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CNBCFed aprova aumento da taxa de juros e sinaliza mais um aumento previsto para este ano

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Corte da Selic já está no preço; próximos passos do Copom ainda são dúvida, diz Leandro Benincá

Publicado 16/09/2026 • 14:46 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Expectativa de corte da Selic já está incorporada pelo mercado, enquanto comunicado do Copom deve concentrar as atenções.
  • Cenário para os próximos meses ainda reúne riscos ligados ao petróleo, às contas públicas, às eleições e ao ambiente institucional.
  • Nos EUA, eventual alta acelerada dos juros pode atingir títulos do Tesouro, crédito e ações, segundo Leandro Benincá.

O mercado já incorporou aos preços a expectativa de redução da Selic, mas a principal dúvida está no caminho que o Banco Central indicará para os juros nos próximos meses, afirmou Leandro Benincá, consultor de investimentos da API Capital. Para ele, o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) pode ser mais importante do que a própria decisão desta quarta-feira (16).

Em entrevista nesta quarta-feira (16) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Benincá avaliou que alguns indicadores oferecem espaço para uma redução dos juros, mas ponderou que o cenário econômico passou a conviver com novos fatores de risco nas últimas semanas.

Mercado olha para o que virá depois

Na avaliação do consultor, a maior divergência entre bancos e analistas não está na decisão imediata, mas na velocidade e na extensão de eventuais cortes posteriores. “A grande divergência entre alguns bancos, alguns analistas, é o seguinte: o que vem depois? E aí o comunicado de hoje, mais do que o corte, talvez importe um pouco mais, a ata na semana que vem importe um pouco mais”, explicou.

Entre as possibilidades consideradas pelo mercado, Benincá citou um corte sem compromisso com novas reduções e diferentes patamares para a taxa até o fim do ano. “Corta hoje, mas sem se comprometer com novos cortes, ou estaciona no 13,75 ou cai para 13,25 no final do ano. Então, todas essas perguntas, o direcionamento que o Copom vai tomar, eu acho que é o que mais está nebuloso hoje”, apontou.

Apesar de enxergar condições para uma redução da Selic quando alguns indicadores são observados isoladamente, o consultor chamou atenção para um conjunto mais amplo de riscos.

“De forma isolada, o Copom tem um conforto para cortar a Selic, só que a economia não é isolada. A gente está com petróleo acima de US$ 100, a gente tem eleição, a gente tem o fiscal com mais pressão, a gente tem a desconfiança institucional aí com toda a questão do STF, do caso Master”, ressaltou.

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Segundo Benincá, esses elementos acrescentaram incertezas às perspectivas para os preços. “A inflação futura tem uma série de desafios novos aí que não existiam até umas duas, três semanas atrás”, observou.

Fed enfrenta teste de credibilidade

Ao analisar os Estados Unidos, Benincá avaliou que uma alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed) também estava amplamente incorporada às expectativas do mercado. “Está precificado, está no preço já que vai ter alta”, afirmou.

Para o consultor, a inflação americana e a pressão dos preços de energia tornam difícil para o banco central deixar de elevar os juros, ainda que a decisão contrarie o presidente Donald Trump.

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“Se o Fed não subir juros agora, o mercado todo está ali com os olhos em cima deles dizendo: ‘Olha, vocês estão realmente combatendo a inflação ou estão de brincadeira?’ Então, é uma crise institucional, talvez, para o Fed. Abala a credibilidade deles não subir o juro agora”, destacou.

Benincá ponderou que existem diferentes avaliações sobre o que aconteceria posteriormente, desde um ajuste pontual até novas altas. “O ponto é que fica muito feio institucionalmente para o Fed hoje não subir esses juros, mesmo contrariando o Trump”, frisou.

Juros podem atingir títulos, crédito e ações

Mais do que as pressões políticas sobre o Fed, Benincá chamou atenção para o comportamento dos títulos do Tesouro americano. Segundo ele, uma pesquisa do Bank of America mostra que o principal temor dos gestores deixou de estar concentrado em outros riscos e passou para os rendimentos desses papéis.

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“O medo maior dos gestores de fundos norte-americanos não está mais, por exemplo, na bolha de IA, não está mais na guerra, no preço do petróleo, está no rendimento dos títulos”, pontuou.

Uma escalada rápida dos juros, segundo o consultor, teria consequências sobre diferentes partes da economia americana. “Juro é a base de toda a economia americana, das hipotecas, principalmente. Crédito de empresa, a taxa de desconto que a gente usa para calcular se um investimento está barato ou não, se a compra de uma ação está barata ou não”, explicou.

Nesse cenário, sucessivas elevações em um intervalo curto poderiam produzir uma correção mais ampla dos ativos.

“Se esse juro começa a subir rápido demais, sobe hoje, sobe em dezembro, sem muito tempo para ajuste, a gente vê uma derrubada de crédito e de ações de uma vez só”, concluiu.

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