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Além dos números, NVIDIA revelou que não depende da China e que vai avançar no mercado da Intel e AMD
Publicado 21/05/2026 • 09:25 | Atualizado há 7 minutos
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Publicado 21/05/2026 • 09:25 | Atualizado há 7 minutos
KEY POINTS
Montagem via Times Brasil | Imagens: Divulgação/Nvidia/OpenAI
Montagem com Jensen Huang, fundador da Nvidia, ao lado dos logos da Nvidia e OpenAI
Toda terça-feira à tarde, nos andares altos das gestoras de Nova York e São Francisco, alguém abre uma planilha e atualiza os números esperados para os resultados da NVIDIA num ritual que se repete desde 2023, quando ficou claro que a empresa de Jensen Huang havia capturado, de forma irreversível, o sistema nervoso da corrida por inteligência artificial. O ritual tem uma peculiaridade que até os analistas veteranos mais céticos não conseguem contestar: o número nunca parou de subir, e a empresa nunca parou de superá-los.
Na noite de quarta-feira (20), a NVIDIA divulgou seu balanço do primeiro trimestre, com receita de US$ 81,6 bilhões, alta de 85% sobre o mesmo período do ano passado. O lucro líquido chegou a US$ 58,3 bilhões, mais que o triplo do resultado anterior. A margem bruta ficou em 75%, índice que, em qualquer outra fabricante de hardware industrial do planeta, exigiria várias páginas de explicação. Na NVIDIA, é o resultado padrão pelo segundo trimestre consecutivo.
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Bem, tudo isso o leitor já sabe, já viu no noticiário do dia, e a função do colunista é de analisar com seu próprio viés, e também suas limitações. O que os números não dizem sozinhos, mas o balanço revela nas entrelinhas, é que a NVIDIA decidiu que dominar o mercado de GPUs não é suficiente. A empresa está se movendo em direção ao território que Intel e AMD consideravam seu por direito histórico.
Por décadas, o mercado de processadores centrais, os CPUs, foi uma disputa entre Intel e AMD. A NVIDIA era o nome para GPUs, os chips de processamento gráfico que se revelaram perfeitos para treinar modelos de IA.
Com a chegada dos agentes de IA, que executam tarefas de forma autônoma em vez de apenas responder perguntas, o tipo de processamento mais exigido mudou.
A NVIDIA lançou o Vera, seu primeiro processador central para data centers, e a CFO disse na teleconferência que o produto "abre um mercado de US$ 200 bilhões que nunca endereçamos antes", com visibilidade de US$ 20 bilhões em receita de CPU ainda este ano. Para referência: o negócio inteiro de data center da Intel deve gerar US$ 22 bilhões no mesmo período.
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Olhando para o guidance, merece muita atenção o fato de a projeção não assumir nenhuma receita vinda da China.
O governo americano aprovou no ano passado a venda dos chips H200 para empresas chinesas. Os Estados Unidos disseram sim. A China, até agora, não disse nada. Jensen Huang embarcou semanas atrás, de última hora, no avião de Donald Trump rumo a Pequim para uma cúpula com Xi Jinping. O que a CFO Colette Kress disse na teleconferência de resultados é que a empresa segue “na incerteza” sobre se as importações serão permitidas, e que estão trabalhando sem contar com esse mercado no curto prazo.
O mercado chinês de chips de IA pode valer US$ 50 bilhões por ano, segundo o próprio Huang. A empresa está crescendo 85% sem um centavo desse mercado. Isso diz algo sobre a dimensão do que está acontecendo no restante do mundo, e sobre o que aconteceria se a China finalmente liberasse as compras.
A Huawei trabalha para fechar o gap com seus Ascend e clusters que prometem uma escala impressionante. A DeepSeek mostrou que modelos competitivos podem ser treinados com menos hardware do que o Vale do Silício admitia. Como já escrevemos aqui quando cobrimos a corrida tecnológica chinesa, o argumento de que Pequim dispensa a NVIDIA ganhou força ao longo de 2025. Os números desta quarta sugerem que, ao menos por enquanto, o restante do planeta ainda depende.
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Há uma linha no balanço que passou quase despercebida na cobertura de quarta. Durante o trimestre, a empresa investiu US$ 18,6 bilhões em empresas privadas e fundos de infraestrutura. A nota explica, com a contenção burocrática de um filing regulatório, que "alguns desses investimentos incluem fabricantes de modelos de IA que podem indiretamente comprar ou usar nossos produtos na nuvem."
Traduzindo: a NVIDIA está comprando participações em empresas que compram chips da NVIDIA. O ecossistema se fecha sobre si mesmo com elegância quase perturbadora. A Apple fez algo parecido quando entendeu que a melhor forma de vender iPhone era controlar cada aplicativo que rodava nele. A NVIDIA chegou à mesma conclusão pelo caminho inverso: primeiro dominou o hardware, agora investe no software e nos modelos que tornam o hardware indispensável.
O GPT-5.5, modelo mais recente da OpenAI, foi treinado em chips Blackwell. A CFO citou isso na teleconferência como detalhe técnico. É uma declaração de posição. O SpaceX, que entrou com pedido de abertura de capital nesta mesma quarta-feira, destacou em seu prospecto que seus data centers rodam nos sistemas Grace Blackwell da NVIDIA, e que gastou US$ 12,4 bilhões em infraestrutura de IA no ano passado, o triplo do que investiu em seu negócio espacial. A empresa de foguetes de Elon Musk está, antes de mais nada, comprando chips verdes.
Quando uma empresa decide multiplicar seu dividendo por 25 num único trimestre, de US$ 0,01 para US$ 0,25 por ação, e ao mesmo tempo anuncia um programa de recompra de ações de US$ 80 bilhões, ela está enviando um sinal para o mercado que diz: temos caixa em volumes que ultrapassam nossa capacidade de reinvestir com retorno adequado, e a coisa mais honesta a fazer é devolver aos acionistas.
No mesmo trimestre em que anunciou US$ 80 bilhões em recompras, a NVIDIA gerou US$ 48,6 bilhões em fluxo de caixa livre, investiu US$ 18,6 bilhões em startups e devolveu US$ 20 bilhões aos acionistas. Ainda assim, encerrou o período com mais dinheiro em caixa do que havia começado.
Importante ressaltar que a coluna foi escrita na manhã posterior à divulgação do balanço (21).
Apesar do resultado, o mercado não mostrou empolgação ou sanha compradora, pelo contrário, o mercado, que trabalha olhando para o futuro - não presente, já entende que os futuros crescimentos estão precificados.
Variando próxima ao zero após o anúncio, um analista de Wall Street afirmou que isso é um reflexo condicionado ao que já tratam como fenômeno psicológico documentado: a empresa bateu estimativas em 14 trimestres consecutivos, e a ação caiu nas três últimas divulgações de resultado.
No gráfico de um ano, porém, o papel saiu de US$ 133 para US$ 232 em movimento de alta sustentada. O mercado, ao que parece, não está entusiasmado com a NVIDIA. Está apenas, há quatro anos, sem conseguir parar de comprá-la.
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