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O curioso caso do investidor ativista que criou um exército
Publicado 19/09/2025 • 23:31 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 19/09/2025 • 23:31 | Atualizado há 8 meses
Divulgação Opendoor
Opendoor Technologies
Já escrevi neste espaço sobre a Opendoor Technologies (OPEN:NASDAQ), uma empresa que foi ao mercado junto com a safra de SPACs que caracterizou boa parte dos excessos do início desta década. A companhia se dedica a explorar o mercado de imóveis residenciais por meio do “iBuying”, processo que envolve a compra, reforma e posterior revenda dos imóveis. Assim, opera de maneira diferente de outras concorrentes nesse mercado, como a Zillow e a Redfin, que atuam como corretoras virtuais e sem a utilização intensiva do balanço.
A empresa explora um mercado difícil usando uma estratégia que envolve uso intensivo de capital, ou seja, é a pura definição de companhia de alto risco para o investidor. O mercado, logicamente, a tratou dessa maneira: após o IPO a US$ 10, a ação chegou a US$ 35 na euforia, para depois iniciar um longo processo de queda, chegando finalmente a negociar a US$ 0,56 em julho passado. O julgamento do mercado estava dado e a OPEN trilhava o caminho que empresas de alto risco que não dão lucro normalmente trilham: a deslistagem, o ostracismo e, eventualmente, o fechamento.
Eis que chega o general Eric Jackson no campo de batalha. Jackson, que havia ganhado notoriedade por ser sido um dos primeiros a perceber a transformação na Carvana (CVNA:NYSE), varejista online de carros usados, enxergou o mesmo potencial de transformação em OPEN. Segundo ele, com estratégia e gestão apropriadas a empresa poderia valorizar mais de 100 vezes.
Gestor de um ‘hedge fund’ canadense de pequeno porte, seu poder de fogo era bastante diferente dos outros ‘hedge funds’ dedicados ao ativismo corporativo, que podem exercer influência direta na gestão das companhias-alvo apenas com o poder do capital. Convencido de sua tese, em vez de tentar persuadir os ativistas profissionais, Jackson resolveu atrair um mercado que, quando unido em torno de um objetivo, pode exercer influência igual ao maior: o investidor de varejo.
Leia mais artigos da coluna Direto de Nova York por Norberto Zaiet
Jackson foi ao X: armado de sua reputação com Carvana, colocou com clareza os motivos pelos quais acreditava que OPEN poderia chegar a US$ 82 e atraiu o que ele batizou de ‘Open Army’ - milhares de investidores de varejo de pequeno porte. Isso, é claro, surpreendeu muita gente graúda.
Criou um movimento que, no espaço de dois meses, mudou completamente a gestão da companhia. Conseguiu que a CEO da empresa fosse substituída e convenceu os fundadores originais a voltarem como membros do Board. Seu trabalho atraiu para a posição de CEO o então CFO da Shopify (empresa canadense especializada em oferecer uma plataforma de marketplace para pequenos lojistas e que tem hoje um valuation de US$ 200 bilhões) com uma remuneração exclusivamente baseada em performance.
Jackson acredita que, com a gestão certa, a Opendoor pode revolucionar o mercado de compra e venda de imóveis da mesma maneira que Carvana revolucionou o mercado de compra e venda de automóveis usados.
Se há dois meses a companhia não tinha chance alguma de dar certo, hoje essa possibilidade aumentou substancialmente. O mercado, e especialmente o ‘Open Army’, trouxe a ação de volta aos US$ 10, valorização de 1.700% que certamente também atraiu investidores institucionais. Apesar disso, a mídia tradicional ainda coloca o papel no rol das ‘meme stocks’.
O título da minha coluna anterior sobre esse assunto foi “Opendoor Technologies: oportunidade ou armadilha?”. A dúvida certamente continua. Apesar disso, pela transformação impressionante da gestão em tão pouco tempo e da perspectiva de quedas adicionais nas taxas de juros norte-americanas, o fiel da balança avançou claramente na direção da oportunidade. O mercado, por sua vez, parece disposto a dar à empresa o benefício da dúvida.
Eric Jackson criou um tipo de investidor de varejo que não existia antes: o ativista. Não se pode desconsiderar a força que os pequenos investidores possuem quando organizados em torno de um objetivo comum. Nesse caso, diferentemente das ‘meme stocks’ tradicionais que costumam privilegiar a familiaridade do investidor de varejo com o produto que vendem (como Gamestop e AMC), a Opendoor quer “quebrar” um mercado tradicional e burocrático por meio da tecnologia. Se vai conseguir ou não, teremos que aguardar as cenas dos próximos capítulos.
Há, no entanto, uma certeza: o exército do varejo, quando organizado em torno de uma tese coerente de investimento (apesar de arriscada) e liderado por um general que entende do assunto e se comunica bem, tem o poder de surpreender.
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