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Carlo Pereira: Brasil é exemplo contra trabalho escravo e não deve virar alvo dos EUA

Publicado 03/06/2026 • 22:07 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC afirma que a legislação brasileira é mais avançada que parâmetros da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
  • Segundo Pereira, investigação americana usa argumento técnico, mas tem motivação política.
  • Para ele, Brasil deve contestar os EUA, buscar apoio internacional e mostrar que é referência no combate ao trabalho análogo à escravidão.

O Brasil tem argumentos sólidos para contestar a investigação dos Estados Unidos sobre importações ligadas a trabalho forçado e não deveria ser tratado como alvo nesse tema. A avaliação é de Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Pereira disse que a nova frente aberta pelo governo americano dentro da Seção 301 usa um tema relevante — o combate ao trabalho análogo à escravidão — mas com finalidade política e comercial.

“Quando os Estados Unidos falam disso, não falam diretamente do Brasil, mas falam, na verdade, do Brasil e de mais de 50 outros países”, afirmou.

Segundo Pereira, o movimento ocorre depois de questionamentos ao uso de mecanismos emergenciais pelo governo Donald Trump para aplicar tarifas. Com isso, a administração americana passou a recorrer de forma mais intensa à Seção 301.

O Notável afirmou que o tema do trabalho forçado é grave e precisa ser tratado com seriedade. Ele citou estimativas globais de cerca de 50 milhões de pessoas em condições análogas à escravidão no mundo.

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No caso brasileiro, Pereira disse que o país ainda registra casos relevantes, mas tem legislação e capacidade de fiscalização reconhecidas internacionalmente.

“A legislação brasileira é muito avançada. O Código Penal Brasileiro é mais avançado do que preconiza a OIT [Organização Internacional do Trabalho]”, disse.

Segundo ele, o Brasil resgatou mais de 50 mil pessoas em condições análogas à escravidão nos últimos 15 anos. Para Pereira, o dado mostra a existência do problema, mas também evidencia a capacidade do país de investigar, fiscalizar e punir.

“A gente consegue buscar essas denúncias, fazer essas investigações e, quando é necessário, fazer o resgate”, afirmou.

Pereira disse que o Brasil tem “super” argumentos de defesa diante da investigação americana. Na avaliação dele, a legislação e a aplicação das regras brasileiras são exemplos para outros países.

“O país tem muito a falar sobre essa questão e pode ser tido como exemplo, em vez de virar alvo”, afirmou.

O Notável fez ressalva à perda de credibilidade da chamada lista suja do trabalho escravo nos últimos anos, após a retirada de empresas pelo governo em decisões questionadas por setores da sociedade civil. Ainda assim, afirmou que isso não muda o quadro geral de robustez da política brasileira.

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Impacto econômico

Sobre o possível impacto das medidas na economia, Pereira afirmou que a média das exportações brasileiras pode esconder danos concentrados em produtos específicos. Segundo ele, o peso do mercado americano exige atenção especial.

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“Os Estados Unidos são o maior mercado interno do mundo. Quando a gente fala em importação nos Estados Unidos, é maior do que o PIB da maior parte dos países”, disse.

Para Pereira, o Brasil deve manter diálogo constante com Washington, desmontar os argumentos técnicos apresentados pelos EUA e buscar apoio de outros países também atingidos pela investigação.

“O Brasil tem que tirar esses argumentos que aparentam ser técnicos e a gente sabe que são políticos”, afirmou.

Segundo ele, a resposta brasileira deve combinar defesa técnica, articulação diplomática e pressão internacional.

“Os países têm que se juntar e mostrar que não é bem por aí, esse não é o caminho que a gente tem que seguir”, disse. “Somos um exemplo com relação a isso e temos que mostrar isso não só para os Estados Unidos, mas também para o mundo.”

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