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Tarifas do Trump

Ciesp defende negociação para evitar tarifa dos EUA e alerta para riscos à indústria brasileira

Publicado 20/07/2026 • 15:12 | Atualizado há 13 horas

KEY POINTS

  • Tarifa adicional de 25% pode comprometer exportações, investimentos e empregos, afirma presidente do Ciesp.
  • Rafael Cervone diz que confronto com os EUA seria um erro e defende ampliar o diálogo antes da entrada da medida em vigor.
  • Entidade também aponta as terras raras como ativo estratégico para fortalecer as negociações entre os dois países.

A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode provocar perdas de competitividade, afetar investimentos e reduzir empregos caso não haja avanço nas negociações entre os dois países, afirmou Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), em entrevista nesta segunda-feira (20) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“De longe, o melhor caminho é sempre a boa negociação. O pior caminho possível, com um perfil como o do presidente Trump, é ir diretamente ao confronto. O Brasil precisa ampliar a boa vontade para negociar, sem abrir mão do que não pode abrir mão”, disse.

Segundo Cervone, embora a Lei da Reciprocidade Econômica esteja disponível como instrumento de reação, sua utilização neste momento poderia ampliar os prejuízos comerciais e dificultar ainda mais a construção de um acordo.

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Diálogo em vez de retaliação

Para o presidente do Ciesp, o ideal seria buscar uma suspensão temporária da medida, de 30 ou 60 dias, criando espaço para negociações técnicas entre os governos e os setores produtivos.

Ele avaliou que o estilo de negociação do presidente americano, Donald Trump, é mais agressivo, mas ressaltou que outros países conseguiram avanços por meio do diálogo, evitando uma escalada nas tensões comerciais.

Na avaliação de Cervone, o Brasil não reúne, neste momento, o mesmo peso político e econômico de países como a China, que conseguiu negociar mudanças após retaliar medidas adotadas por Washington.

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Empresas americanas também seriam afetadas

O dirigente afirmou que a indústria brasileira tem intensificado o contato com entidades empresariais e autoridades norte-americanas para demonstrar que os impactos da tarifa não ficariam restritos ao Brasil.

Segundo ele, durante missões realizadas pelo setor industrial aos Estados Unidos, representantes do governo, do Congresso e de entidades empresariais foram alertados de que diversas companhias americanas dependem fortemente das operações brasileiras.

“Há empresas cujas matrizes americanas obtêm entre 70% e 80% do lucro líquido por meio das filiais instaladas no Brasil. Isso mostra que a medida também tem potencial para afetar companhias dos Estados Unidos”, afirmou.

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Cervone acrescentou que a tarifa também pode elevar custos para consumidores americanos, especialmente em um cenário de pressão sobre os preços internacionais da energia em razão das tensões no Oriente Médio.

Falta justificativa econômica

Na avaliação do presidente do Ciesp, os fundamentos econômicos não sustentam a adoção da tarifa adicional contra produtos brasileiros.

Ele destacou que o Brasil mantém déficit comercial histórico com os Estados Unidos, quadro que, segundo ele, enfraquece a justificativa técnica para a imposição da sobretaxa.

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“Não há nenhuma explicação técnica que justifique essas medidas. Muitas delas são políticas. Por isso, precisamos tirar o componente político da negociação e construir um diálogo técnico e neutro”, afirmou.

Terras raras entram na negociação

Outro ponto destacado por Cervone é o potencial estratégico das terras raras brasileiras nas conversas entre os dois países.

Ele lembrou que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China, embora ocupe apenas a nona posição entre os produtores.

Segundo o dirigente, a parceria com os Estados Unidos pode acelerar o desenvolvimento da cadeia produtiva desses materiais, fundamentais para setores como semicondutores, baterias e equipamentos de alta tecnologia.

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Além disso, ressaltou que o processamento dos minerais exige conhecimento técnico específico, inclusive para o tratamento de resíduos radioativos, tornando a cooperação entre os países estratégica para ambos.

“O Brasil é um parceiro importante para os Estados Unidos justamente porque exporta produtos com maior agregação de valor, inovação e tecnologia. É uma relação construída ao longo de mais de 200 anos, e precisamos evitar derrubar essas pontes neste momento”, concluiu.

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