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Abiquim: tarifaço pode gerar impacto indireto superior a US$ 1 bilhão à indústria química
Publicado 21/07/2026 • 21:11 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 21/07/2026 • 21:11 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos pode provocar um impacto indireto superior a US$ 1 bilhão sobre a indústria química brasileira, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o presidente-executivo da entidade, André Passos Cordeiro, afirmou que o efeito direto sobre os produtos químicos alcançados pela medida deve ficar em torno de US$ 100 milhões em um primeiro momento.
“Os produtos químicos brasileiros diretamente exportados e atingidos estão na ordem de US$ 600 milhões a US$ 700 milhões. Calculamos um impacto de pelo menos US$ 100 milhões”, disse.
Segundo Cordeiro, o cálculo direto não contempla a presença de insumos químicos em outros produtos exportados aos Estados Unidos, como roupas, calçados, móveis, automóveis e autopeças.
Fibras sintéticas, borrachas, colas e resinas estão entre os materiais utilizados por essas cadeias. Por isso, a redução das exportações de outros setores também tende a atingir a produção química e petroquímica nacional.
“Diretamente, o impacto está em torno de US$ 100 milhões. Indiretamente, calculamos que mais de US$ 1 bilhão deve atingir a nossa indústria”, afirmou.
Leia também: SP e SC concentram mais da metade do impacto do tarifaço no Brasil; veja estados mais afetados
A Abiquim considera que a tarifa não encontra justificativa na relação comercial entre os dois países.
De acordo com Cordeiro, a indústria química dos Estados Unidos registra superávit de US$ 9,4 bilhões no comércio com o Brasil. A vantagem americana é sustentada, entre outros fatores, pelo acesso a matérias-primas mais baratas.
“O gás de xisto norte-americano é cerca de cinco ou seis vezes mais barato do que o gás brasileiro. Eles já são naturalmente mais competitivos e sabem transformar essa vantagem em um comércio superavitário conosco”, afirmou.
O presidente-executivo da Abiquim afirmou que parte das vendas pode ser direcionada a outros países, mas descartou uma substituição rápida do mercado americano.
“É possível redirecionar os produtos mais afetados, mas dificilmente no curto prazo”, disse.
Para reduzir os efeitos imediatos, a entidade defende a ampliação do Reintegra, mecanismo que devolve aos exportadores parte dos tributos acumulados na cadeia produtiva.
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Siga o Times | CNBCA associação também pediu mais recursos para o Plano Brasil Soberano, simplificação do acesso às linhas de financiamento, redução das taxas de juros e ampliação dos setores beneficiados.
Outra proposta é estender os prazos do drawback, regime que suspende ou elimina tributos sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação.
Além das medidas emergenciais, a Abiquim defende ações para reduzir os custos estruturais da indústria brasileira.
Cordeiro apontou o preço do gás natural como um dos principais obstáculos à competitividade do setor químico e afirmou que mudanças regulatórias poderiam produzir efeitos mais rápidos.
“Existem medidas ao alcance do governo com efeito imediato, especialmente sobre o preço do gás natural, que é um insumo determinante para a indústria química brasileira”, disse.
Segundo o executivo, a entidade negocia com os ministérios de Minas e Energia e do Desenvolvimento, além da Casa Civil, medidas para ampliar a concorrência no mercado de gás e reduzir o preço pago pela indústria.
Cordeiro afirmou que a indústria química mundial enfrenta um desequilíbrio provocado pelo excesso de capacidade produtiva, especialmente na China.
A desaceleração da economia chinesa reduziu o consumo interno e levou o país a direcionar uma parcela maior da produção para mercados como Europa e América Latina.
Ao mesmo tempo, a queda das importações chinesas deixou fabricantes americanos com mais produtos disponíveis para exportação. Segundo o executivo, esse movimento intensificou a disputa por mercados e pressionou os preços internacionais.
“A China e os Estados Unidos baixam preços de forma muito forte para ampliar o acesso a mercados como o brasileiro e o europeu, colocando em risco capacidades produtivas construídas a um custo elevado”, afirmou.
A Abiquim avalia que medidas de defesa comercial adotadas pelo Brasil ajudaram a reduzir a participação dos importados no consumo nacional de produtos químicos. Segundo Cordeiro, essa fatia chegou a 56% e recuou para cerca de 43% após as medidas.
A entidade também mantém conversas com a ApexBrasil para buscar mercados para produtos químicos de origem renovável e com o BNDES para estruturar um projeto de fortalecimento da cadeia petroquímica brasileira.
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