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Brazil Week: Brasil não vai mais ser só exportador de commodities, diz presidente da CNI
Publicado 11/05/2026 • 21:55 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 11/05/2026 • 21:55 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O Brasil precisa usar a relação com os Estados Unidos para agregar valor à produção e ampliar sua presença em cadeias industriais, afirmou Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria, durante o Brasil-U.S. Industry Day, promovido pela CNI em parceria com a U.S. Chamber of Commerce
Em coletiva durante o evento que reuniu centenas de lideranças empresariais, investidores e autoridades dos dois países para discutir uma agenda estratégica comum para impulsionar a competitividade industrial, Alban disse que a aproximação entre empresas brasileiras e americanas deve avançar em setores como minerais críticos, infraestrutura, data centers, inteligência artificial e biocombustíveis.
“Uma coisa é certa: o Brasil definitivamente não vai mais ser apenas um exportador de commodities”, afirmou.
Segundo Alban, a relação entre Brasil e Estados Unidos é marcada pelo comércio de produtos industrializados. Ele reiterou que os EUA são o maior parceiro comercial do Brasil nesse segmento e que o desafio é ampliar esse mercado com novas cadeias produtivas.
“Quando nós falamos em agregar valor, quando nós falamos em complementaridade, nós estamos falando de um mercado que já existe e que precisamos ampliar”, disse.
O presidente da CNI afirmou que um dos objetivos da agenda em Nova York é criar uma ligação maior entre negócios dos dois países. Segundo ele, cerca de 32% dos inscritos no evento eram de empresas americanas.
“O mais importante hoje nesse evento é nós criarmos um maior elo de ligação entre as empresas brasileiras e as empresas americanas”, afirmou.
Sobre as negociações tarifárias com os Estados Unidos, Alban disse ver espaço para avanço, mas afirmou que o tema exige uma proposta mais estruturada do Brasil. Ele citou as discussões em torno das seções 232 e 301 como pontos de atenção.
“Tem muitos itens que precisam ser desmistificados no que está na mesa da discussão da 301”, disse.
Segundo o presidente da CNI, a indústria brasileira tem colaborado com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços na construção de uma proposta “mais substanciada, mais firme, mais definida” para as conversas com o governo americano.
Alban afirmou que o Brasil deve olhar as negociações pelo prisma da agregação de valor e da complementaridade produtiva. Para ele, o país precisa transformar vantagens naturais em cadeias industriais mais sofisticadas.
Entre as áreas prioritárias, Alban citou a mineração, especialmente terras raras e outros minerais críticos, como uma das frentes mais relevantes para atrair investimentos.
Segundo ele, o Brasil tem a segunda maior reserva conhecida de terras raras e pode ter uma disponibilidade ainda maior, já que apenas parte do território nacional foi explorada geologicamente.
“Precisamos de parceiros, e parceiros como os Estados Unidos, parceiros como a Europa, parceiros que nos conhecem há muito tempo”, afirmou.
Na avaliação do presidente da CNI, o potencial brasileiro em minerais críticos reforça a necessidade de atrair capital, tecnologia e parceiros capazes de transformar recursos naturais em cadeias produtivas de maior valor agregado.
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Siga o Times | CNBCAlban também apontou infraestrutura, data centers e inteligência artificial como áreas com forte potencial de expansão. Segundo ele, o Brasil tem vantagens competitivas por reunir energia limpa, recursos naturais e espaço para novos projetos industriais.
“Nós temos muita energia, muita energia limpa, e isso demanda muitos investimentos”, disse.
Na avaliação de Alban, a agenda de data centers e IA deve ganhar força porque empresas globais buscam países confiáveis para armazenar e processar informações estratégicas.
“Estrategicamente, não faz mais sentido você buscar data centers em países friendly, ou países próximos, onde você possa ter a garantia, a tranquilidade da reserva de todas as suas informações”, afirmou.
Alban também defendeu o avanço dos biocombustíveis como eixo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, os dois países têm capacidade de liderar a oferta global de etanol e de soluções sustentáveis para transporte e indústria.
Ele citou projetos no sertão brasileiro para produção de etanol a partir do agave, em parceria com empresas e com a Petrobras. Na avaliação dele, esse tipo de iniciativa ajuda a rebater críticas de que a produção de biocombustíveis ameaça a segurança alimentar.
“Onde é que nós estamos atingindo a cadeia alimentar? Onde é que nós estamos atingindo desmatamento?”, questionou.
Alban afirmou que o Brasil tem áreas degradadas e regiões semiáridas que podem ser usadas para produção energética sem competir com alimentos. Segundo ele, o tema também foi discutido em agendas recentes com lideranças europeias, diante da demanda por energia renovável e biocombustíveis.
Para o presidente da CNI, Brasil e Estados Unidos podem ampliar a cooperação nesse mercado sem disputar os mesmos espaços. “Nós podemos construir muitas soluções em um simples conceito: complementaridade”, afirmou.
Para Alban, o objetivo da relação bilateral não deve ser apenas alterar o saldo da balança comercial, mas aumentar o fluxo de comércio entre os dois países.
“Acho que o objetivo número um não é mudar o perfil da balança no sentido de nós passarmos a ter superávit. É incrementá-la”, disse.
Alban também afirmou que o Brasil precisa melhorar o ambiente de negócios para atrair investimentos duradouros. Ele citou segurança jurídica, regulamentação, déficit fiscal e uma possível reforma administrativa como temas que precisarão ser enfrentados, especialmente a partir de 2027.
“Não faltam recursos no mundo. Pelo contrário, o mundo está cheio de recursos procurando porto seguro”, afirmou. “Nós temos que transformar o convencimento.”
Na avaliação dele, o setor privado deve atuar como facilitador das relações econômicas e contribuir com políticas públicas. “Quem não é visto não é lembrado. E a indústria brasileira com a indústria americana querem ser vistas para serem sempre lembradas”, concluiu.
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