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Bank of America reduz expectativa de cortes e passa a prever Selic em 14,25% no fim de 2026
Publicado 05/06/2026 • 16:59 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 05/06/2026 • 16:59 | Atualizado há 1 mês
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Setor industrial sente efeito da Selic de 15% e registra queda em julho.
A expectativa do Bank of America para a trajetória dos juros no Brasil ficou mais conservadora. Em relatório divulgado nesta sexta-feira (5), o banco passou a prever que a Selic encerrará 2026 em 14,25%, acima da estimativa anterior, que apontava para 13,25%. A revisão foi apresentada às vésperas da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Para a instituição, o Banco Central ainda deve promover uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica neste mês. Depois disso, porém, o ciclo de cortes deverá ser interrompido por um período prolongado, sem novas reduções previstas até meados de 2027.
A avaliação reflete um ambiente econômico considerado mais desafiador. Nos últimos meses, indicadores de inflação mostraram nova aceleração, especialmente nos componentes mais persistentes do índice de preços. Paralelamente, as projeções do mercado para a inflação dos próximos anos continuaram avançando e permanecem acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central.
O cenário também foi impactado pelo enfraquecimento do real desde a última decisão do Copom. A desvalorização cambial tende a encarecer produtos e insumos importados, aumentando as dificuldades para trazer a inflação de volta ao objetivo oficial. Segundo o banco, mesmo com o câmbio estabilizado nos níveis atuais, as projeções inflacionárias seguiriam acima da meta ao longo do horizonte de política monetária.
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Siga o Times | CNBCOutro elemento citado é a resistência da atividade econômica. Apesar dos juros elevados, medidas de estímulo fiscal e expansão do crédito continuam sustentando o consumo e os investimentos. O crescimento do PIB no primeiro trimestre surpreendeu positivamente, mas o banco avalia que parte desse desempenho foi impulsionada por incentivos governamentais, e não necessariamente por uma recuperação estrutural da economia.
A análise ainda destaca riscos que podem dificultar ainda mais o controle dos preços nos próximos anos. Entre eles estão possíveis impactos climáticos sobre a produção agrícola e mudanças nas regras do mercado de trabalho, fatores que podem prolongar a pressão inflacionária.
Mesmo diante desse quadro, o Bank of America não vê necessidade de retomada do ciclo de alta da Selic. A instituição considera que os juros reais permanecem em nível suficientemente restritivo e que uma desaceleração gradual da economia tende a contribuir para a acomodação da inflação mais adiante.
Na avaliação do banco, a principal mudança esperada na próxima reunião do Copom estará na comunicação. O comitê poderá adotar um discurso mais cauteloso, deixando claro que eventuais reduções adicionais da Selic dependerão de uma melhora significativa do cenário inflacionário.
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