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Ata do Copom revela como conflito no Oriente Médio freou corte e aumentou incerteza
Publicado 05/05/2026 • 10:44 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 05/05/2026 • 10:44 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Banco Central
A ata da 278ª reunião do Comitê de Política Monetária, publicada nesta terça-feira (5), deixa claro o que travou o Banco Central na última Super Quarta: o conflito no Oriente Médio chegou à mesa do Copom como o principal fator de complicação, tanto para a leitura da inflação quanto para a sinalização dos próximos passos da política monetária.
O comitê reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano. A decisão foi unânime, mas o documento revela o quanto o ambiente externo pesou para que o corte fosse menor e o horizonte, mais nebuloso.
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Até o início das hostilidades no Oriente Médio, o Copom enxergava um cenário relativamente mais favorável. A inflação mostrava algum arrefecimento, o câmbio estava mais apreciado e as commodities se comportavam de forma mais benigna, o que contribuía para a queda nos preços de bens industrializados e alimentos.
O conflito reverteu esse quadro. As últimas divulgações de inflação ao consumidor e ao produtor, segundo a ata, trouxeram “sinais claros” dos efeitos geopolíticos, com resultados “significativamente acima dos inicialmente esperados”. O choque veio pelo petróleo e pelos derivados, e o Copom deixou explícito que seu compromisso agora é combater os efeitos de segunda ordem desse choque.
Um dos pontos mais reveladores da ata é o alerta sobre as expectativas de inflação para horizontes mais longos. Desde a reunião anterior, ficou evidente uma desancoragem adicional, com destaque para o ano de 2028. O comitê ressaltou que ambientes com expectativas desancoradas tornam o processo de desinflação mais caro em termos de atividade econômica, e que isso exige “uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
As projeções do cenário de referência indicam inflação de 4,6% em 2026 e de 3,5% no quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária. A meta é de 3%.
O Copom não entregou um roteiro para os próximos cortes. A ata afirma que “a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas”. A justificativa é direta: sinais mistos sobre a atividade econômica e a ausência de tendências claras no cenário externo tornam qualquer comprometimento prematuro.
O comitê reconhece que a política monetária restritiva já produz efeitos visíveis. A desaceleração dos componentes cíclicos do PIB no final de 2025 se estende ao início de 2026, com queda no saldo de crédito livre. O mercado de trabalho, porém, segue resiliente, com desemprego em patamares historicamente baixos e rendimentos reais em alta acima da produtividade, o que mantém a inflação de serviços pressionada.
A ata reforça, mais uma vez, o alerta sobre a política fiscal. O Copom afirma que o enfraquecimento no esforço de reformas, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia. Uma taxa neutra mais alta significa que a política monetária precisa trabalhar mais para produzir o mesmo efeito desinflacionário, encarecendo o processo para toda a economia.
O comitê reafirmou que políticas fiscal e monetária precisam caminhar de forma harmoniosa e que o esforço de disciplina fiscal contribui diretamente para a convergência da inflação à meta.
Ao encerrar a discussão, o Copom escolheu três palavras para descrever sua postura: serenidade, firmeza e cautela. O documento deixa claro que os próximos passos dependerão de mais informações sobre a profundidade e a extensão do conflito no Oriente Médio, bem como de seus efeitos diretos e indiretos sobre os preços ao longo do tempo.
Por ora, a Selic fica em 14,50% ao ano, com um BC que cortou, mas que não prometeu continuar no mesmo ritmo.
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