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Warsh quer juros mais altos nos EUA, mas enfrentará resistência, diz ex-economista do Fed
Publicado 28/08/2026 • 15:59 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 28/08/2026 • 15:59 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole deixou mais clara sua disposição de elevar os juros dos Estados Unidos no curto prazo, mas o presidente do Federal Reserve deve enfrentar resistência dentro do próprio comitê de política monetária. A avaliação é de Benjamin Mandel, ex-economista do Fed e Head de Research da Jubarte Capital.
Em entrevista nesta sexta-feira (28) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Mandel afirmou que, apesar do caráter tradicionalmente mais abrangente dos discursos de Jackson Hole, Warsh apresentou uma visão bastante voltada à condução imediata da política monetária. “Se o comitê do FOMC fosse só Kevin Warsh, acho que ele subiria juros agora mesmo”, afirmou.
Para Mandel, a preocupação do presidente do Fed está relacionada à persistência da inflação acima da meta nos últimos anos. “Ficou claro que o Kevin Warsh quer trazer esse choque de credibilidade para a taxa de juros americana”, avaliou o ex-economista do banco central americano.
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Na avaliação de Mandel, a inflação ocupa hoje uma posição mais importante que o mercado de trabalho nas preocupações de Warsh. Essa postura, segundo ele, representa uma diferença em relação à condução de presidentes anteriores do Federal Reserve.
“Com certeza, inflação está pesando bem mais do que o mercado de trabalho”, afirmou. Segundo Mandel, Warsh também pretende mudar a maneira como o Fed comunica suas decisões, adotando uma postura menos explícita sobre os próximos movimentos da política monetária.
Uma das mudanças seria oferecer menos indicações antecipadas, o chamado forward guidance, sobre o caminho futuro dos juros. “Um dos primeiros princípios importantes, dominantes na visão dele, é um Fed um pouco mais quieto, falando menos”, explicou Mandel.
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O economista ponderou, porém, que reduzir demais a comunicação pode dificultar a interpretação das decisões pelo mercado. “Você chega num limite nesse jogo de menos comunicação, porque você precisa orientar o mercado sobre como o Fed vai reagir aos dados”, destacou.
Apesar da postura do presidente do Fed, Mandel considera que uma alta de juros nas próximas reuniões ainda está longe de ser uma decisão definida. O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) reúne diferentes visões sobre a trajetória da inflação e o grau de restrição necessário para a política monetária.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, enquanto Warsh dá maior importância ao fato de a inflação permanecer acima da meta, outros integrantes estão mais atentos à direção recente dos preços e ao progresso em direção ao objetivo do Fed. “Eles realmente estão olhando a situação um pouco diferente, menos preocupados com o nível de inflação e destacando mais a direção da inflação nos últimos meses na direção da meta”, explicou.
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Mandel citou nomes como John Williams, do Fed de Nova York, Christopher Waller e Mary Daly, do Fed de São Francisco, além de lembrar que Jerome Powell continua no board da instituição. Para ele, esse grupo pode oferecer resistência a uma elevação dos juros caso os indicadores continuem evoluindo na direção atual.
“Tem um outro grupo no board e no comitê que acho que vai apresentar muita resistência nas próximas reuniões para subir juros se os dados continuarem na mesma direção”, afirmou.
Com opiniões distintas dentro do Fed, os indicadores econômicos divulgados nos próximos meses devem assumir papel central na definição dos juros, segundo Mandel. Entre eles, o economista destacou especialmente os próximos números de inflação.
“A inflação no mês de agosto, que vai sair em setembro, acho que vai ser super relevante”, disse. O mercado de trabalho também deverá entrar no cálculo, depois de apresentar uma normalização em relação ao desempenho mais forte registrado no início do ano.
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Para Mandel, portanto, ainda não é possível antecipar uma elevação dos juros, apesar dos argumentos apresentados por integrantes do Fed favoráveis a uma postura mais restritiva. “Tem possibilidade e tem argumentos de várias pessoas, como discutimos, que querem subir juros agora, mas não é óbvio que vai acontecer”, ressaltou.
A definição sobre os próximos passos da política monetária americana permanecerá condicionada aos indicadores. “Depende muito dos dados de inflação e do mercado de trabalho nos próximos meses”, concluiu Mandel.
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