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I.A reduz contratações em 24% e torna alguns empregos mais difíceis de substituir
Publicado 11/08/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 11/08/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Unsplash
I.A reduz contratações em 24% e torna alguns empregos mais difíceis de substituir
A inteligência artificial (I.A) está mudando o mercado de trabalho de uma forma menos direta do que a simples substituição de profissionais por máquinas. Enquanto as empresas reduzem o ritmo de novas contratações, algumas funções passam a exigir habilidades que a tecnologia ainda não consegue assumir completamente.
Um levantamento da Visier, empresa de inteligência para o mercado de trabalho, identificou uma queda de 24% nas taxas gerais de contratação. A pesquisa analisou mais de 3,6 milhões de registros de funcionários entre 2022 e 2026, considerando mais de 155 organizações e 30 áreas profissionais.
Nesse período, a I.A também passou a influenciar quais funções recebem mais investimentos dentro das empresas. Assim, o impacto da tecnologia não aparece necessariamente na extinção de departamentos inteiros, mas na transformação de cargos específicos.
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Os dados mostram diferenças importantes dentro das próprias áreas. A participação de Data e Analytics no quadro de funcionários cresceu 49% entre 2022 e 2026. Product Management também avançou, com alta de 39%.
Por outro lado, Recursos Humanos registrou queda de 3% em sua participação, enquanto Finanças recuou 4%.
A área de dados apresenta uma diferença ainda mais significativa. Enquanto a participação de profissionais contratados para funções de engenharia de I.A aumentou 251%, a de cientistas de dados caiu 32%.
Por isso, analisar apenas se uma área está crescendo ou diminuindo pode esconder mudanças importantes. Dentro de um mesmo departamento, algumas funções podem ganhar espaço enquanto outras perdem relevância.
Apesar do avanço da tecnologia, algumas ocupações continuam dependendo de características humanas. Educadores, advogados, arquitetos e profissionais de segurança aparecem entre as funções que permanecem mais difíceis de substituir.
Isso ocorre porque esses trabalhos não dependem apenas da produção ou análise rápida de informações. Eles também exigem julgamento, interpretação, responsabilidade, relacionamento interpessoal e confiança.
Um advogado pode utilizar a I.A para pesquisar casos, por exemplo, mas ainda precisa avaliar estratégias e consequências de uma decisão. Da mesma forma, arquitetos podem recorrer à tecnologia para desenvolver conceitos, mas precisam considerar segurança, regulamentações, necessidades dos clientes e condições reais de cada projeto.
Na educação, ferramentas de I.A podem auxiliar na preparação de aulas. No entanto, professores também precisam compreender o comportamento dos estudantes, administrar a sala e adaptar o ensino às dificuldades de cada aluno.
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Siga o Times | CNBCJá profissionais de segurança frequentemente precisam tomar decisões diante de situações ambíguas e em tempo real, o que exige análise de contexto e julgamento humano.
A redução das contratações ocorre junto com outra mudança: o perfil dos trabalhadores que as empresas procuram. Os profissionais mais jovens ainda representam a maior parcela das novas contratações. Entretanto, trabalhadores de 35 a 50 anos estão aumentando sua participação e podem se tornar o maior grupo caso a tendência continue.
A experiência ganha importância nesse cenário porque a I.A consegue recuperar informações rapidamente, mas não possui anos de vivência profissional para identificar quando determinado dado não se encaixa em uma situação específica.
Além disso, empresas podem optar por contratar menos pessoas e buscar profissionais capazes de utilizar ferramentas de I.A para executar mais tarefas.
Embora a taxa de contratação tenha caído 24%, a pesquisa não afirma que a inteligência artificial seja a única responsável pela redução. O período analisado também inclui incertezas econômicas, reestruturações e mudanças nas estratégias das empresas.
Ainda assim, a tecnologia oferece às organizações uma alternativa que ganhou força nos últimos anos: antes de abrir uma nova vaga para atender ao aumento da demanda, a empresa pode avaliar se parte do trabalho pode ser realizada com I.A.
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Nesse cenário, o trabalhador não precisa necessariamente competir com a tecnologia pela existência do próprio cargo. O desafio passa a ser mostrar quais partes da função dependem de habilidades que a I.A não consegue assumir sozinha.
Julgamento, criatividade, empatia, liderança, comunicação, responsabilidade, relacionamento e conhecimento especializado podem ganhar ainda mais valor.
Assim, os dados da Visier apontam para uma transformação silenciosa do mercado de trabalho. Em vez de simplesmente eliminar profissões, a I.A está mudando tarefas, alterando prioridades e fazendo com que algumas funções dependam ainda mais da experiência e das capacidades humanas.
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