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Inclusão do etanol em investigação dos EUA abre espaço para negociação comercial
Publicado 03/06/2026 • 20:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/06/2026 • 20:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A presença do etanol na investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil está mais relacionada a uma antiga discussão sobre acesso ao mercado do que a uma ameaça direta ao setor sucroenergético brasileiro, afirmou Sérgio Araújo, presidente executivo da Abicom, ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, a iniciativa reflete pressões de produtores americanos de etanol de milho e pode abrir espaço para novas negociações entre os dois países.
“Existe de fato um desequilíbrio nessa relação comercial”, afirmou Araújo. Segundo ele, atualmente o etanol de milho americano enfrenta uma tarifa de importação de 18% para entrar no Brasil, enquanto o etanol de cana brasileiro paga apenas 2,5% quando é exportado para os Estados Unidos.
Na avaliação do executivo, o presidente americano Donald Trump aproveita essa diferença para demonstrar apoio a um setor que possui relevância política e econômica nos Estados Unidos. “Ele tem sofrido pressão dos produtores de etanol de milho e está utilizando esse tema para mostrar apoio a esse segmento”, afirmou.
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Segundo Araújo, a importação de etanol de milho americano já teve papel importante no abastecimento brasileiro, principalmente durante períodos de entressafra da produção de cana-de-açúcar nas regiões Sul e Sudeste.
“Quando havia maior necessidade de complementar a oferta, esse produto chegava ao Brasil com um custo bastante competitivo”, afirmou. De acordo com ele, o aumento das tarifas acabou reduzindo significativamente a competitividade do etanol americano no mercado nacional.
O executivo ressaltou, porém, que o cenário mudou nos últimos anos com a expansão da produção brasileira de etanol de milho. “Já estamos vendo unidades de produção avançando para estados como Bahia e Maranhão, o que reduz cada vez mais a necessidade de importação”, disse.
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Ao comentar os números do setor, Araújo destacou que o mercado doméstico continua sendo o principal destino da produção brasileira de etanol.
Segundo ele, aproximadamente 95% da produção nacional é consumida internamente, reduzindo a dependência das exportações para os Estados Unidos.
O executivo lembrou que, em 2025, o Brasil importou cerca de 320 milhões de litros de etanol dos Estados Unidos e exportou aproximadamente 380 milhões de litros de etanol de cana para o mercado americano. “Os fluxos comerciais entre os dois países são relativamente equilibrados em volume”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de ampliar as importações do produto americano, Araújo explicou que o etanol de milho pode ser utilizado normalmente na cadeia de combustíveis brasileira, embora não seja vendido diretamente ao consumidor final como combustível puro.
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“Ele funciona da mesma forma que o etanol anidro produzido a partir da cana-de-açúcar”, afirmou. Segundo ele, o produto é destinado à mistura obrigatória na gasolina comercializada nos postos.
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Seguir no GoogleAtualmente, a gasolina vendida ao consumidor contém 70% de gasolina fóssil e 30% de etanol anidro, proporção que pode ser atendida tanto por etanol produzido a partir da cana quanto do milho.
Apesar das incertezas provocadas pela investigação americana, Araújo avalia que o tema pode servir como ponto de partida para uma discussão mais ampla sobre o futuro do mercado de etanol entre os dois países.
“Vejo essa situação também como uma oportunidade de colocar esse problema na mesa e discutir soluções”, afirmou. Para ele, a crescente autossuficiência brasileira na produção de etanol reduz a vulnerabilidade do setor e amplia a margem para negociações futuras.
Segundo o executivo, ainda é cedo para medir os impactos concretos da investigação, já que as propostas seguem em consulta pública e dependem de decisões posteriores das autoridades americanas. “É um tema que merece atenção, mas que ainda está em fase de discussão”, concluiu.
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