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Juros altos e inflação: entenda a tese econômica defendida por André Lara Resende
Publicado 07/11/2026 • 18:00 | Atualizado há 21 minutos
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Publicado 07/11/2026 • 18:00 | Atualizado há 21 minutos
KEY POINTS
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Juros altos e inflação: entenda a tese econômica defendida por André Lara Resende
O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, defende uma mudança na política econômica brasileira. Sua proposta prevê reduzir gradualmente a taxa básica de juros (Selic) para aproximadamente 7,5% ao ano, em cerca de 12 meses. A ideia parte de um diagnóstico: o custo elevado dos juros é um dos principais fatores de crescimento da dívida pública e dificulta o equilíbrio das contas do governo.
A discussão ganhou força depois que José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apoiou uma maior coordenação entre as políticas fiscal e monetária. A manifestação reacendeu o debate sobre o peso dos juros no endividamento público.
Leia também: ‘Muito ruim’, ‘ridícula’ e ‘voluntarismo ingênuo’: economistas criticam proposta de Lara Resende para Selic a 7,5%
Apesar disso, a proposta enfrenta resistência de economistas, que alertam para riscos de inflação, desvalorização do real e saída de investimentos.
A tese do economista parte da relação entre a taxa de juros e o endividamento público. Para ele, o peso dos pagamentos de juros sobre a dívida brasileira supera a importância do déficit primário na explicação do avanço do endividamento.
No artigo “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, publicado em 25 de setembro, Lara Resende calcula que o custo médio da dívida chegou a 12,68% ao ano. Segundo seus números, os juros faziam a dívida bruta crescer aproximadamente 12,7% ao ano, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) nominal avançava perto de 7%.
Essa diferença dificulta estabilizar a dívida em relação ao tamanho da economia. Por isso, o economista questiona uma estratégia fiscal concentrada em cortes de despesas e melhora do resultado primário, sem enfrentar o custo financeiro do endividamento.
A proposta prevê reduzir gradualmente os juros durante aproximadamente um ano. O cálculo considera uma meta de inflação de 3%, crescimento real potencial de 2,5% e um adicional de segurança de dois pontos percentuais. A soma levaria a Selic a aproximadamente 7,5% ao ano.
Lara Resende também propõe criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, com atribuições mais amplas do que as do atual Conselho Monetário Nacional (CMN). O órgão estabeleceria metas fiscais e monetárias para períodos de quatro a cinco anos, buscando evitar conflitos entre as duas políticas.
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Siga o Times | CNBCA ideia não prevê retirar do Banco Central a responsabilidade pela condução da política monetária, mas ampliar a coordenação institucional, preservando sua autonomia e a atuação do Comitê de Política Monetária (Copom).
As principais objeções envolvem os riscos de inflação e desvalorização cambial. Felipe Miranda, fundador da Empiricus Research, avalia que uma redução acelerada poderia estimular excessivamente a demanda e pressionar os preços.
Ele também alerta que a diminuição da diferença entre os juros brasileiros e os internacionais poderia provocar saída de capitais, aumentar a procura por dólares e encarecer produtos importados.
O professor da Universidade de Brasília (UnB) José Luis Oreiro concorda que os juros pesam sobre a dívida, mas classifica a estratégia como “voluntarismo ingênuo”. Para ele, seria necessário reformar a estrutura da dívida pública, especialmente os títulos indexados à Selic, antes de promover uma redução dessa magnitude.
Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro Nacional, considera arriscado utilizar as reservas internacionais para conter pressões cambiais. Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM, também alertou para possíveis impactos sobre a inflação e os títulos públicos. Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, igualmente questionou a viabilidade da proposta.
Lara Resende admite que a redução dos juros pode provocar desvalorização do real no curto prazo. Para suavizar esse movimento, defende o uso das reservas internacionais em intervenções no mercado cambial. Os críticos, porém, avaliam que utilizar esses recursos de forma recorrente poderia comprometer a proteção financeira do país e aumentar a desconfiança dos investidores.
O apoio de Gabrielli à coordenação entre as políticas fiscal e monetária não significa que o governo tenha adotado o plano. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não existe reunião agendada entre Lula e Lara Resende e que a equipe econômica não discute apresentar a proposta ao presidente.
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