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Ebola atravessa fronteiras e OMS decreta emergência internacional após confirmação em Uganda
Publicado 17/05/2026 • 10:04 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 17/05/2026 • 10:04 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
Foto: Cruz Vermelha
A Organização Mundial da Saúde declarou neste domingo (17) emergência de saúde pública de importância internacional após a confirmação de casos de Ebola em Uganda. Dois pacientes internados em unidades de terapia intensiva em Kampala testaram positivo para o vírus Bundibugyo nos dias 15 e 16 de maio, ambos com histórico de viagem recente à República Democrática do Congo.
🔍 Como o Ebola se transmite: O vírus Bundibugyo, assim como outras cepas do Ebola, se transmite pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos ou fluidos corporais de pessoas infectadas, vivas ou mortas. O contato com superfícies e materiais contaminados, como roupas de cama e agulhas, também representa risco. A transmissão pelo ar não foi documentada. Profissionais de saúde sem equipamento de proteção adequado estão entre os grupos mais vulneráveis.
A declaração foi feita pelo diretor-geral da OMS com base nos critérios do Regulamento Sanitário Internacional. A organização concluiu que o evento representa risco para outros países por meio da disseminação internacional da doença e exige coordenação global para conter o avanço do surto.
Os dois casos confirmados em Kampala não apresentam ligação aparente entre si, o que aumenta a preocupação das autoridades sanitárias sobre a cadeia de transmissão ainda não mapeada.
🔍 Onde o vírus se propaga: O vírus Bundibugyo circula em ambientes com alta densidade populacional, baixa infraestrutura sanitária e acesso precário a serviços de saúde formais. Mercados, unidades de saúde informais, rituais funerários com contato físico com o corpo do falecido e domicílios onde há cuidado de doentes sem proteção individual são os principais ambientes de propagação. Regiões urbanas e semiurbanas em situação de conflito ou crise humanitária ampliam o risco de disseminação rápida.
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O epicentro do surto está na província de Ituri, no leste do Congo. Até 16 de maio, oito casos haviam sido confirmados em laboratório, 246 eram considerados suspeitos e 80 mortes suspeitas tinham sido registradas em ao menos três zonas de saúde, incluindo Bunia, Rwampara e Mongbwalu.
A OMS alertou para a morte de ao menos quatro profissionais de saúde em contexto clínico compatível com febre hemorrágica viral, o que levanta preocupações sobre a transmissão dentro de unidades de saúde e sobre falhas nos protocolos de controle de infecção.
A taxa de positividade das amostras iniciais coletadas reforça o alerta. Oito dos 13 primeiros exames realizados em diferentes áreas da região voltaram positivos, indicando que o número real de infectados pode ser muito maior do que o registrado até agora.
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Siga o Times | CNBCO surto atual é causado pelo vírus Bundibugyo, uma cepa distinta das mais conhecidas do Ebola. Ao contrário das variantes para as quais já existem imunizantes e terapias aprovadas, o Bundibugyo ainda não dispõe de vacina nem de tratamento específico autorizado pelas agências regulatórias internacionais.
🔍 Vírus Bundibugyo: Uma das espécies do vírus Ebola, identificada pela primeira vez em 2007 no distrito de Bundibugyo, Uganda. Causa febre hemorrágica viral com sintomas semelhantes aos de outras cepas do Ebola, como febre alta, sangramento e falência de órgãos. Diferentemente do Ebola-Zaire, para o qual já existem vacinas aprovadas, o Bundibugyo ainda não tem imunizante ou tratamento específico disponível.
🔍 Tratamento: Não existe vacina nem terapia aprovada especificamente para o vírus Bundibugyo. O tratamento é de suporte, com hidratação, controle de sintomas e manejo das complicações em ambiente hospitalar. Alguns antivirais e anticorpos monoclonais desenvolvidos para outras cepas do Ebola estão sendo avaliados para uso experimental, mas ainda sem aprovação regulatória para o Bundibugyo.
A ausência de ferramentas terapêuticas aprovadas coloca o surto em patamar de risco superior ao das epidemias anteriores mais conhecidas, como a de Ebola-Zaire registrada em Ituri e no Kivu do Norte entre 2018 e 2019.
A OMS identificou uma combinação de fatores que aumenta a probabilidade de expansão do surto além das fronteiras já afetadas. A instabilidade política e a crise humanitária no leste do Congo, a alta mobilidade populacional, o caráter urbano e semiurbano das áreas mais afetadas e a extensa rede de unidades de saúde informais na região formam um ambiente propício para a propagação do vírus.
Países que compartilham fronteiras terrestres com o Congo são considerados de alto risco para novos casos, segundo a avaliação da organização. A OMS informou que convocará um Comitê de Emergência o quanto antes para definir recomendações temporárias aos países membros sobre como responder ao evento.
🔍 Risco de chegada ao Brasil — O Brasil não faz fronteira com os países afetados, o que reduz o risco de transmissão por contato direto entre populações. No entanto, o país mantém rotas aéreas regulares com destinos da África e da Europa, o que torna possível a entrada de viajantes infectados, como já ocorreu em Uganda. A OMS não classifica o Brasil como país de alto risco, mas recomenda que todos os países reforcem a vigilância em pontos de entrada, especialmente aeroportos, e estejam preparados para identificar e isolar casos suspeitos vindos de regiões afetadas.
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