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Lula articulou com diretor da PF retorno à corporação de delegados cedidos ao Judiciário
Publicado 19/06/2026 • 22:27 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 19/06/2026 • 22:27 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A determinação de que policiais federais cedidos a órgãos do Judiciário retornem à Polícia Federal envolveu uma articulação direta do presidente Lula com o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Nos bastidores, uma ala da PF avalia que a medida representa interferência política do presidente da República. Segundo apuração do Estadão, a expectativa é que a determinação chegue ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e possa afetar auxiliares que atuam em casos como o dos desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o de fraudes no Banco Master.
Há cerca de um mês, Lula participou de uma transmissão online com Andrei Rodrigues e disse ter determinado o retorno de delegados que estariam “fingindo trabalhar”. No dia seguinte, voltou a defender a medida em discurso público.
“Eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vai ficar fora aqueles que forem secretários de Estado”, afirmou Lula na ocasião.
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A decisão causou estranhamento entre policiais federais. Em conversas internas, uma avaliação recorrente era de que algum delegado poderia estar incomodando o Planalto.
“Tem algum delegado incomodando o Planalto. Se fosse alguém a serviço em órgãos do Executivo, por exemplo, bastaria exonerar da função e devolver ao órgão de origem”, dizia uma das mensagens.
Entre delegados, houve comentários de que o principal alvo da insatisfação seria Thiago Marcantonio, que assessora André Mendonça nos inquéritos sobre desvios no INSS e fraudes no Banco Master.
Marcantonio também atuou no passado na Lava Jato, o que aumenta o incômodo entre governistas, segundo a avaliação de bastidores.
A leitura interna é que o governo precisou adotar uma medida mais ampla porque não poderia determinar apenas a retirada do delegado do gabinete de Mendonça.
Os primeiros ofícios já chegaram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a tribunais regionais federais. A assessoria do STF informou que ainda não havia recebido o documento.
Ainda segundo informações levantadas pela jornalista Roseann Kennedy, do Estadão, os ofícios foram assinados na noite de quarta-feira (17) pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges.
O documento afirma que a medida atende a uma “diretriz presidencial de fortalecimento da segurança pública” e pede que os órgãos adotem providências administrativas para o retorno imediato dos servidores à PF.
“O processo de retorno dos policiais federais, rodoviários federais e policiais penais – seguindo a diretriz presidencial amplamente divulgada – para reforço e valorização das atividades finalísticas e de combate ao crime organizado teve início no fim de abril e continua em curso. Foram enviados os 100 pedidos de retorno, alcançando mais de 50 órgãos da administração pública direta e indireta federal, estadual e municipal”, afirmou Borges.
Oficialmente, o Ministério da Justiça sustenta que a medida busca reforçar o combate ao crime organizado. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), porém, já contestou esse argumento.
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A Polícia Federal também fez mudanças recentes na coordenação da Operação Sem Desconto, que apura desvios no INSS.
No mês passado, a corporação retirou o caso da divisão de crimes previdenciários e transferiu a apuração para a Coordenação de Inquéritos dos Tribunais Superiores.
A alteração afastou da investigação o delegado que vinha conduzindo o caso e que havia pedido ao STF a quebra do sigilo bancário de Lulinha, filho do presidente.
Na ocasião, a PF afirmou que a mudança tinha o objetivo de dar mais apoio à equipe, já que a coordenação de inquéritos dos tribunais superiores tem estrutura voltada a operações sensíveis.
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