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EUA decidem nesta quarta sobre tarifas ao Brasil; analistas alertam para impacto no “chão de fábrica”
Publicado 15/07/2026 • 07:07 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 15/07/2026 • 07:07 | Atualizado há 58 minutos
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EUA decidem nesta quarta sobre tarifas ao Brasil; analistas alertam para impacto no “chão de fábrica”
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) define nesta quarta-feira (15) seu parecer sobre a imposição de uma tarifa de importação de 25% sobre diversos produtos brasileiros.
Embora a Presidência da República negue publicamente a taxação, nos bastidores do governo federal a vigência da medida já é tratada como certa. Agora, o Executivo articula estratégias técnicas para reduzir seus danos.
A retaliação decorre de uma investigação norte-americana (Seção 301) que acusa o país de adotar práticas comerciais prejudiciais aos EUA, tendo como alvo o sistema Pix, as regras de comércio digital e a propriedade intelectual.
Leia também: Tarifas dos EUA devem manter pressão sobre exportações brasileiras
Além disso, uma investigação global sobre trabalho forçado pode somar mais 12,5% de imposto para alguns produtos, elevando a barreira combinada a 37,5%.
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa dupla cobrança ameaça a competitividade de mais de 4,1 mil produtos brasileiros, penalizando fortemente os setores de aço, alumínio, calçados e têxteis.
Caso confirmada, o Brasil será o segundo país mais tarifado pelos EUA no mundo, atrás apenas da China.
Diante da iminência da decisão, o Ministério da Fazenda começou a traçar estratégias de defesa comercial.
O titular do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na última terça-feira (14) que o governo brasileiro poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica e até mesmo editar uma medida provisória para proteger as empresas nacionais de perdas financeiras.
A aplicação das taxas, contudo, não deve ser imediata ao anúncio desta quarta-feira. A legislação dos EUA prevê uma janela de 30 dias para a entrada em vigor e permite o adiamento das cobranças por até 180 dias, contanto que Brasília e Washington registrem progressos em negociações técnicas bilaterais.
Apesar do aceno do Palácio do Planalto a medidas de retaliação, especialistas recomendam cautela máxima na resposta comercial brasileira.
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Siga o Times | CNBCAdriana Melo, especialista em gestão financeira, destaca que uma reação automática pautada pela reciprocidade pode acabar prejudicando o próprio mercado nacional.
“Uma retaliação imediata de 25% seria mais passional do que econômica. Muitos dos produtos norte-americanos que poderiam ser atingidos, como fertilizantes, defensivos agrícolas e carvão metalúrgico, são insumos fundamentais para a nossa agropecuária e indústria. O governo precisa ter cautela para não dar um tiro no próprio pé”, afirmou.
Segundo Melo, o cenário-base ainda deve ser o anúncio de manutenção da tarifa de 25%, e tratá-la apenas como blefe seria “imprudente”. Para ela, a diferença entre o debate macroeconômico em Brasília e o cotidiano das fábricas afetadas é muito significativo.
“Em Brasília, o impacto pode parecer apenas um arranhão estatístico que pode ser trabalhado a favor da imagem política do governo. Já em uma fábrica de ferro-gusa, madeira ou calçados, essa tarifa pode ditar a diferença entre continuar operando ou fechar as portas”, disse.
Leia também: Indústria de transformação pode ser a mais afetada por novas tarifas dos EUA
Para os setores desprotegidos pela lista de exceções dos EUA, que poupou itens como carnes, café, frutas, medicamentos e aeronaves, a nova barreira alfandegária exigirá uma reestruturação profunda.
De acordo com Marcello Marin, especialista em reestruturação de empresas, as novas barreiras alteram permanentemente a viabilidade de muitos negócios brasileiros.
“Uma tarifa dessa magnitude altera a estrutura de custos de toda a cadeia industrial, reduz a competitividade dos produtos nacionais no mercado americano e incentiva empresas a reorganizarem suas cadeias globais de suprimentos em busca de fornecedores alternativos”, disse.
“Tarifas redesenham investimentos e decisões empresariais que levam anos para ser construídos”, completou Marin.
O especialista aponta, contudo, que o lobby corporativo privado de indústrias americanas dependentes dos insumos brasileiros pode ser a saída mais eficaz para mitigar o tarifaço no médio prazo, uma vez que alternativas de substituição rápida no mesmo volume e preço muitas vezes não existem no mercado global.
“O lobby da indústria americana pode exercer influência significativa sobre o desenho final dessas tarifas ao demonstrar que determinados insumos brasileiros são essenciais para a competitividade das empresas dos Estados Unidos. No comércio internacional, uma tarifa pode ser anunciada em um dia; a negociação para reduzi-la costuma continuar por meses ou até anos”, afirmou.
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