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Brasil “vira importador” no varejo e na indústria: participação de estrangeiros no consumo bate recorde em 20 anos
Publicado 18/12/2025 • 10:16 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 18/12/2025 • 10:16 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
A participação de produtos importados no consumo dos brasileiros atingiu o maior patamar em duas décadas, acendendo um alerta para empresários da indústria e do varejo: mesmo com a desvalorização do real (que normalmente encarece o produto estrangeiro), a demanda interna aquecida e a retomada industrial abriram espaço para uma entrada mais forte de bens externos, com a China liderando esse avanço.
O dado central vem do estudo anual Coeficientes de Abertura Comercial (CAC), da CNI em parceria com a Funcex, divulgado nesta quinta-feira, 18 de dezembro de 2025, com números consolidados de 2024.
O indicador mais “palpável” para quem está disputando espaço na prateleira, ou defendendo margem na indústria, é o coeficiente de penetração das importações, que mede quanto do consumo aparente é atendido por produtos estrangeiros.
Em 2024, esse coeficiente subiu 2,2 pontos percentuais, indo de 24,5% para 26,7%, recorde desde o início da série (2003).
O ponto de atenção: o avanço veio apesar do câmbio desfavorável para importados, sinalizando que preço não foi o único driver – competitividade, escala e composição tecnológica pesaram.
Segundo o estudo, as importações cresceram 17,3% em 2024 (em reais e a preços constantes), apoiadas por dois motores clássicos do ciclo econômico: retomada da produção industrial e aquecimento da demanda doméstica.
Na prática: quando a economia acelera, empresas correm para recompor estoques, ampliar capacidade e entregar mais rápido — e, se a oferta doméstica não acompanha em preço, qualidade, tecnologia ou prazo, o importado entra (inclusive via insumos e componentes).
O estudo aponta a China como principal vetor do avanço: a participação de bens chineses no consumo do Brasil saltou de 7,1% para 9,2% em 2024, o maior nível da série histórica.
O recado para a indústria é especialmente sensível porque a expansão chinesa veio com força em segmentos de maior intensidade tecnológica e valor agregado, como:
Além disso, o levantamento destaca alta presença de têxteis chineses no consumo brasileiro do setor.

O aumento da penetração não é só na vitrine é na fábrica. O estudo mostra crescimento do uso de insumos industriais importados, indicando dependência crescente na produção doméstica.. Em 2024, o coeficiente de insumos industriais importados atingiu 25%, o maior da série.
O estudo aponta que as importações de insumos cresceram 16% (em reais, a preços constantes), enquanto o consumo de insumos nacionais avançou 4%, um descompasso que sugere dependência estrutural e pressiona quem tenta “nacionalizar” a cadeia no curto prazo.
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Por que isso importa para o mercado?
Enquanto importados ganham espaço, o coeficiente de exportação (parcela da produção destinada ao exterior) caiu de 19,3% para 18,9% em 2024.
Mesmo com crescimento de 2,6% nas exportações da indústria de transformação (a preços constantes), a produção cresceu mais — reduzindo o peso relativo do externo. Os EUA seguem como principal destino, seguidos por UE e China; o Sudeste Asiático ultrapassou a Argentina no ranking de destinos.

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