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Fórum Conexão Brasil-Itália: “Brasil tem maior carteira de concessões do mundo”, diz ministro dos Transportes
Publicado 25/05/2026 • 18:28 | Atualizado há 29 minutos
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Publicado 25/05/2026 • 18:28 | Atualizado há 29 minutos
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Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC
George Santoro, ministro dos Transportes
O Brasil tem a maior carteira de concessões rodoviárias e ferroviárias do mundo e busca atrair capital estrangeiro para acelerar investimentos em infraestrutura. É o que afirmou nesta segunda-feira (25) o ministro dos Transportes, George Santoro.
A declaração foi feita durante o Fórum Conexão Brasil-Itália, promovido pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, em São Paulo. O evento reuniu autoridades, empresários e especialistas dos dois países para discutir investimentos, infraestrutura, segurança jurídica, transição energética e oportunidades de cooperação econômica.
“Hoje nós temos a maior carteira de rodovias e de ferrovias do mundo, de concessões. Então, a gente ganhou um papel de destaque relevante, os investidores estão todos olhando”, afirmou Santoro.
Segundo o ministro, a logística é decisiva para a produtividade da economia brasileira, especialmente pelo peso do país nas cadeias globais de commodities agrícolas, proteína animal e minerais.
“O Brasil é o quinto maior em volume de carga transportada do mundo. Então, a gente tem um papel muito importante na economia mundial, tanto nas questões de commodities agrícolas como commodities de proteína e minerais. A logística é fundamental porque ela define o preço e a produtividade dessa economia que o Brasil tem”, disse.
Santoro afirmou que o governo tem buscado apresentar a carteira brasileira a investidores internacionais por meio de roadshows e eventos fora do país. Ele citou a relação com a Itália como estratégica, lembrando que a maior empresa de concessões rodoviárias do Brasil pertence a um grupo italiano.
“É muito importante participar de um evento como esse com a Itália. Nós temos a nossa maior empresa de concessões rodoviárias de um grupo italiano, e a gente tem feito esses diálogos através de roadshows internacionais permanentes, trazendo dinheiro de fora para o Brasil mais barato, para a gente poder melhorar nossa infraestrutura”, afirmou.
Para o ministro, o principal desafio é mostrar ao mercado internacional que o Brasil entrou em uma nova fase regulatória e contratual.
“O desafio é a gente mostrar para o mundo que a gente mudou de patamar”, disse.
Leia também: Líderes de Brasil e Itália debatem infraestrutura e investimentos em evento exclusivo Times Brasil | CNBC
Segundo Santoro, contratos e editais de concessão brasileiros estão alinhados a padrões internacionais, o que, na avaliação dele, é essencial para dar segurança aos investidores que avaliam projetos no país.
“É muito importante para a gente demonstrar que o nosso marco regulatório, os nossos contratos atuais e nossos editais de concessão estão no padrão da OCDE, cumprindo todas as regras que já são utilizadas na Europa”, afirmou.
O ministro disse ainda que há interesse concreto de empresas italianas em projetos brasileiros, especialmente no setor ferroviário. Ele também antecipou que o novo Plano Nacional de Logística será lançado em junho e terá uma visão integrada da logística nacional, com participação de estados.
A segurança jurídica também foi apontada como condição central para ampliar investimentos. Augusto Dal Pozzo, advogado, professor de Direito e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, afirmou que o Brasil pode aproveitar experiências internacionais para amadurecer o mercado de infraestrutura.
“Existem modelos muito já consolidados em outros países, na Europa, nos Estados Unidos… E, claro, temos que fazer o ajuste para o Direito brasileiro”, disse.
Dal Pozzo afirmou que a troca de experiências não significa importar soluções sem adaptação, mas observar práticas bem-sucedidas para desenvolver projetos no país.
“Pegar exemplos de outros países, exemplos e histórias positivas, é fundamental, porque é a partir delas que você constrói histórias também dentro do Brasil”, afirmou.
Segundo ele, a cooperação com a Itália pode contribuir não apenas em inteligência artificial, mas também em tecnologias aplicadas a setores específicos da infraestrutura, como saneamento, rodovias, ferrovias e integração de sistemas.
“A Itália pode aportar muita tecnologia no Brasil, especialmente não só tecnologia que a gente está falando de inteligência artificial, mas também tecnologia nos setores específicos”, disse.
Dal Pozzo afirmou ainda que a atração de investimentos depende da construção de confiança e da presença efetiva de empresas estrangeiras no país.
“O que precisamos é que esse mercado se movimente, e empresas italianas, empresas brasileiras e outras empresas europeias possam de alguma forma se unir para poder transformar o país”, afirmou.
Graziano Messana, presidente da Câmara Italiana de Comércio de São Paulo, classificou o momento como histórico para as relações comerciais entre Brasil e Itália, em especial diante das discussões sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia.
“É um momento histórico. A partir do 1º de maio caíram as tarifas de importação de maquinários. O Brasil tem apetite para renovar o parque industrial, tem terras raras. A Itália tem muita competência, muito know-how na extração desses minerais muito preciosos que servem para construir data centers”, disse.
Messana afirmou que o Brasil tem condições para atrair investimentos ligados à economia digital e à transição energética por causa de sua matriz energética limpa.
“Não tem inteligência artificial se não tem data center. O Brasil é o lugar certo porque tem energia limpa, a matriz energética é 85%”, afirmou.
Segundo ele, uma das frentes de cooperação envolve parcerias entre empresas brasileiras e italianas para exploração de minerais estratégicos e construção de data centers. Outra frente é o comércio de alimentos.
“Vai ter um aumento das exportações e importações, cerca de 40%, como estimativa que a gente fez”, disse.
Messana afirmou que energia, infraestrutura, biocombustíveis, máquinas e equipamentos estão entre os setores que mais atraem empresas italianas no Brasil. Segundo ele, há 1.104 empresas italianas no país, das quais 300 atuam em máquinas e equipamentos.
“Essa parte de biocombustível, de infraestrutura, de energia está atraindo muito investimentos italianos”, afirmou.
Na avaliação de Messana, o Brasil também pode ganhar espaço na reorganização global das cadeias produtivas por sua posição geopolítica.
“O Brasil é o centro da geopolítica, está como peça-chave”, disse. “É o único país que tem uma democracia, é amigo de todo mundo, não faz guerras. Então é a ponte natural para balancear essa hegemonia dos Estados Unidos.”
Leia também: Cidadania italiana é direito absoluto, decide corte suprema em vitória para brasileiros descendentes
Marco D’Alberti, juiz da Corte Constitucional italiana e professor emérito da Sapienza Università di Roma, afirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia deve fortalecer os laços entre Brasil e Itália, mas não pode ser visto apenas pela ótica comercial.
“Não se trata apenas de um acordo comercial, mas também de um acordo que leva em conta outros interesses públicos, especialmente o meio ambiente e a sustentabilidade ambiental”, afirmou.
Segundo D’Alberti, Brasil e Itália têm o desafio de equilibrar interesses econômicos e comerciais com temas ambientais e climáticos.
“O desafio atual — e nisso nós estamos unidos, Brasil e Itália — é equilibrar o interesse econômico e comercial com esse contexto mais amplo de necessidades extremamente importantes”, disse.
O juiz também destacou o potencial brasileiro em recursos naturais e defendeu uma cooperação em bases equilibradas entre os países.
“No Brasil existem recursos naturais excepcionais que precisam ser mantidos. E assim nós temos todas as potencialidades e os pressupostos para que possamos estabelecer uma colaboração muito forte em um nível igualitário e natural”, afirmou.
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