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Uso indiscriminado de antibióticos: um alerta urgente para profissionais de saúde e sociedade
Publicado 29/09/2025 • 19:35 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 29/09/2025 • 19:35 | Atualizado há 2 meses
Unsplash
O avanço da medicina nas últimas décadas permitiu conquistas notáveis, muitas delas sustentadas pela descoberta e pelo uso de antibióticos. No entanto, o uso incorreto e excessivo desses medicamentos, especialmente em infecções respiratórias de origem viral, coloca em risco sua eficácia e alimenta um problema silencioso e urgente de saúde pública: a resistência bacteriana.
Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que o consumo de antibióticos no Brasil aumentou 31,2% entre 2014 e 2019, passando de 44,9 milhões para mais de 59 milhões de unidades vendidas. A região Sudeste lidera esse consumo, sendo responsável por mais da metade das vendas.
Ainda mais preocupante é o dado da Sociedade Brasileira de Infectologia, que revela que 24,5% da população brasileira utilizou antibióticos por conta própria no último ano — a maioria para tratar dores de garganta, gripes e resfriados, doenças que geralmente têm origem viral e não requerem esse tipo de medicamento.
Esse comportamento, somado a prescrições inadequadas, impulsiona o surgimento das chamadas “superbactérias”. Um estudo publicado em 2016 na revista científica The Lancet projetou que a resistência antimicrobiana seja atualmente responsável por 1,27 milhão de mortes por ano no mundo. Caso esse cenário não seja revertido, esse número poderá ultrapassar 39 milhões de óbitos até 2050.
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Diante desse cenário, o papel de médicos, farmacêuticos, profissionais de saúde, responsáveis por políticas públicas, empresas do setor e da própria sociedade é mais importante do que nunca. É urgente promover a educação em saúde, reforçar diretrizes clínicas e ampliar o acesso à informação confiável sobre o uso apropriado de medicamentos.
Nesse contexto, o Global Respiratory Infection Partnership (GRIP) tem desempenhado um papel fundamental. A iniciativa, do Grupo Reckitt, reúne especialistas de 18 países para desenvolver e promover diretrizes baseadas em evidências voltadas ao manejo responsável das infecções respiratórias do trato superior, como faringites e resfriados. A proposta é clara: oferecer tratamento sintomático quando não há indicação do uso de antibióticos, orientando prescritores e pacientes para que as decisões terapêuticas sejam mais conscientes e eficazes.
Com mais de uma década de atuação, o GRIP contribui com materiais de apoio, treinamentos, pesquisas e estratégias que estimulam mudanças de comportamento tanto na prescrição quanto na busca por tratamento. A iniciativa também reforça o papel das farmácias como ponto estratégico de orientação segura, especialmente em países como o Brasil, onde grande parte da população ainda recorre à automedicação de antibióticos, apesar de serem vendidos mediante receita médica sob controle especial.
A preocupação com a resistência antimicrobiana não é recente e vem ganhando cada vez mais espaço em agendas internacionais. O tema esteve presente nas últimas reuniões do G7 e do G20, com o Brasil reforçando seu compromisso com a abordagem de “Saúde Única”, que considera as conexões entre saúde humana, animal e ambiental no enfrentamento de problemas globais.
Estamos, portanto, diante de uma emergência silenciosa que exige ação conjunta e coordenada. Médicos, farmacêuticos, gestores e cidadãos precisam se comprometer com a preservação dos recursos terapêuticos que ainda temos. Isso significa que os pacientes devem seguir corretamente as prescrições — principalmente no caso dos antibióticos, que precisam ser indicados de forma criteriosa pelos profissionais de saúde — enquanto políticas públicas devem oferecer suporte com regulação eficaz e investimentos em soluções baseadas em evidência científica.
Com a chegada da primavera, muitas doenças respiratórias ainda circulam, como gripes e resfriados. Antes de recorrer ao antibiótico, é fundamental entender que, na maioria dos casos, existem formas seguras e eficazes de aliviar os sintomas, já que quadros virais não são combatidos por esse tipo de medicamento.
Preservar a eficácia dos antibióticos é uma responsabilidade de todos nós — e começa com escolhas conscientes.
Dr. Geraldo Druck Sant’Anna - CRM 15284-RS | RQE 6535
Otorrinolaringologista
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