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Advogado influencer é alvo do MP-SP contra esquema bilionário de sonegação de ICMS
Publicado 15/07/2026 • 07:37 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 15/07/2026 • 07:37 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Geraldo Magela/Agência Senado
O advogado Nelson Willians em depoimento a CPMI do INSS em 2025
O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-SP) deflagrou nesta quarta-feira (15) a Operação Distrato, uma ação conjunta para desarticular um esquema bilionário de venda de créditos falsos de ICMS. O Fisco paulista já identificou e autuou 752 empresas envolvidas na fraude, acumulando um montante sonegado que supera os R$ 3,8 bilhões.
A força-tarefa, que reúne a Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP), o Ministério Público (MPSP) e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE/SP), com o apoio das Polícias Civil e Militar, cumpre 38 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara de Crimes Tributários da Capital. As buscas ocorrem nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí e Ribeirão Preto, além de Londrina e Cambé, no Paraná.
Um dos principais focos da investigação aponta para um grupo econômico associado ao advogado Nelson Wilians, cujo escritório foi alvo de mandados de busca. Em Londrina, as ações miram a advogada Mayra de Paula, apontada pelos investigadores como “sócia” de Wilians no esquema de fraudes. Willians tem forte presença no Instagram, onde tem 1,4 milhão de seguidores.
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De acordo com as investigações, escritórios de advocacia e empresas de consultoria abordavam contribuintes do estado de São Paulo, oferecendo falsos créditos tributários sob a fachada de “planejamento tributário”. Os intermediários prometiam vantagens financeiras por meio de deságios e alegavam, falsamente, que as operações eram autorizadas pelo Fisco. Na realidade, os créditos pertenciam a empresas inaptas, massas falidas ou eram lastreados em transações comerciais inexistentes. Para dar aparência de legalidade à fraude, os investigados utilizavam contratos, procurações e até mesmo documentos fictícios atribuídos à própria administração pública.
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Siga o Times | CNBCApós fecharem o acordo, as empresas compradoras deixavam de recolher o ICMS devido ao Estado e repassavam até 70% do valor economizado aos mentores do esquema como taxa de sucesso. A mobilização das autoridades agora visa reunir novas provas, rastrear os beneficiários econômicos do esquema e punir os responsáveis nas esferas administrativa, cível e penal.
A investigação aponta que, além de desviar recursos dos cofres públicos que deveriam financiar serviços essenciais à população, a fraude distorcia o mercado ao gerar concorrência desleal. Ao reduzirem artificialmente seus custos tributários de maneira ilegal, as empresas envolvidas ganhavam uma vantagem competitiva indevida sobre os concorrentes que cumprem rigorosamente suas obrigações fiscais. As investigações continuam em andamento, e todo o material apreendido na operação desta quarta-feira será analisado para subsidiar os próximos desdobramentos do caso.
Nelson Willians também é acusado de participação no escândalo do INSS. Segundo investigação da Polícia Federal (PF), o advogado é ligado a Maurício Camisotti, investigado por supostamente ser um dos beneficiários finais dos descontos indevidos envolvendo associações ligadas aos beneficiários lesados junto com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Ele foi ouvido pela CPMI do INSS em agosto de 2025, sob a acusação de ter realizado movimentações bancárias atípicas que superaram R$ 4,3 bilhões, de acordo com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
De acordo com os investigadores, Wilians teria atuado como um elo financeiro crucial para a circulação e ocultação de recursos, utilizando sua estrutura empresarial para intermediar e lavar o dinheiro proveniente das fraudes. Ele nega participação.
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