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Recuperação Judicial

Justiça aceita pedido de recuperação judicial da Tok&Stock e da Mobly e suspende cobranças por 180 dias

Publicado 13/07/2026 • 09:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Dívida de R$ 1,1 bilhão e bloqueio de recebíveis levam Tok&Stok e Mobly à recuperação judicial.
  • Juros altos e queda no consumo agravam crise no varejo de móveis e decoração.
  • Grupo Toky soma nova reestruturação de dívida em meio a recorde de recuperações judiciais no país.
Tok&Stok vai fechar lojas? Entenda o que acontece após pedido de recuperação judicial

Foto: Divulgação

Tok&Stok vai fechar lojas? Entenda o que acontece após pedido de recuperação judicial

O Tribunal de Justiça de São Paulo aceitou o pedido de recuperação judicial do Grupo Toky, dono das redes de móveis Tok&Stok e Mobly. A decisão já havia sido tomada pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo em junho.

Segundo o comunicado, o grupo terá de apresentar contas até o dia 30 de cada mês, sob pena de destituição de seus controladores e administradores. Além disso, o tribunal determinou a suspensão por 180 dias de todas as execuções contra o Grupo Toky, incluindo penhora, arresto, busca e apreensão e constrição de bens. Ficam fora dessa proteção apenas os créditos não sujeitos à recuperação judicial.

Origem da crise

Ainda de acordo com o processo, o Grupo Toky reportou dívida de R$ 1,1 bilhão. A empresa atribui o quadro a fatores como juros elevados, retração do consumo de bens duráveis e encargos sociais e trabalhistas acumulados entre 2022 e 2025.

Depois de tentar por meses uma reestruturação extrajudicial, a companhia relata piora na situação após o bloqueio de recebíveis de cartão pela instituição financeira SRM, no valor de R$ 77 milhões. Segundo o grupo, a retenção comprometeu o fluxo de caixa operacional e colocou em risco o pagamento de salários, fornecedores e custos diários.

Fusão que originou o grupo

O Grupo Toky nasceu da fusão entre a Mobly, varejista digital de móveis fundada em 2011, e a Tok&Stok, rede criada em 1978 pelo casal francês Régis e Ghislaine Dubrule. A integração, concluída em 2024, buscava ganhos de eficiência logística e comercial entre as duas marcas.

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Contudo, a promessa de sinergia não foi suficiente para conter a deterioração financeira. A companhia já havia enfrentado, historicamente, pedido de falência, recuperação extrajudicial e sucessivas renegociações de dívida, além de disputas societárias envolvendo os fundadores da Tok&Stok.

Setor pressionado por juros

A crise do Grupo Toky ocorre em meio a um cenário mais amplo de dificuldade para o varejo de móveis e decoração no Brasil. A combinação de taxa de juros elevada, endividamento das famílias e crédito restritivo reduziu a disposição do consumidor para compras discricionárias, categoria que inclui itens de decoração e mobiliário.

Assim, o caso se soma a uma onda recente de recuperações judiciais e extrajudiciais no país, impulsionada pelo custo do crédito e pela retração do consumo em setores intensivos em capital, como varejo, construção e agronegócio.

Próximos passos

Agora, o Grupo Toky segue sob supervisão judicial enquanto negocia um plano de reestruturação com bancos e demais credores. A companhia informou que suas lojas seguem em funcionamento normal durante o processo.

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