CNBC

CNBCGoogle acelera integração do Gemini ao Android antes de nova ofensiva de IA da Apple

Notícias do Brasil

Brazil Week: Brasil não vai mais ser só exportador de commodities, diz presidente da CNI

Publicado 11/05/2026 • 21:55 | Atualizado há 20 horas

KEY POINTS

  • Em coletiva durante evento da CNI na Brazil Week, presidente da CNI defendeu maior aproximação entre empresas brasileiras e americanas.
  • Ricardo Alban citou minerais críticos, infraestrutura, data centers, IA e biocombustíveis como áreas prioritárias para atrair investimentos.
  • - Sobre tarifas, disse que há pontos a “desmistificar” na discussão da Seção 301 e que a indústria colabora com o governo brasileiro nas negociações.

O Brasil precisa usar a relação com os Estados Unidos para agregar valor à produção e ampliar sua presença em cadeias industriais, afirmou Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria, durante o Brasil-U.S. Industry Day, promovido pela CNI em parceria com a U.S. Chamber of Commerce

Em coletiva durante o evento que reuniu centenas de lideranças empresariais, investidores e autoridades dos dois países para discutir uma agenda estratégica comum para impulsionar a competitividade industrial, Alban disse que a aproximação entre empresas brasileiras e americanas deve avançar em setores como minerais críticos, infraestrutura, data centers, inteligência artificial e biocombustíveis.

“Uma coisa é certa: o Brasil definitivamente não vai mais ser apenas um exportador de commodities”, afirmou.

Segundo Alban, a relação entre Brasil e Estados Unidos é marcada pelo comércio de produtos industrializados. Ele reiterou que os EUA são o maior parceiro comercial do Brasil nesse segmento e que o desafio é ampliar esse mercado com novas cadeias produtivas.

“Quando nós falamos em agregar valor, quando nós falamos em complementaridade, nós estamos falando de um mercado que já existe e que precisamos ampliar”, disse.

O presidente da CNI afirmou que um dos objetivos da agenda em Nova York é criar uma ligação maior entre negócios dos dois países. Segundo ele, cerca de 32% dos inscritos no evento eram de empresas americanas.

“O mais importante hoje nesse evento é nós criarmos um maior elo de ligação entre as empresas brasileiras e as empresas americanas”, afirmou.

Tarifas

Sobre as negociações tarifárias com os Estados Unidos, Alban disse ver espaço para avanço, mas afirmou que o tema exige uma proposta mais estruturada do Brasil. Ele citou as discussões em torno das seções 232 e 301 como pontos de atenção.

“Tem muitos itens que precisam ser desmistificados no que está na mesa da discussão da 301”, disse.

Segundo o presidente da CNI, a indústria brasileira tem colaborado com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços na construção de uma proposta “mais substanciada, mais firme, mais definida” para as conversas com o governo americano.

Alban afirmou que o Brasil deve olhar as negociações pelo prisma da agregação de valor e da complementaridade produtiva. Para ele, o país precisa transformar vantagens naturais em cadeias industriais mais sofisticadas.

Terras raras e minerais críticos

Entre as áreas prioritárias, Alban citou a mineração, especialmente terras raras e outros minerais críticos, como uma das frentes mais relevantes para atrair investimentos.

Segundo ele, o Brasil tem a segunda maior reserva conhecida de terras raras e pode ter uma disponibilidade ainda maior, já que apenas parte do território nacional foi explorada geologicamente.

“Precisamos de parceiros, e parceiros como os Estados Unidos, parceiros como a Europa, parceiros que nos conhecem há muito tempo”, afirmou.

Na avaliação do presidente da CNI, o potencial brasileiro em minerais críticos reforça a necessidade de atrair capital, tecnologia e parceiros capazes de transformar recursos naturais em cadeias produtivas de maior valor agregado.

Energia, data centers e IA

Alban também apontou infraestrutura, data centers e inteligência artificial como áreas com forte potencial de expansão. Segundo ele, o Brasil tem vantagens competitivas por reunir energia limpa, recursos naturais e espaço para novos projetos industriais.

“Nós temos muita energia, muita energia limpa, e isso demanda muitos investimentos”, disse.

Na avaliação de Alban, a agenda de data centers e IA deve ganhar força porque empresas globais buscam países confiáveis para armazenar e processar informações estratégicas.

“Estrategicamente, não faz mais sentido você buscar data centers em países friendly, ou países próximos, onde você possa ter a garantia, a tranquilidade da reserva de todas as suas informações”, afirmou.

Biocombustíveis

Alban também defendeu o avanço dos biocombustíveis como eixo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, os dois países têm capacidade de liderar a oferta global de etanol e de soluções sustentáveis para transporte e indústria.

Ele citou projetos no sertão brasileiro para produção de etanol a partir do agave, em parceria com empresas e com a Petrobras. Na avaliação dele, esse tipo de iniciativa ajuda a rebater críticas de que a produção de biocombustíveis ameaça a segurança alimentar.

“Onde é que nós estamos atingindo a cadeia alimentar? Onde é que nós estamos atingindo desmatamento?”, questionou.

Alban afirmou que o Brasil tem áreas degradadas e regiões semiáridas que podem ser usadas para produção energética sem competir com alimentos. Segundo ele, o tema também foi discutido em agendas recentes com lideranças europeias, diante da demanda por energia renovável e biocombustíveis.

Para o presidente da CNI, Brasil e Estados Unidos podem ampliar a cooperação nesse mercado sem disputar os mesmos espaços. “Nós podemos construir muitas soluções em um simples conceito: complementaridade”, afirmou.

Investimentos

Para Alban, o objetivo da relação bilateral não deve ser apenas alterar o saldo da balança comercial, mas aumentar o fluxo de comércio entre os dois países.

“Acho que o objetivo número um não é mudar o perfil da balança no sentido de nós passarmos a ter superávit. É incrementá-la”, disse.

Alban também afirmou que o Brasil precisa melhorar o ambiente de negócios para atrair investimentos duradouros. Ele citou segurança jurídica, regulamentação, déficit fiscal e uma possível reforma administrativa como temas que precisarão ser enfrentados, especialmente a partir de 2027.

“Não faltam recursos no mundo. Pelo contrário, o mundo está cheio de recursos procurando porto seguro”, afirmou. “Nós temos que transformar o convencimento.”

Na avaliação dele, o setor privado deve atuar como facilitador das relações econômicas e contribuir com políticas públicas. “Quem não é visto não é lembrado. E a indústria brasileira com a indústria americana querem ser vistas para serem sempre lembradas”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil