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Caso Master entra em semana decisiva no STF; entenda os próximos passos

Publicado 06/09/2026 • 20:31 | Atualizado há 29 minutos

KEY POINTS

  • Fachin ainda precisa definir quando o plenário vai analisar o caso envolvendo o relatório da PF com mensagens de Vorcaro e Moraes.
  • Moraes, Mendonça, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues terão de prestar esclarecimentos sobre a condução das investigações.
  • PGR abriu frente própria para verificar se a PF investigou Moraes de forma irregular.

O caso Master entra nesta semana em uma nova fase no Supremo Tribunal Federal (STF), com prazos em andamento, manifestações pendentes e um processo já liberado para julgamento no plenário.

O movimento mais recente ocorreu neste domingo (6), quando o ministro André Mendonça liberou para análise em plenário o relatório da Polícia Federal que revelou mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a um número associado a Alexandre de Moraes. A decisão sobre quando o julgamento ocorrerá agora cabe ao presidente do STF, Edson Fachin.

Ao mesmo tempo, Fachin aguarda esclarecimentos de Moraes, Mendonça, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sobre a condução das investigações relacionadas ao Master.

Leia também: Caso Master provoca recorde de liquidações pelo Banco Central em 24 anos; maioria tem ligação com o banco de Vorcaro

Veja quais devem ser os próximos passos:

  1. Fachin precisa decidir quando levar caso ao plenário

O relatório produzido pela Polícia Federal reúne registros extraídos do celular de Vorcaro e mensagens enviadas a um contato identificado pelos investigadores como pertencente a Moraes.

Mendonça já deixou o processo pronto para análise colegiada, mas isso não significa que o julgamento esteja marcado. Cabe a Fachin incluir o caso na pauta do plenário. Até agora, não há data definida.

Quando isso ocorrer, os ministros poderão ter de enfrentar questões que vão além do conteúdo das mensagens, incluindo as críticas da PGR à forma como determinadas diligências foram conduzidas.

  1. Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei terão de se explicar

Em paralelo, Fachin conduz um procedimento separado para esclarecer a atuação das autoridades envolvidas.

O presidente do Supremo determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues apresentem informações por escrito.

Entre os pontos que Fachin quer esclarecer estão a forma como a PF conduziu diligências que alcançaram integrantes do Supremo, o controle exercido pelo Ministério Público e as circunstâncias em que determinadas pessoas foram identificadas nos documentos da investigação.

Fachin também retirou do inquérito das fake news a decisão e os relatórios usados por Moraes para levantar suspeitas contra Mendonça e transferiu o material para essa nova frente.

  1. PGR vai analisar acusações de Moraes contra Mendonça

Há ainda uma sequência própria de manifestações sobre o pedido apresentado por Moraes. O ministro afirmou ter encontrado elementos que poderiam indicar improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça.

Fachin determinou que a PGR se manifeste primeiro sobre o material. Depois, Mendonça terá oportunidade de responder.

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Somente após essas etapas a Presidência do STF deverá definir se há necessidade de novas providências.

  1. PGR apura se PF investigou Moraes irregularmente

A Procuradoria-Geral da República abriu um procedimento de controle externo da atividade policial para verificar se houve irregularidade na atuação da PF ao realizar diligências que atingiram Moraes.

A principal questão é saber se a Polícia Federal avançou sobre fatos relacionados a um ministro do STF sem observar o controle que cabe ao Ministério Público e as regras aplicáveis a autoridades com foro na Corte.

  1. Situação de Gonet também está sob análise

Paulo Gonet enfrenta outra discussão dentro do Ministério Público Federal. O Conselho Superior do MPF abriu procedimento para analisar referências ao procurador-geral encontradas no material apreendido com Vorcaro.

O colegiado deverá analisar pedidos para que outro integrante da cúpula do Ministério Público atue em eventuais investigações nas quais Gonet possa aparecer como interessado.

Há registros em que terceiros atribuem recados ao procurador-geral e uma conversa sobre a possível participação do filho de Gonet em uma viagem a Londres. O evento não ocorreu, e os documentos conhecidos não comprovam que despesas tenham sido efetivamente pagas.

Leia também: Liquidante do Master pede dados de Bradesco, Safra e outros bancos sobre movimentações de Vorcaro nos EUA

Como a crise chegou até aqui

A disputa ganhou força depois que Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF produzido a partir do celular de Vorcaro.

O documento revelou mensagens enviadas pelo fundador do Master a um número associado a Moraes, algumas delas relacionadas às investigações sobre o banco e a autoridades envolvidas no caso.

Parte das comunicações foi enviada em formato de visualização única, o que impediu a recuperação integral de determinadas respostas. A PGR contestou a forma como as diligências foram conduzidas e pediu a nulidade de atos da investigação.

Moraes reagiu, passou a questionar a atuação de Mendonça e apresentou a Fachin relatórios da PF que, em sua avaliação, levantariam suspeitas sobre a conduta do colega.

Fachin então assumiu a condução institucional da crise, separou a disputa do inquérito das fake news e passou a cobrar explicações das autoridades envolvidas.

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