema poderá evitar a adoção da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
A mudança de avaliação foi motivada por dois fatores. O primeiro foi o anúncio de uma segunda proposta tarifária, que surpreendeu o governo brasileiro.

Na terça-feira (2), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 10% a 12,5% sobre produtos do Brasil e de outras 59 economias. Segundo o órgão, os países teriam falhado em adotar medidas eficazes para combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A proposta foi apresentada um dia após o próprio USTR sugerir a aplicação de tarifas de 25% sobre todas as importações brasileiras. O órgão é comandado pelo embaixador Jamieson Greer.

O segundo fator que levou o governo a rever sua análise foi a divulgação, por Trump, de uma fotografia ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O encontro ocorreu na semana passada, no Salão Oval da Casa Branca.

A imagem foi publicada por Trump nas redes sociais na terça-feira (2), poucas horas após o anúncio das novas medidas comerciais. Na mensagem, o presidente americano elogiou o senador brasileiro. “Foi muito bom receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca. Um jovem inteligente que ama muito seu país, o Brasil”, escreveu Trump.

Nos bastidores do governo brasileiro, a publicação foi interpretada como mais um sinal de que as decisões recentes envolvendo o Brasil têm respaldo direto da Casa Branca e não apenas de integrantes da ala ideológica da administração americana.

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