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Hackers, jogo do bicho e policiais corruptos: a organização criminosa comandada pelo pai de Daniel Vorcaro
Publicado 14/05/2026 • 10:46 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 14/05/2026 • 10:46 | Atualizado há 1 hora
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Reprodução
Pai de Daniel Vorcaro é preso na sexta fase da Operação Compliance Zero
Uma decisão monocrática do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que embasou a sexta fase da Operação Compliance Zero deflagrada nesta quinta-feira (14), detalha pela primeira vez a arquitetura completa da organização criminosa mantida por Henrique Vorcaro para proteger os interesses do filho, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O documento, obtido pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, revela que a estrutura operava por meio de dois núcleos complementares. O primeiro, chamado internamente de “A Turma”, era voltado a intimidações presenciais, levantamentos clandestinos, coerções e obtenção de dados sigilosos de sistemas governamentais.
O segundo, conhecido como “Os Meninos“, tinha perfil tecnológico e era especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais e monitoramento ilegal.
Ambos os núcleos eram gerenciados por Felipe Mourão, o “Sicário“, e atendiam ordens emanadas diretamente de Daniel Vorcaro e, segundo os novos elementos reunidos pela PF, também de Henrique Vorcaro.
Segundo a decisão, o esquema custava aproximadamente R$ 1 milhão por mês. “A Turma” recebia R$ 400 mil mensais, distribuídos por Marilson Roseno da Silva entre os integrantes do grupo. “Os Meninos” recebiam R$ 75 mil por operador. O restante permanecia com Felipe Mourão.
Henrique Vorcaro e Fabiano Zettel, cunhado de Daniel e também preso na operação, eram os dois pagadores ordinários do esquema. O documento reproduz mensagem em que Marilson cobra Henrique por atraso no repasse, afirmando estar “segurando uma manada de búfalo” e pedindo o envio de “800k”. Henrique responde que enviaria “400” assim que recebesse os recursos esperados.
A PF identificou que os pagamentos eram formalizados por meio de notas fiscais emitidas pela empresa Roseno & Ribeiro Gestão, controlada por Marilson, em favor da King Participações, empresa de Felipe Mourão, conferindo aparência de legalidade às transações. Helder Alves de Lima, contador vinculado à estrutura, era acionado para emitir os documentos, inclusive depois do avanço ostensivo das investigações.
Para ocultar ainda mais o rastro do dinheiro, Erlene Nonato Lacerda atuava como gestora financeira informal de Marilson, recebendo os pagamentos em seu próprio nome e prestando contas ao verdadeiro beneficiário por meio de planilhas enviadas por mensagem.
A decisão é precisa ao descrever o papel de Henrique Vorcaro dentro da organização. Ele não era apenas financiador, mas também usuário direto dos serviços ilícitos. Em mensagem de janeiro de 2026, ao não conseguir contato com Marilson, Henrique enviou mensagens insistindo em retorno e afirmou que “no momento em que estou é que preciso de vocês“, frase interpretada pela PF como referência direta ao grupo.
O documento registra que Henrique permaneceu acionando a organização mesmo após a deflagração da primeira fase da Compliance Zero, em novembro de 2025. Para dificultar o monitoramento, trocava de número com frequência e, pouco antes da terceira fase da operação, passou a usar chip registrado na Colômbia.
Em 03/03/2026, véspera da terceira fase da operação, Marilson informou à esposa por mensagem que estava reunido na empresa One Investimentos com a pessoa identificada como “H“, inferência que a PF associa a Henrique Vorcaro. Logo após esse encontro, Marilson voltou a acionar outros integrantes do grupo.
“A Turma” contava com policiais federais tanto da ativa quanto aposentados. Anderson Wander da Silva Lima, agente em exercício lotado no Rio de Janeiro, realizava consultas indevidas em sistemas internos da PF desde agosto de 2023, repassando dados sigilosos a Marilson em troca de vantagens financeiras.
O documento detalha um dos episódios: Marilson enviou a Anderson a foto do passaporte de uma pessoa e pediu informações sobre eventual saída do país. Um colega recusou a consulta. Anderson classificou o servidor como “babaquinha demais” e providenciou o dado por outro caminho, enviando a Marilson áudio com as informações e imagem de tela de sistema interno da PF.
Em dezembro de 2025, já após o avanço da operação, Marilson enviou a Anderson um Pix de fim de ano, descrito como “oferenda“, compatível com o bônus que Daniel Vorcaro destinava à organização.
Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado, também integrava o núcleo. Usava número americano e configurava as mensagens para autodestruição automática. Em 01/03/2026, reuniu-se com Marilson por mais de uma hora no pilotis de seu prédio, em encontro reservado longe de terceiros.
