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Pix virou ativo estratégico e preocupa empresas americanas

Publicado 03/06/2026 • 06:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O avanço do Pix transformou o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos em um ativo estratégico da economia digital, ampliando sua relevância para além do setor financeiro e atraindo atenção crescente dos Estados Unidos.
  • Segundo Victor Vaccari, o questionamento americano ao Pix está ligado principalmente ao impacto da ferramenta sobre empresas de cartões e meios de pagamento que perderam espaço com a popularização do sistema criado pelo Banco Central.
  • Para o especialista, a expansão internacional do Pix e sua capacidade de reduzir custos de transações podem representar uma ameaça ao domínio de plataformas tradicionais e até diminuir a dependência do dólar em determinadas operações.

O crescimento acelerado do Pix colocou o Brasil no centro de uma disputa que envolve tecnologia, pagamentos digitais e soberania econômica, afirmou Victor Vaccari, consultor de investimentos da API Capital. Na avaliação dele, o sistema brasileiro deixou de ser apenas uma ferramenta de transferência de recursos para se tornar um elemento estratégico dentro da economia digital.

Segundo Vaccari, a principal crítica dos Estados Unidos está relacionada ao impacto do Pix sobre empresas tradicionais do setor de pagamentos, especialmente as grandes bandeiras de cartão de crédito. “A criação brasileira, o Pix, tem incomodado muito os americanos, principalmente empresas de cartão de crédito”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta terça-feira (2).

O especialista destacou que o governo americano argumenta que o Banco Central favorece o Pix ao manter a gratuidade para pessoas físicas, criando uma vantagem competitiva em relação a outras formas de pagamento.

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Crescimento acelerado

Vaccari lembrou que os números alcançados pelo sistema brasileiro ajudam a explicar a preocupação crescente de empresas internacionais.

Segundo ele, o Pix movimentou mais de R$ 35 trilhões em 2025, distribuídos em cerca de 80 bilhões de transações ao longo do ano. “O crescimento do Pix aqui no Brasil é indiscutível”, afirmou.

Na avaliação do consultor, a expansão da ferramenta trouxe ganhos relevantes de eficiência para consumidores e empresas, reduzindo custos e simplificando operações financeiras. “Foi um crescimento estrondoso e muito interessante para a nossa economia”, destacou.

Expansão além do Brasil

Para Vaccari, a preocupação americana não se limita ao mercado brasileiro. Segundo ele, existe receio de que o modelo desenvolvido pelo Banco Central seja replicado em outros países, ampliando a concorrência contra sistemas tradicionais de pagamentos.

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O especialista citou o avanço do Pix em operações realizadas na Argentina como um exemplo desse potencial de expansão regional. “O crescimento é tão forte no Brasil que ele pode sim ser muito forte em outras regiões”, afirmou.

Segundo ele, uma das vantagens do sistema é permitir transações com menor custo e menos intermediários, reduzindo a dependência de estruturas tradicionais ligadas ao mercado financeiro internacional.

Menos espaço para intermediários

Vaccari avalia que o Pix alterou significativamente a dinâmica do setor de pagamentos ao reduzir a necessidade de utilização de determinadas operações realizadas por bandeiras de cartão.

No entanto, ele ressalta que isso não significa o desaparecimento dos cartões de crédito. “De forma alguma significa a morte do cartão de crédito”, afirmou.

Segundo o consultor, o Pix substituiu principalmente operações de débito, enquanto o crédito continua oferecendo funcionalidades distintas para consumidores e empresas. “São formas diferentes de pagamento”, observou.

Para ele, a preocupação das empresas americanas está mais relacionada ao crescimento futuro do mercado do que a perdas imediatas já registradas.

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Lobby e disputa regulatória

Na avaliação de Vaccari, a pressão sobre o Pix também reflete a influência exercida por grandes grupos econômicos junto às autoridades americanas.

Segundo ele, o debate não envolve apenas concorrência entre sistemas de pagamento, mas também interesses estratégicos ligados à manutenção de posições dominantes em mercados globais. “Pode ser que futuramente o crescimento dessas empresas seja prejudicado”, afirmou ao comentar as preocupações manifestadas por operadores tradicionais do setor financeiro.

O especialista observou ainda que o Banco Central brasileiro se tornou alvo de críticas por acumular as funções de regulador e operador da infraestrutura do Pix, argumento utilizado pelos Estados Unidos para questionar o modelo adotado pelo Brasil.

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Setores mais expostos

Além da discussão sobre pagamentos digitais, Vaccari comentou os possíveis impactos das tarifas de 25% propostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

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Segundo ele, segmentos que exportam bens industriais de maior valor agregado tendem a enfrentar riscos mais relevantes caso as medidas sejam implementadas. “Os setores de siderurgia, metalurgia, calçados, máquinas e equipamentos são os primeiros que vão sofrer caso esse tarifaço realmente ocorra”, afirmou.

Ainda assim, o consultor acredita que existe espaço para negociações até a definição final das medidas.

Negociação ainda em aberto

Vaccari destacou que a realização de consultas públicas nos Estados Unidos pode levar a ajustes na proposta original, especialmente em setores que afetam diretamente empresas americanas.

Segundo ele, diversos produtos estratégicos já foram incluídos em listas de exceção, reduzindo parte dos impactos inicialmente esperados.

“A gente tem que esperar realmente o dado concreto no final, a decisão concreta, para saber como isso pode afetar”, afirmou.

Para o especialista, o caso do Pix demonstra como inovação financeira, tecnologia e geopolítica passaram a caminhar cada vez mais juntas. “Em muitos setores não é algo contra os Estados Unidos, mas sim uma inovação nossa”, concluiu.

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