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Economia deve perder ritmo no segundo semestre, mas mercado de trabalho ameniza desaceleração

Publicado 01/07/2026 • 18:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Juros elevados devem reduzir o crescimento da economia nos próximos meses, avalia especialista.
  • Mercado de trabalho e estímulos ao consumo tendem a sustentar parte da atividade econômica.
  • Cenário eleitoral e riscos para a inflação podem manter os juros elevados por mais tempo.

Após um primeiro semestre marcado por crescimento mais forte, impulsionado principalmente pelo agronegócio, a economia brasileira deve entrar em uma fase de desaceleração ao longo da segunda metade de 2026. A avaliação é do economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, que atribui a perda de ritmo aos efeitos da política monetária restritiva, embora veja fatores capazes de evitar uma desaceleração mais intensa.

“Os juros elevados já produziram efeitos sobre o crédito e alguns segmentos da atividade econômica. A expectativa é de um crescimento mais moderado no segundo semestre”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quarta-feira (1).

Segundo o economista, o mercado de trabalho continua relativamente resiliente e deve ajudar a sustentar o consumo das famílias, mesmo diante do ambiente de juros elevados.

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Freios e estímulos

Sung destacou que a desaceleração da atividade já era esperada como consequência do ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central.

Ao mesmo tempo, ele avalia que o emprego e medidas adotadas pelo governo ajudam a reduzir os impactos negativos sobre a economia. “O mercado de trabalho ainda consegue sustentar parte da atividade. Além disso, programas de estímulo e reformas voltadas ao consumo contribuem para evitar uma desaceleração mais forte”, disse.

Na avaliação do economista, essa combinação mantém a demanda aquecida e pode tornar mais lento o processo de queda da inflação.

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Inflação segue no radar

Apesar da recente redução dos preços do petróleo no mercado internacional, Sung considera que ainda existem diversos fatores que mantêm pressão sobre a inflação. “O petróleo recuou, mas os efeitos desse movimento acontecem de forma gradual. Além disso, continuam existindo riscos relacionados aos preços de serviços, dos alimentos e aos impactos climáticos”, afirmou.

Segundo ele, um eventual fortalecimento do El Niño, aliado à persistência da inflação de serviços, pode limitar o espaço para cortes mais intensos da taxa básica de juros.

Por isso, a expectativa da Suno Research é de que a taxa terminal fique em torno de 13,75%, embora parte do mercado já projete juros próximos de 14%.

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Eleições aumentam incerteza

Outro fator que deve influenciar o comportamento dos investidores é o avanço do calendário eleitoral.

Para Sung, a proximidade das eleições tende a aumentar a volatilidade do câmbio e reforçar a busca por ativos considerados mais seguros. “Em um ambiente de incerteza eleitoral e juros elevados, o investidor tende a reduzir a exposição ao risco e priorizar aplicações de renda fixa ou ativos com maior previsibilidade”, explicou.

Na avaliação do economista, esse cenário também reduz o potencial de valorização da bolsa brasileira, já que taxas de juros mais altas costumam diminuir o interesse por ativos de renda variável.

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