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Recuperação Judicial

Raízen vai à assembleia decisiva na semana que vem com expectativa alta de aprovação

Publicado 05/06/2026 • 08:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Raízen busca aprovação de pelo menos 70% dos credores em assembleia prevista para a semana que vem
  • Plano prevê conversão de 45% da dívida de R$ 65 bilhões em ações, transferindo quase 80% da empresa aos credores
  • Shell capitalizará R$ 3,5 bilhões e Raízen será dividida em duas companhias a partir de 2027
Quanto valem os ativos da Raízen na Argentina?

Foto: Instagram Raízen

Quanto valem os ativos da Raízen na Argentina?

A Raízen chega à assembleia geral de credores da semana que vem com a meta de atingir pelo menos 70% de aprovação entre todas as classes envolvidas no plano de recuperação extrajudicial, mas a expectativa nos bastidores é de que esse percentual seja superado com folga.

O melhor sinal veio na noite de quarta-feira (3), quando a totalidade dos debenturistas das 2ª, 3ª e 4ª emissões presentes nas assembleias aprovou a adesão ao plano. A decisão tem condição resolutiva: pode ser revogada caso os titulares reunidos na assembleia de segunda-feira (8), às 13h, rejeitem o plano ou caso a Raízen apresente uma versão considerada materialmente diferente da aprovada. Se nenhum desses cenários se concretizar, a adesão se torna automática e irrevogável.

🔍 Debenturistas Investidores que adquiriram debêntures, títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos no mercado. Ao comprar uma debênture, o investidor empresta dinheiro à companhia e passa a ter direito a receber juros e, ao final do prazo, a devolução do valor aplicado. No caso da Raízen, esses credores são parte do grupo que vota o plano de recuperação extrajudicial.

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Dívida convertida em ações

O plano que vai a votos é o maior processo de recuperação extrajudicial da história do Brasil. A Raízen acumula R$ 65 bilhões em dívidas financeiras, cifra que coloca a operação em uma categoria sem precedente no mercado local.

A engenharia financeira desenhada para equacionar esse passivo prevê que 45% da dívida total reestruturada seja convertida em ações da companhia. Com isso, os credores passarão a deter quase 80% do capital da Raízen, revertendo completamente a estrutura atual de controle compartilhado entre Cosan e Shell.

Leia também: Raízen vende operações na Argentina por US$ 1,42 bilhão para grupo Mercuria

A Shell, por sua vez, fará uma capitalização de R$ 3,5 bilhões como parte do acordo, reforçando o caixa da empresa durante o período de transição.

🔍 Recuperação extrajudicial Mecanismo previsto na Lei de Falências que permite a empresas em dificuldade negociar dívidas com credores fora do ambiente judicial. O plano precisa ser aprovado por maioria qualificada dos credores e homologado pelo Poder Judiciário para ter validade.

Divisão em duas companhias

A partir de 2027, a Raízen será dividida em duas empresas separadas. Uma ficará com as operações de produção de etanol; a outra concentrará a distribuição de combustíveis. A separação reflete a lógica de desinvestimento que a companhia já vinha sinalizando com a venda dos ativos na Argentina.

Em maio, a Raízen concluiu a venda de suas operações argentinas para o grupo suíço Mercuria por US$ 1,42 bilhão. Os recursos foram direcionados para a gestão da estrutura de capital da companhia no processo de reestruturação.

Nova gestão a caminho

O acordo também redesenha a governança da Raízen. Está prevista a eleição de um novo conselho de administração no primeiro trimestre de 2027, após a conclusão das etapas de reestruturação.

Será criado ainda o cargo de CRO, diretor de reestruturação, que ficará com Lorival Luz, atual diretor financeiro da companhia. Luz, ex-CEO da BRF, conduziu as negociações da dívida ao longo dos últimos meses e será o responsável por supervisionar a execução do plano aprovado pelos credores.

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🔍 CRO (Chief Restructuring Officer) Cargo executivo criado especificamente para supervisionar processos de reestruturação financeira. O CRO atua como interlocutor entre a empresa e os credores durante a implementação do plano de recuperação.

Passivo tributário ainda em aberto

Além da dívida financeira, a Raízen ainda precisa equacionar R$ 25 bilhões em passivos tributários com o fisco federal, condição necessária para o fechamento completo do plano de reestruturação. As negociações com a Receita Federal seguem em curso e representam o principal ponto de incerteza remanescente no processo.

O processo de recuperação extrajudicial teve início em março de 2026, quando a companhia protocolou o pedido após o vencimento automático de uma emissão de debêntures. Desde então, a Raízen vem avançando nas negociações com diferentes classes de credores, buscando construir o quórum necessário para homologação judicial do plano.

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