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Tarifa de 25% dos EUA deve reduzir competitividade da indústria brasileira de máquinas, avalia Abimaq
Publicado 02/06/2026 • 11:30 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 02/06/2026 • 11:30 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
A nova proposta tarifária dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar perdas para a indústria nacional de máquinas e equipamentos, mas em uma intensidade menor do que a observada durante a ofensiva comercial anterior, afirmou José Velloso, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Segundo ele, o setor já esperava a medida e se prepara para atuar novamente em consultas e audiências públicas promovidas pelas autoridades americanas.
De acordo com Velloso, os Estados Unidos representam o principal mercado externo para as máquinas brasileiras, absorvendo cerca de 26% das exportações do setor. Antes da adoção das primeiras medidas tarifárias, as vendas para o país somavam aproximadamente US$ 4 bilhões por ano (R$ 20,12 bilhões).
“É o segundo produto que o Brasil mais vende nos Estados Unidos, só perde para petróleo e derivados”, destacou, em entrevista nesta terça-feira (2) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, as exportações de máquinas para o mercado americano superam em cerca de 60% as vendas de aeronaves brasileiras ao país.
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Velloso lembrou que a indústria enfrentou um cenário ainda mais desafiador durante o tarifaço anterior, quando as tarifas chegaram a 50%. Apesar das expectativas iniciais de forte retração, o comércio bilateral acabou demonstrando capacidade de adaptação.
“Terminamos o ano com uma queda de 9% nas exportações”, afirmou. Segundo ele, os fabricantes brasileiros conseguiram repassar parte dos custos adicionais aos compradores americanos, que continuaram demandando máquinas e equipamentos produzidos no Brasil.
O executivo observou que o novo percentual de 25% continua elevado, mas representa um obstáculo menos severo do que o enfrentado anteriormente. “É uma má notícia que já era esperada; ninguém foi pego de surpresa”, disse.
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A Abimaq pretende participar novamente do processo de consulta pública conduzido pelas autoridades americanas para tentar reduzir os impactos da medida.
Segundo Velloso, a principal linha de argumentação será mostrar que máquinas e equipamentos não devem ser vistos apenas como produtos importados, mas como instrumentos de investimento e geração de empregos dentro dos próprios Estados Unidos.
“Máquinas e equipamentos são bens de capital. “Encarecer investimento é uma medida errada“”“, afirmou.
O dirigente destacou ainda que cerca de 82% do comércio bilateral de máquinas ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico, em operações conhecidas como intercompany. Estariam prejudicando empresas brasileiras que investem nos Estados Unidos, mas principalmente empresas americanas que investem no Brasil”, ressaltou.
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Na avaliação de Velloso, a possibilidade de entrada em vigor da nova tarifa já vem provocando uma antecipação de embarques para o mercado americano.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, após a redução temporária das tarifas para 10%, houve uma aceleração das exportações, movimento que tende a se repetir nas próximas semanas. “Eu imagino que agora vai haver novamente um pico de exportação para os Estados Unidos”, afirmou.
O executivo explicou que boa parte dos produtos exportados pelo setor é fabricada em série e já se encontra disponível para embarque. O prazo médio de transporte marítimo é de cerca de 30 dias para a costa leste americana e de 40 dias para a costa oeste.
Entre os produtos mais exportados pelo Brasil para os Estados Unidos estão as chamadas máquinas rodoviárias, utilizadas em obras de infraestrutura e construção pesada. “O produto que o Brasil mais exporta são máquinas rodoviárias”, destacou Velloso.
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Também possuem participação relevante componentes industriais, equipamentos para a indústria de transformação, máquinas para o setor de petróleo, equipamentos destinados à indústria alimentícia e máquinas agrícolas.
Segundo ele, a relevância desses produtos torna difícil justificar uma política comercial que penalize o Brasil sem necessariamente beneficiar fabricantes americanos.
Velloso argumentou que a imposição de tarifas mais elevadas pode acabar favorecendo concorrentes de outros países, especialmente em um momento em que diversas cadeias globais de produção permanecem integradas.
“Não é a indústria americana que vai sair ganhando porque vai substituir a indústria brasileira. Isso pode ser substituído por produto chinês, mexicano ou canadense”, afirmou.
Na avaliação do executivo, a medida possui forte componente político. Ele observou que o Brasil mantém superávit comercial favorável aos Estados Unidos em diversos segmentos e questionou a lógica de impor barreiras superiores às aplicadas a outros competidores. “Se a guerra comercial é contra a China, não faz o menor sentido o Brasil ter uma tarifa maior do que a dos chineses em máquinas e equipamentos”, disse.
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Apesar das incertezas, o diretor da Abimaq acredita que o ambiente de negociação é mais favorável do que o observado durante a rodada anterior de disputas comerciais.
Segundo ele, os canais diplomáticos entre os governos brasileiro e americano estão mais ativos, há maior interlocução institucional e as próprias autoridades dos Estados Unidos já demonstraram disposição para rever algumas medidas adotadas anteriormente. “Está mais fácil, está mais fluida a conversa”, afirmou.
Velloso também citou a indicação de um novo embaixador americano para o Brasil como um fator que pode contribuir para ampliar o diálogo entre os dois países. Para ele, a expectativa é que as negociações avancem até a divulgação da decisão final das autoridades americanas, prevista para meados de julho. “Temos mais condições de conversar e defender os interesses da indústria brasileira do que tínhamos anteriormente”, concluiu.
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