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Tarifa de 37,5% sobre têxteis reduz competitividade e pressiona pequenas exportadoras

Publicado 27/07/2026 • 19:15 | Atualizado há 54 minutos

KEY POINTS

  • Produtos têxteis brasileiros passam a enfrentar tarifa total de 37,5% nos Estados Unidos.
  • Abit afirma que pequenas e médias empresas estão entre as mais expostas ao novo cenário.
  • Setor aposta em negociações e na abertura de novos mercados para reduzir perdas.

As empresas brasileiras dos setores têxtil e de confecção já começam a sentir os efeitos da tarifa de 37,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros que ficaram fora da lista de exceções. Em entrevista à CNBC, o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, afirmou que a medida compromete a competitividade do setor e exigirá uma ampla mobilização para preservar as exportações.

Segundo o executivo, praticamente toda a pauta exportadora da indústria foi atingida pela soma da tarifa adicional de 25% com a sobretaxa de 12,5%. Apenas cordéis de sisal e roupas usadas ficaram fora da cobrança. “Estamos pagando esses 37,5% doravante, o que vai impactar bastante a nossa capacidade de competir no mercado norte-americano”, afirmou.

Pimentel destacou que o Brasil passou a enfrentar uma das maiores tarifas entre os parceiros comerciais dos Estados Unidos. Segundo ele, embora a sobretaxa de 12,5% tenha alcançado diversos países, a cobrança adicional de 25% recaiu apenas sobre produtos brasileiros. “Depois da China e do Canadá, o Brasil é quem está carregando as maiores tarifas neste momento”, disse.

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Negociação será prioridade

Na avaliação do diretor da Abit, o primeiro desafio será renegociar contratos entre exportadores brasileiros e compradores americanos. Segundo ele, boa parte das empresas atende nichos específicos, o que dificulta uma migração rápida para outros mercados.

“Esse é o maior mercado do mundo e nós temos interesse em aprofundar nossas relações, e não diminuí-las. É injusto o que está acontecendo, não faz o menor sentido, mas é o que temos para hoje”, afirmou.

Pimentel explicou que a Abit intensificou a diplomacia empresarial junto às associações do setor nos Estados Unidos, enquanto acompanha as negociações conduzidas pelo governo brasileiro. A entidade também busca fornecer informações técnicas para subsidiar as tratativas oficiais. “Nós estamos fazendo a diplomacia empresarial com as associações norte-americanas e procurando munir o governo com as melhores informações disponíveis”, disse.

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Segundo o executivo, não há expectativa de uma reversão rápida das tarifas. Para ele, o ambiente internacional continua marcado por forte incerteza diante das investigações comerciais em andamento envolvendo outros grandes exportadores. “É um quadro muito confuso, que cria muita imprevisibilidade”, afirmou.

Mercado interno também enfrenta dificuldades

Além de negociar com os clientes americanos, parte das empresas poderá direcionar a produção ao mercado doméstico. Pimentel, porém, avalia que essa alternativa também enfrenta obstáculos.

Segundo ele, a indústria nacional sofre forte concorrência dos produtos importados, tanto pelas compras tradicionais quanto pelas pequenas encomendas internacionais. “É um ‘tarifato’ às avessas: o Brasil impõe tarifa para quem produz aqui dentro e desonera quem importa”, criticou.

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O dirigente afirmou que o setor trabalha em diversas frentes para minimizar os impactos, mas reconheceu que as vendas para os Estados Unidos devem perder força. “Não há uma bala de prata para solucionar essa questão”, resumiu.

Ele lembrou que, apenas no primeiro semestre, as exportações brasileiras do setor para os Estados Unidos recuaram cerca de 10%. As importações provenientes do mercado americano também registraram queda semelhante.

Empresas menores são as mais vulneráveis

Embora os Estados Unidos ocupem a quarta posição entre os destinos das exportações têxteis brasileiras, Pimentel afirmou que alguns segmentos dependem fortemente daquele mercado.

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Segundo ele, entre 30% e 35% das exportações de moda praia têm como destino os Estados Unidos. Vestidos, saias e meias apresentam participação semelhante.

O impacto, porém, é ainda maior quando observado sob a realidade de cada empresa. “Há empresas que dependem de 50% ou 60% da receita do mercado norte-americano. Isso afeta profundamente esses negócios”, afirmou.

De acordo com o executivo, essas companhias são, em sua maioria, pequenas e médias empresas que levaram anos para conquistar espaço no mercado americano. “Temos que insistir nas negociações. Se a gente partir para o ‘olho por olho’, no final fica todo mundo cego”, disse.

Europa ganha força como alternativa

Pimentel afirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia representa uma oportunidade importante para diversificar as exportações brasileiras, embora seus efeitos ocorram de forma gradual.

Segundo ele, cerca de 90% dos produtos deverão ter as tarifas reduzidas a zero ao longo dos próximos oito anos. “É um mercado muito robusto e importante, mas isso não significa que as coisas acontecerão espontaneamente”, afirmou.

O dirigente explicou que será necessário ampliar investimentos em feiras internacionais, missões comerciais e aproximação com compradores europeus para transformar o acordo em novos negócios. “É uma alternativa muito importante, mas sozinha não vai absorver, da noite para o dia, o que iria para o mercado norte-americano”, disse.

Além da Europa, a Abit pretende ampliar ações comerciais em mercados como Austrália, Grécia e outros países com afinidade ao design e à moda brasileira. Para Pimentel, segmentos como moda feminina, moda praia, lingerie e fitness concentram o maior potencial de crescimento. “Temos que ampliar essa base de clientes. Não queremos abandonar o mercado americano, mas precisamos construir novas oportunidades”, concluiu.

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