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Disputa pela liderança da IA deixa de ser apenas empresarial e passa a envolver países, diz colunista
Publicado 29/07/2026 • 14:34 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 29/07/2026 • 14:34 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
A disputa pela liderança da inteligência artificial deixou de ocorrer apenas entre empresas e passou a envolver ecossistemas nacionais, afirmou o colunista de tecnologia e inovação do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Igor Lopes. Lopes disse que a competição agora inclui capacidade computacional, produção de chips, data centers, infraestrutura e padrões regulatórios.
A análise foi feita a partir da conferência de inteligência artificial realizada em Xangai, na China. Embora robôs e novas aplicações tecnológicas tenham chamado a atenção durante o evento, Lopes avaliou que o principal recado foi a intenção chinesa de disputar a liderança global do setor.
“O principal recado do evento foi que a inteligência artificial deixou de ser uma disputa entre empresas para se tornar uma competição entre ecossistemas nacionais”, afirmou.
Segundo o colunista, China e Estados Unidos concentram atualmente a disputa pelos modelos mais avançados e pela infraestrutura necessária para desenvolvê-los. Nesse cenário, a vantagem não depende apenas da qualidade das ferramentas oferecidas ao público, mas também do domínio de semicondutores, centros de processamento de dados e normas técnicas.
Lopes afirmou que a diferença de desempenho entre modelos chineses e americanos diminuiu nos últimos meses. Segundo ele, alguns testes já mostram uma alternância na liderança entre os dois países.
O colunista citou dados do AI Index, da Universidade de Stanford, segundo os quais mais de 90% dos modelos lançados em 2025 vieram da iniciativa privada. Ele também destacou o avanço da China na produção científica, no número de patentes relacionadas à inteligência artificial e na instalação de robôs industriais.
Leia mais: Xi Jinping aposta tudo nos chips para transformar a China em potência global de I.A
De acordo com Lopes, a estratégia chinesa mudou diante das restrições impostas pelos Estados Unidos à venda de chips avançados. Em vez de concentrar esforços apenas em modelos fechados, o país passou a investir em modelos de peso aberto, redução de custos, aplicações industriais, arquiteturas alternativas e expansão internacional.
Para o colunista, as empresas chinesas têm buscado otimizar os equipamentos disponíveis e reduzir os custos associados ao desenvolvimento e à operação de modelos de inteligência artificial.
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Siga o Times | CNBCMesmo com as limitações de acesso a chips mais avançados, Lopes considera que a China vem reduzindo a distância em relação aos Estados Unidos e ampliando sua capacidade de competir em diferentes áreas da tecnologia.
“A disputa deixou de ser exclusivamente tecnológica e passou a ser também diplomática”, afirmou.
Durante o evento, também foi anunciada a criação de uma organização internacional dedicada à cooperação em inteligência artificial. Segundo Lopes, a iniciativa reúne inicialmente 29 países e terá sede em Xangai.
Na avaliação do colunista, o movimento faz parte da estratégia da China para ampliar sua influência sobre a governança global da tecnologia e participar da definição de padrões internacionais.
“Historicamente, quem estabelece padrões internacionais costuma ganhar mais influência econômica”, disse.
Lopes citou, como exemplos, setores como telecomunicações, internet, sistemas financeiros e aviação, nos quais a definição de normas e infraestruturas comuns ajudou determinados países e empresas a consolidar posições de liderança.
Segundo ele, a proposta chinesa busca ampliar a cooperação, o compartilhamento de tecnologia e o acesso à inteligência artificial, especialmente entre os países do chamado Sul Global. A estratégia se contrapõe à postura dos Estados Unidos, mais concentrada em segurança nacional e no controle de tecnologias consideradas críticas.
“A governança da IA passa a ser uma questão de política internacional, e não apenas de inovação”, concluiu.
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