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Economistas veem tom duro em comunicado do Copom e esperam Selic a 13,75% por mais tempo

Publicado 04/11/2026 • 22:20 | Atualizado há 5 minutos

KEY POINTS

  • Economistas avaliaram que a manutenção da Selic em 13,75% refletiu a piora das expectativas de inflação e um cenário externo mais adverso.
  • Banco Pine e GT Capital veem espaço para os juros permanecerem nesse patamar até o fim do ano.
  • Daycoval e Galapagos avaliam que a pausa pode durar várias reuniões, com retomada dos cortes condicionada à inflação, ao câmbio e à política fiscal.

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 13,75% foi recebida por economistas como um sinal de maior cautela do Banco Central diante da piora das expectativas de inflação, das pressões vindas do petróleo e do câmbio e das incertezas sobre a política fiscal.

No comunicado desta quarta-feira (4), o BC afirmou que o ambiente externo se tornou “mais adverso” e destacou a aceleração da inflação e o afastamento das expectativas em relação à meta. A projeção do próprio Copom para a inflação no segundo trimestre de 2028 subiu para 3,5%.

Para Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, a retirada da referência à “magnitude total do ciclo de calibração” reforça a possibilidade de uma pausa mais longa.

Na avaliação do banco, a Selic deve continuar em 13,75% na última reunião de 2026. A retomada dos cortes em 2027 dependeria de uma melhora mais consistente das expectativas de inflação, do cenário fiscal e da confirmação da desaceleração da atividade.

Josias Bento, especialista em mercado de capitais e sócio da GT Capital, também considera provável a manutenção dos juros até o fim do ano.

“O Banco Central deixou claro que vai manter uma política restritiva enquanto não enxergar convergência consistente da inflação para a meta”, afirmou.

Segundo Bento, a evolução das contas públicas terá papel importante nos próximos passos. “Se não houver uma sinalização de responsabilidade fiscal, podemos conviver com juros elevados nesse patamar por mais tempo.”

Próximo movimento continua em aberto

Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval, destacou que o comunicado trouxe poucas indicações sobre a próxima decisão.

O banco esperava anteriormente uma nova redução da Selic, mas alterou sua projeção após a depreciação do real e a deterioração das expectativas de inflação.

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“O Banco Central optou pela manutenção da Selic nesta reunião, mas deixou em aberto o que poderá acontecer nas seguintes”, afirmou Cardoso.

O cenário-base do Daycoval prevê que o ciclo de cortes permaneça pausado nas próximas reuniões, com retomada em meados de 2027.

Cláudio Ferraz, economista-chefe da Galapagos Capital, também avaliou o comunicado como mais duro em relação à inflação, embora sem uma indicação clara sobre a direção do próximo movimento.

Segundo ele, o fim da linguagem de “calibragem” formaliza a interrupção do ciclo de cortes. A expectativa da Galapagos é de que a pausa se estenda por várias reuniões.

Ferraz considera que uma nova deterioração do câmbio e das expectativas poderia aumentar o risco de alta dos juros, enquanto uma eventual retomada dos cortes exigiria reancoragem das expectativas de inflação e desaceleração mais forte da economia.

Rafael Pastorello, portfólio manager do Banco Sofisa, destacou que o cenário fiscal continuará sendo um dos principais fatores para a trajetória dos juros.

Para ele, eventuais discussões sobre novos cortes dependerão de uma melhora mais consistente do ambiente inflacionário doméstico e internacional.

José Cláudio Securato, CEO e professor da Saint Paul Escola de Negócios, também avaliou que a interrupção dos cortes foi adequada diante das incertezas. Ele destacou a combinação entre desaceleração da atividade, pressão do petróleo e desvalorização cambial e afirmou que uma maior previsibilidade sobre a política econômica será importante para a retomada da flexibilização monetária.

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