Uma delegada da PF, Valéria Vieira Pereira da Silva, foi afastada do cargo por suspeita de ter acessado indevidamente inquérito sigiloso conduzido em São Paulo, sem ter qualquer atribuição sobre o procedimento. Lotada em Minas Gerais desde 2006, ela teria repassado as informações a Marilson por meio do marido, Francisco José Pereira da Silva, agente aposentado da corporação.
“Os Meninos” eram coordenados por David Henrique Alves, que recebia R$ 35 mil mensais de Felipe Mourão via sua empresa, a Bipe Software Brasil. O grupo reunia operadores com perfil hacker remunerados para executar ataques digitais, derrubar perfis em redes sociais, invadir dispositivos e realizar monitoramento telemático ilegal.
Na noite de 04/03/2026, horas após a deflagração da terceira fase da operação, David foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal conduzindo o carro de Felipe Mourão com computadores, notebooks, caixas e malas. No interior do veículo foi encontrado um documento de identidade em nome de terceiro cuja foto apresentava alta similaridade facial com Victor Lima Sedlmaier, outro integrante do núcleo, segundo análise técnica da PF.
Antes de sair, David havia ligado para a imobiliária pedindo entregar o imóvel com urgência. O porteiro do condomínio relatou que ele saiu “cantando pneus”, gerando reclamações de moradores. No dia seguinte, Victor e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos retornaram ao apartamento com caminhão de mudança para retirar os pertences restantes.
O braço carioca de “A Turma” era liderado por Manoel Mendes Rodrigues, descrito pela PF como operador do jogo do bicho. A decisão aponta que o grupo por ele comandado incluía, em tese, milicianos e policiais ainda não identificados.
Em junho de 2024, após acionamento de Daniel Vorcaro, o grupo se deslocou até Angra dos Reis para intimidar o comandante do iate do ex-banqueiro e o ex-chefe de cozinha de sua embarcação. Daniel havia ordenado que fosse feito “levantamento de tudo” sobre os dois e que “teriam que ir pra cima“. O grupo chegou a cogitar monitoramento telefônico e “conversa com a mesma língua“, expressão interpretada como referência a ameaça física direta.
Uma das vítimas relatou ter sido abordada por cerca de sete homens, um dos quais se identificou como Manoel, amigo de Daniel Vorcaro que “mexia com jogo do bicho“. O reconhecimento fotográfico posterior, conduzido nos termos do Código de Processo Penal, apontou Manoel Mendes com alto grau de certeza.
O mesmo grupo chegou a discutir agressões físicas contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. A sugestão partiu do próprio Daniel Vorcaro, dirigida a Felipe Mourão, com referência explícita a “quebrar todos os dentes” do repórter. A organização também atuava para limpar a imagem pública do Banco Master por meio de pedidos forjados a plataformas digitais e pagamentos a editores por publicações favoráveis.
Felipe Mourão, o “Sicário“, era o elo central entre os dois núcleos e o comando da organização. Responsável pela gestão operacional de “A Turma” e “Os Meninos”, era ele quem recebia as ordens de Daniel Vorcaro, distribuía os recursos e coordenava as ações de intimidação, espionagem e ataques digitais.
Mourão foi preso em 04/03/2026, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, na mesma operação que levou Daniel Vorcaro de volta à cadeia. Horas após a prisão, ainda sob custódia na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais, se enforcou com a própria camiseta. O Grupo de Pronta Intervenção da PF tentou reanimá-lo por cerca de 30 minutos antes da chegada do Samu, que o transferiu ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde não resistiu.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o suicídio foi registrado integralmente pelas câmeras da corporação. “Toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão filmados sem pontos cegos”, disse Rodrigues. Senadores pediram investigação independente com peritos externos a Minas Gerais para descartar qualquer hipótese além do suicídio.
A morte de Mourão representou uma perda investigativa considerável. Ele era o principal elo entre o financiamento da família Vorcaro e a execução dos crimes pelos dois núcleos, e detinha conhecimento integral da estrutura, dos pagamentos e dos alvos da organização.
Um dos elementos mais graves revelados pela decisão é o fato de que Marilson Roseno, líder operacional de “A Turma“, continuou recebendo informações sigilosas sobre diligências em andamento mesmo após ser preso. A rede externa permanecia ativa e abastecia o líder dentro do cárcere.
Por isso, André Mendonça determinou sua transferência imediata para o Sistema Penitenciário Federal, regime de maior isolamento e controle de comunicações, como condição para interromper sua capacidade de influência sobre os demais integrantes ainda em liberdade.
“Constata-se que decisão se baseia em fatos cuja comprovação da licitude e do lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele.
O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer.”
Eugênio Pacelli e Frederico Horta
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