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Crédito adicional ao exportador ajuda, mas não resolve instabilidade global, avalia especialista
Publicado 05/05/2026 • 15:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 05/05/2026 • 15:00 | Atualizado há 2 meses
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O reforço de recursos ao Fundo de Garantia à Exportação (FGE) deve aliviar, mas não resolver, as dificuldades enfrentadas por empresas brasileiras no comércio exterior, segundo José Pimenta, diretor de comércio internacional da BMJ Consultoria, ao avaliar os impactos da medida provisória que destina R$ 5 bilhões adicionais ao programa. Ele concedeu entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta terça-feira (5).
Na visão do especialista, o novo aporte se soma a iniciativas anteriores e amplia o suporte ao setor, mas ainda pode ser insuficiente diante das pressões externas. “É uma medida importante, que se soma a outras já adotadas, mas alguns setores ainda podem precisar de mais fôlego financeiro”, afirmou. Ele lembra que o total de recursos já mobilizados chega a R$ 20 bilhões, considerando os créditos anteriores e o novo aporte.
O reforço ocorre em um contexto de aumento do protecionismo global e de instabilidade logística, fatores que têm pressionado exportadores brasileiros. “O setor privado tem sofrido muito com o recrudescimento do protecionismo e com os gargalos no comércio internacional”, pontuou Pimenta.
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Segundo ele, a medida busca atender principalmente empresas de menor porte que já possuem mercados consolidados no exterior, especialmente nos Estados Unidos e no Oriente Médio. “Essas empresas já têm mercados cativos e precisam de suporte para manter suas operações diante desse cenário”, explicou.
O especialista destaca ainda que o impacto logístico global agrava a situação. “Estamos falando de uma região estratégica, como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural do mundo”, ressaltou, ao indicar os efeitos indiretos sobre cadeias produtivas.
Para Pimenta, o principal papel do FGE é reduzir a dificuldade de acesso ao crédito por parte de micro, pequenas e médias empresas. “Esse mecanismo visa facilitar que o dinheiro chegue na ponta e dê mais fôlego ao exportador”, afirmou.
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Ele destaca que o ciclo das exportações exige capital de giro e planejamento financeiro. “São operações com prazos longos, muitas vezes entre 45 e 60 dias até a entrega, o que exige estrutura financeira das empresas”, explicou.
Nesse sentido, o reforço ao fundo pode contribuir para a permanência dessas companhias no comércio internacional. “O objetivo central é garantir que essas empresas continuem operando e consigam manter seus mercados externos”, pontuou.
Apesar do apoio financeiro, o especialista reforça que a solução definitiva não está apenas em medidas domésticas. “A solução estrutural é ter mais estabilidade no comércio global, o que ainda está longe de acontecer”, disse.
Ele cita uma combinação de fatores que mantém o cenário incerto. “Temos tarifas elevadas, conflitos internacionais e problemas logísticos que criam gargalos que não víamos há anos”, afirmou, mencionando desde a guerra na Ucrânia até tensões no Oriente Médio.
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Seguir no GoogleO aumento dos recursos também levanta questionamentos sobre o impacto nas contas públicas, embora, segundo Pimenta, o efeito imediato seja limitado. “Por ora, a medida foi aprovada e ainda passará pelo Congresso, onde será analisada ao longo da tramitação”, explicou.
Para ele, o foco deve estar na finalidade da iniciativa. “Estamos falando de apoio ao setor produtivo, a empresas que geram emprego, renda e desenvolvimento, muitas vezes em regiões fora dos grandes centros”, destacou.
O especialista conclui que o sucesso da medida dependerá de sua continuidade e eficácia. “O principal desafio é garantir estabilidade para o exportador e transformar esse apoio em algo mais permanente”, concluiu.
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