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Caso Master: Vorcaro e presidente do União Brasil discutiram acordo de R$ 320 milhões envolvendo o BRB
Publicado 04/11/2026 • 10:16 | Atualizado há 57 minutos
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Publicado 04/11/2026 • 10:16 | Atualizado há 57 minutos
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União Brasil/Divulgação
Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, discutiram os termos de um acordo envolvendo a BRB Financeira.
O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, discutiu com Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, detalhes de um acordo de R$ 320 milhões para a venda de uma participação na BRB Financeira, empresa do Banco de Brasília (BRB). A negociação envolvia um grupo de investidores liderado pelo empresário José Ricardo Lemos Rezek, próximo ao dirigente partidário.
As conversas mostram que Rueda participou da discussão de cláusulas que dariam ao grupo comprador a maioria dos votos no conselho da financeira, apesar de deter apenas 49% do capital. Oficialmente, o presidente do União Brasil não aparecia como participante da transação.
As informações foram reveladas nesta quarta-feira (4) pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo. A equipe da coluna teve acesso a mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Vorcaro. Os registros também indicam que o banqueiro e Rueda combinaram encontros em Brasília durante as negociações.
Em 1º de julho de 2024, Rueda enviou a Vorcaro um trecho de um acordo de acionistas relacionado à negociação. O então dono do Master sugeriu uma alteração no texto para incluir poderes sobre operações financeiras e de crédito.
A minuta previa autonomia para diretores indicados pelo consórcio comprador, incluindo a possibilidade de aprovar operações financeiras. As condições discutidas permitiriam ao grupo de Rezek ter maioria de votos no conselho, mesmo sem controlar a maior parte do capital da empresa.
As mensagens também indicam que Rueda e Vorcaro se encontraram pessoalmente ao menos duas vezes durante as tratativas, em residências no Lago Sul, região nobre de Brasília.
Em outra conversa, de 4 de julho de 2024, Rueda relatou uma discussão envolvendo Augusto Lima, então sócio de Vorcaro no Banco Master. No dia seguinte, informou ao banqueiro que Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, precisava falar com ele.
O consórcio liderado por Rezek se comprometeu a pagar R$ 320 milhões pela participação na BRB Financeira, em dez parcelas anuais.
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Siga o Times | CNBCSegundo fontes do BRB ouvidas pela coluna, a financeira registrava lucros próximos de R$ 90 milhões por ano. Isso significava que os resultados anuais da empresa poderiam superar o valor de cada parcela prevista no contrato, o que gerou questionamentos sobre as condições da operação.
A parceria foi anunciada ao mercado em julho de 2024. O negócio foi formalizado em março de 2025, período em que o BRB também anunciou a intenção de comprar o Banco Master.
A transação acabou sendo cancelada em dezembro de 2025, após questionamentos do Banco Central e o avanço das investigações sobre irregularidades nas operações entre o Master e o BRB.
Entre os problemas identificados pelo regulador, estavam dúvidas sobre a origem dos recursos utilizados na aquisição e divergências em relação ao acordo de acionistas.
Questionado pela coluna, Antonio Rueda afirmou que sua atuação em assuntos relacionados ao Banco Master se limitou à assessoria jurídica, na condição de advogado e dentro dos limites legais e éticos da profissão.
O presidente do União Brasil também alegou que suas comunicações com clientes estão protegidas pelo sigilo profissional. Ele não esclareceu os trechos das mensagens que mencionavam Paulo Henrique Costa e Augusto Lima.
José Ricardo Lemos Rezek negou ter tratado de assuntos da BRB Financeira com Rueda ou Vorcaro. Segundo o empresário, sua participação no negócio ocorreu por razões comerciais, após convite para integrar o grupo de investidores.
Rezek afirmou ainda que desistiu da operação após análises técnicas e de mercado. A defesa de Daniel Vorcaro informou à coluna que não comentaria as mensagens.
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