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Moraes aponta interferência estrangeira em relatório da PF

Publicado 15/09/2026 • 14:53 | Atualizado há 30 minutos

KEY POINTS

  • Alexandre de Moraes afirmou que o relatório da PF sobre suas mensagens com Daniel Vorcaro teria sido produzido com auxílio de agentes externos.
  • O ministro disse que metadados do documento indicariam participação provavelmente estrangeira e uma tentativa de interferência nas eleições de 2026.
  • Em defesa apresentada ao STF, Moraes também questionou a cadeia de custódia do material e apontou possibilidade de inserção de arquivos falsos.

Reprodução / TV Justiça

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o relatório da Polícia Federal (PF) que reúne informações sobre suas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro é “imprestável” e teria sido produzido com participação de agentes externos, “provavelmente estrangeiros”. Para o magistrado, o episódio pode representar uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras de 2026.

A acusação consta da defesa apresentada por Moraes à presidência do Supremo no processo em que o plenário decide, nesta terça-feira (15), se abre uma investigação contra o ministro.

Segundo Moraes, o documento teria sido elaborado com o objetivo de incriminá-lo por sua atuação como relator dos processos julgados pela Primeira Turma do STF contra os acusados de participação na tentativa de golpe de Estado.

Moraes fala em interferência nas eleições

O ministro afirmou que o relatório demonstra uma “clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”.

Segundo ele, a intenção seria “incriminar o juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito”.

Moraes também levantou a suspeita de que o documento tenha sido inserido nos sistemas da Polícia Federal por terceiros.

“Há, inclusive, a suspeita de que o providencial afastamento do diretor da PF (delegado Andrei Rodrigues), que estranhamente foi comemorado por autoridades estrangeiras, foi para que não pudesse averiguar a produção externa desse relatório”, afirmou.

O ministro relacionou o episódio às pressões internacionais enfrentadas pelo STF nos últimos anos. “Não é demais relembrar as inúmeras pressões estrangeiras contra a Justiça brasileira e esse STF, inclusive com a cassação do visto de diversas autoridades e a aplicação da Lei Magnitsky”, declarou.

Sanções dos Estados Unidos

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Moraes foi sancionado pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 30 de julho de 2025, por meio da Lei Magnitsky. A medida estabeleceu o bloqueio de eventuais bens e restrições a transações financeiras do ministro nos Estados Unidos.

O governo norte-americano justificou a sanção com acusações de violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão.

Em 12 de dezembro de 2025, a administração Trump retirou Moraes e sua mulher, Viviane Barci, da lista de pessoas submetidas às sanções.

Defesa questiona cadeia de custódia

Na defesa de 44 páginas encaminhada à presidência do STF, Moraes também contestou os procedimentos utilizados para preservar o material analisado pela Polícia Federal.

Segundo o ministro, falhas na chamada cadeia de custódia poderiam permitir a inserção de arquivos falsos, mensagens armazenadas em “blocos de notas” e outros conteúdos sem garantia de autenticidade.

Moraes afirmou que o risco seria maior quando materiais apreendidos são enviados ao gabinete do magistrado responsável pelo processo sem a “observância de procedimentos mínimos de segurança”.

Metadados indicariam participação externa, diz Moraes

O ministro voltou a sustentar que terceiros podem ter acessado os arquivos e mencionou especificamente a possibilidade de participação de autoridades estrangeiras.

“O prazo de elaboração foi de 72 horas, impossível para aquele relatório, mas os metadados comprovam que o relato não foi produzido efetivamente pela Polícia Federal, mas sim por agentes externos – pela forma de produção, provavelmente estrangeiros, comprovando a tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras – que somente enviaram o resultado para a Polícia Federal”, afirmou Moraes.

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