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Vitória democrata nos EUA não acaba com tarifaço de Trump sobre o Brasil; entenda
Publicado 04/11/2026 • 09:04 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 04/11/2026 • 09:04 | Atualizado há 46 minutos
KEY POINTS
Jéssica Prado/MDIC
Os ministros Márcio Elias Rosa e Mauro Vieira se reuniram com o representante comercial dos EUA
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), não significa o fim das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros. Mesmo com a oposição conquistando a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, as sobretaxas continuam em vigor e não serão canceladas automaticamente.
Isso acontece porque as medidas foram adotadas pelo governo americano com base em uma lei comercial que permite ao Executivo aplicar tarifas sobre produtos importados. O Congresso pode aprovar leis para limitar esse poder, mas a mudança na composição das duas casas não suspende as cobranças.
Para o Brasil, a manutenção das tarifas significa que parte dos produtos vendidos aos Estados Unidos continuará enfrentando custos adicionais para entrar no mercado americano. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as duas sobretaxas mais recentes atingem 23,1% da pauta exportadora brasileira, considerando como referência o comércio bilateral de 2024.
Leia também: Midterms nos EUA: quais setores da economia brasileira podem ser afetados por uma vitória democrata?
O governo Trump adotou duas sobretaxas em julho de 2026. A primeira, de 25%, foi direcionada a determinados produtos brasileiros após uma investigação americana sobre práticas comerciais do país.
A segunda, de 12,5%, foi aplicada ao Brasil e a outros países que, segundo o governo americano, não adotam medidas suficientes para combater a entrada de produtos associados ao trabalho forçado.
As duas cobranças podem ser somadas quando atingem o mesmo produto. Nesses casos, a sobretaxa chega a 37,5%, além das tarifas normais de importação.
Segundo nota do MDIC, publicada em julho e atualizada em 26 de outubro, as medidas atingem diferentes parcelas das exportações brasileiras aos Estados Unidos:
Os percentuais foram calculados com base nos US$ 40,4 bilhões exportados pelo Brasil aos Estados Unidos em 2024. Portanto, mostram o alcance estimado das medidas sobre aquela pauta comercial, e não a proporção exata das vendas realizadas em 2026.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos vêm perdendo força. Segundo o MDIC, as vendas para o mercado americano caíram de US$ 40,4 bilhões em 2024 para US$ 37,7 bilhões em 2025.
A retração continuou em 2026. No primeiro semestre, os embarques somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O ministério aponta que o resultado foi influenciado principalmente pela redução das exportações de petróleo bruto, de 30,4%, e de produtos semiacabados de ferro e aço, de 21,7%.
Com isso, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% no primeiro semestre de 2025 para 9,4% no mesmo período de 2026.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 27,46 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, queda de 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
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Siga o Times | CNBCApesar da retração, não é possível atribuir toda a queda às tarifas, já que o desempenho comercial também depende de fatores como demanda, preços internacionais e volume de embarques.
Os democratas só assumirão o controle da Câmara e do Senado em 3 de janeiro de 2027. Até lá, os republicanos continuarão com a maioria nas duas casas.
Quando tomarem posse, os parlamentares da oposição poderão convocar autoridades para explicar a política comercial de Trump, investigar os efeitos das tarifas sobre empresas e consumidores e apresentar projetos para limitar o poder do presidente nessa área.
Isso, porém, não significa que conseguirão derrubar as medidas.
As sobretaxas de 25% e 12,5% foram estabelecidas com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que permite ao governo agir contra práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos.
Os democratas poderão tentar aprovar leis para limitar a aplicação das tarifas. Trump, porém, poderá vetar essas propostas. Para derrubar um veto presidencial, seriam necessários dois terços dos votos tanto na Câmara quanto no Senado.
O próprio governo americano também pode modificar ou retirar as tarifas, inclusive como resultado de negociações com outros países.
Enquanto as tarifas continuam em vigor, Brasil e Estados Unidos negociam um possível acordo comercial.
Na terça-feira (3), o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o governo brasileiro espera receber, entre esta semana e o início da próxima, um primeiro documento com as propostas americanas.
O documento deverá servir de base para a próxima etapa das negociações comerciais entre os dois países.
As conversas incluem uma reunião entre representantes dos dois governos, realizada em 30 de setembro.
Questionado sobre os efeitos da vitória democrata nas negociações, Rosa afirmou que o resultado eleitoral não altera as conversas em andamento.
Até o momento, não há acordo fechado nem anúncio de redução ou suspensão das tarifas sobre produtos brasileiros.
A vitória dos democratas também não afasta a possibilidade de novos aumentos das tarifas americanas. Segundo coluna de Assis Moreira, publicada pelo Valor Econômico, integrantes do governo brasileiro temem que Trump procure outras formas de manter ou ampliar as cobranças, mesmo diante da resistência do novo Congresso.
A preocupação também aparece em uma análise do Goldman Sachs citada pelo jornal. Em relatório, dois analistas do banco avaliam que os democratas poderão tentar reverter algumas tarifas, mas que as mudanças devem ter alcance limitado, atingindo determinados produtos ou países.
O banco prevê que Trump anuncie novos aumentos após as eleições, em intensidade suficiente para compensar eventuais reduções. Segundo a análise, o resultado poderá ser uma elevação de pouco menos de dois pontos percentuais na tarifa média americana.
A projeção se refere à política comercial dos Estados Unidos como um todo, e não a uma nova sobretaxa específica contra o Brasil. Até o momento, não há anúncio oficial de aumento adicional das tarifas sobre produtos brasileiros.
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