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Crise institucional afasta investimento de longo prazo e encarece Brasil, avalia Fernanda Rocha

Publicado 09/09/2026 • 20:20 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Instabilidade institucional tende a afastar o capital de longo prazo e manter no Brasil investimentos mais táticos, segundo Fernanda Rocha.
  • A perda de previsibilidade aumenta custos jurídicos, de crédito, seguros e compliance e pode levar empresas a escolher outros mercados.
  • Para Fernanda Rocha, recuperar a confiança necessária para grandes investimentos exige transparência e segurança por um período prolongado.

A instabilidade institucional pode afastar do Brasil justamente o investimento estrangeiro de longo prazo, aquele destinado à instalação e expansão de empresas e que ajuda a financiar a atividade econômica, afirmou Fernanda Rocha, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Em sua participação nesta quarta-feira (9) na programação do canal, Fernanda afirmou que é difícil separar o impacto da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) de outros fatores que movimentam os mercados. Para ela, porém, a deterioração da confiança nas instituições produz consequências que ultrapassam as oscilações diárias de bolsa, dólar e juros.

“Infelizmente, o que mais traz prejuízo para o Brasil é aquele dinheiro que a gente mais precisa, que é o dinheiro de longo prazo”, afirmou.

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Capital de curto prazo pode permanecer

Fernanda explicou que o mercado financeiro procura antecipar acontecimentos e que parte dos fatos recentes já vinha sendo acompanhada pelos investidores. A dimensão alcançada pela crise institucional, entretanto, não estava incorporada da mesma maneira às expectativas.

Nesse ambiente, o Brasil tende a continuar atraindo recursos voltados a movimentos de curto prazo, mas encontra maior dificuldade para receber investimentos com horizonte mais longo.

“O Brasil, com tudo isso, fica mais naquela alocação mais tática, mais naquele dinheiro de risco, aquele dinheiro rápido, aquele dinheiro que vem para aproveitar uma oportunidade”, explicou.

Segundo Fernanda, movimentos recentes de alta da bolsa podem ser interpretados dentro dessa lógica, com investidores procurando oportunidades pontuais. O problema aparece quando uma empresa precisa decidir onde colocar recursos durante vários anos.

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“Isso tudo que está acontecendo, infelizmente, traz um prejuízo muito grande no nosso longo prazo, porque isso prejudica aquele dinheiro que é o dinheiro que fica, o dinheiro que vem para ficar durante muito tempo”, acrescentou.

Insegurança aumenta custo de investir no Brasil

Questionada sobre os efeitos da repercussão do caso Banco Master e da crise envolvendo o STF sobre a percepção de risco do país, Fernanda destacou que a falta de previsibilidade aumenta o custo necessário para uma companhia investir no Brasil.

Uma multinacional que avalia uma expansão internacional, por exemplo, compara não apenas o retorno esperado em cada país, mas também os riscos e despesas associados à operação.

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“O custo de oportunidade no Brasil aumenta demais com esse tipo de instabilidade, com esse tipo de insegurança, porque eles vão ter que contratar mais consultorias jurídicas, mais seguros, mais compliance. Tudo, o crédito encarece”, afirmou.

Esse custo adicional, segundo ela, pode fazer com que projetos sejam direcionados a países que ofereçam rentabilidade menor, mas maior segurança institucional.

“Quando eles fazem a TIR, vão analisar a taxa de retorno comparada, às vezes, a um país que vai entregar um retorno muitas vezes menor, mas com previsibilidade. Eles acabam preferindo colocar o dinheiro, levar essa multinacional, levar essa planta para outro lugar e não para o Brasil”, explicou.

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Confiança pode levar anos para ser recuperada

Fernanda considera que não existe uma resposta rápida do mercado capaz de neutralizar os efeitos de uma crise institucional. A reconstrução da confiança depende, segundo ela, de um processo prolongado de transparência e previsibilidade.

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“É muito fácil perder a confiança. A gente fica anos construindo uma confiança e, às vezes, algo que acontece assim, de repente, faz com que abale toda a nossa confiança”, disse.

Para a analista, o Brasil precisará demonstrar segurança ao longo do tempo para voltar a convencer empresas a assumir compromissos de longo prazo no país.

“Agora a gente vai precisar de muitos anos trazendo uma transparência, trazendo uma segurança para voltar, de novo, essa confiança de que pode, sim, trazer grandes plantas para cá, grandes fábricas para cá, trazer o dinheiro para fazer um investimento de longo prazo”, afirmou.

Petróleo pesa mais no curto prazo

Apesar da preocupação institucional, Fernanda ponderou que as oscilações de curto prazo dos mercados continuam respondendo mais diretamente a fatores que podem ser incorporados aos modelos econômicos e financeiros.

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Ela citou como exemplo a nova escalada da guerra e a alta do petróleo Brent, fatores capazes de afetar inflação, juros, custos das empresas e, consequentemente, os preços dos ativos.

“Isso é uma coisa que impacta nos índices, nos dados de inflação. Então, a gente tem toda uma métrica para entender qual o custo do dinheiro no tempo com base nesse aumento do custo do petróleo”, explicou.

Segundo Fernanda, esse movimento não ficou restrito aos ativos brasileiros e provocou realização nas bolsas internacionais.

Já no ambiente doméstico, parte dos investidores também passou a interpretar os ruídos políticos pela perspectiva de uma possível mudança de governo e de uma eventual administração com maior controle fiscal.

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“Com todos esses ruídos, pode, sim, ter aumentado a possibilidade de uma troca de governo, uma possibilidade de um governo que venha com um fiscal mais controlado. Isso seria positivo olhando para os dados”, afirmou.

Cautela diante de riscos internos e externos

Com incertezas simultâneas no Brasil e no exterior, Fernanda resumiu o posicionamento necessário para os investidores em uma palavra: cautela. “É um olho no peixe, outro no gato, outro no cachorro, outro em todos. É muita coisa para ver ao mesmo tempo”, brincou.

Para a assessora, os investidores enfrentam atualmente fatores de natureza diferente: enquanto questões como petróleo e inflação podem produzir efeitos mais imediatos sobre os preços dos ativos, a deterioração da confiança institucional representa um risco estrutural, com potencial para afetar decisões de investimento durante períodos mais longos.

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