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Por André Amadeus
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Publicado 03/06/2026 • 12:45 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Unsplash
EUA acusam Brasil de restringir acesso ao mercado de etanol na Seção 301 veja
A nova ofensiva dos EUA contra o Brasil ganhou mais um capítulo. Além da proposta de tarifa de 25% feita na última terça-feira (02) e da nova taxação de mais 12,5% feita nesta quarta-feira (03) sobre produtos brasileiros, o governo americano voltou a apontar práticas que considera prejudiciais ao comércio bilateral.
Entre os motivos citados, o mercado de etanol entrou no foco da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A discussão acontece dentro da Seção 301 da Lei de Comércio.
Leia também: EUA propõem nova tarifa de 12,5% ao Brasil em investigação sobre trabalho forçado; 60 países são taxados
Segundo o USTR, o Brasil mantém políticas que restringem ou dificultam o acesso de produtos americanos ao mercado nacional. O órgão afirma que algumas dessas práticas criam obstáculos para empresas dos Estados Unidos e afetam a concorrência.
O representante comercial americano Jamieson Greer declarou que a investigação encontrou políticas consideradas irracionais ou discriminatórias. Segundo ele, essas medidas sobrecarregam ou restringem o comércio dos Estados Unidos.
Embora o comunicado cite diferentes áreas de preocupação, o etanol aparece entre os temas acompanhados pelo governo americano nas discussões comerciais com o Brasil.
A investigação realizada pelos americanos acontece com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo permite que os Estados Unidos apurem práticas de governos estrangeiros consideradas injustas para empresas americanas.
Além disso, a legislação autoriza a adoção de medidas caso o governo americano conclua que houve prejuízo ao comércio do país. Entre as possíveis ações estão tarifas adicionais, suspensão de acordos comerciais e outras restrições entre os países.
O procedimento da Seção 301 começa por meio de uma petição apresentada por empresas, sindicatos ou associações. No entanto, o próprio USTR também pode abrir uma investigação por iniciativa própria. Depois disso, o órgão tem até 45 dias para decidir se inicia a apuração.
Na sequência, ocorre a fase investigativa, que inclui audiências públicas, consultas com o governo estrangeiro e até discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC). Essa etapa costuma durar 12 meses, mas pode receber prorrogações.
Leia também: UE afirma que novas propostas tarifárias dos EUA são “injustificadas”
Além do mercado de etanol, que vem ganhando maior atenção nos últimos meses, o governo americano também citou outras questões na investigação. Entre elas aparece o sistema de pagamentos Pix, que, segundo o USTR, favoreceria operações locais em detrimento de empresas americanas de serviços financeiros.
O comunicado afirma ainda que o governo de Donald Trump solicitou ao Brasil a resolução de diferentes questões comerciais. Com isso, as negociações seguem abertas enquanto os EUA avaliam a adoção das medidas previstas na Seção 301.
Após o anúncio das novas tarifas pelos Estados Unidos e das críticas direcionadas ao mercado de etanol, o governo brasileiro reagiu e contestou as acusações. Segundo a posição oficial, o Brasil não adota medidas que bloqueiem ou interfiram de forma irregular no acesso de produtos do setor.
“O Programa Nacional de Biocombustíveis é aberto a produtores estrangeiros em condições não-discriminatórias, e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis tem desenvolvido diretrizes técnicas específicas para a participação de produtores norte-americanos no Programa. Os EUA aplicam tarifa de 12,5% sobre o etanol brasileiro, uma diferença relativamente pequena para os 18% aplicados pelo Brasil. Por outro lado, o açúcar brasileiro conta com cota ínfima de cerca de 150 mil toneladas e, acima da cota, está sujeito a tarifa de US$ 340 por tonelada, equivalente a uma alíquota de 80%.” informou a nota do governo.
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