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Prejuízo ajustado da CVC mais que triplica e atinge R$ 51,3 milhões no segundo trimestre

Publicado 12/08/2026 • 21:58 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Receita líquida caiu 6,5%, para R$ 319,5 milhões, enquanto a taxa de receita sobre as reservas recuou de 8,9% para 8,2%.
  • Ebitda ajustado diminuiu 8,1%, para R$ 84,9 milhões; sem ajustes, o Ebitda caiu 30,2%, para R$ 60,8 milhões.
  • Na Argentina, a receita recuou 17,6% e o Ebitda ajustado despencou 82,8%, para R$ 2,3 milhões.

A CVC Corp registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 51,3 milhões no segundo trimestre de 2026, mais de três vezes os R$ 15,9 milhões negativos registrados no mesmo período do ano passado.

O resultado contábil também piorou. O prejuízo líquido chegou a R$ 72,5 milhões, ante R$ 46,4 milhões no segundo trimestre de 2025, aumento de aproximadamente 56%.

No acumulado dos seis primeiros meses do ano, a CVC acumula prejuízo ajustado de R$ 114,4 milhões, revertendo o lucro ajustado de R$ 8,1 milhões registrado no primeiro semestre de 2025. O prejuízo contábil do semestre chegou a R$ 144,9 milhões, contra R$ 53,9 milhões um ano antes.

Receita cai e margem encolhe

A receita líquida da companhia recuou 6,5% na comparação anual, para R$ 319,5 milhões.

A chamada take rate — parcela das reservas que efetivamente se transforma em receita para a CVC — caiu de 8,9% para 8,2%. No Brasil, a taxa passou de 9,7% para 8,6%.

A queda foi mais intensa no negócio voltado diretamente ao consumidor. A receita B2C no Brasil diminuiu 8,9%, para R$ 150,8 milhões.

A companhia atribuiu parte da pressão ao aumento dos preços das passagens aéreas e à maior participação de produtos que geram uma receita proporcionalmente menor, como cruzeiros marítimos.

As reservas confirmadas, por outro lado, ficaram praticamente estáveis no trimestre, em R$ 4,09 bilhões, avanço reportado de apenas 0,2%. No Brasil, houve alta de 4,1%, enquanto a Argentina registrou queda de 13%.

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Ebitda recua até 30%

O Ebitda ajustado consolidado caiu 8,1%, de R$ 92,3 milhões para R$ 84,9 milhões. A margem recuou de 27% para 26,6%.

Sem os ajustes feitos pela companhia, a queda foi mais acentuada: o Ebitda passou de R$ 87 milhões para R$ 60,8 milhões, retração de 30,2%. A margem caiu 6,4 pontos percentuais, para 19%.

A CVC contabilizou R$ 24,1 milhões em itens considerados não recorrentes no trimestre, ante R$ 5,3 milhões um ano antes. Desse total, R$ 19 milhões estão relacionados aos custos de desligamentos decorrentes da reestruturação e cerca de R$ 5 milhões a contingências cíveis e tributárias.

No Brasil, o desempenho foi diferente do consolidado. O Ebitda ajustado cresceu 4,7%, para R$ 82,6 milhões, com margem de 30,6%.

Argentina pesa no resultado

A receita líquida argentina caiu 17,6%, de R$ 60,4 milhões para R$ 49,7 milhões. O Ebitda ajustado da operação despencou 82,8%, de R$ 13,4 milhões para apenas R$ 2,3 milhões. A margem passou de 22,2% para 4,6%.

As reservas confirmadas no país também recuaram 13%, para R$ 804,6 milhões, enquanto as reservas consumidas caíram 13,2%.

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A CVC atribuiu o desempenho à desvalorização do peso argentino, à perda de poder de compra dos consumidores e à pressão dos preços dos serviços turísticos no país.

Despesa financeira aumenta

Outro fator que pressionou o resultado foi a despesa financeira líquida, que aumentou 9%, de R$ 74,8 milhões para R$ 81,6 milhões.

Os juros relacionados à antecipação de recebíveis cresceram 30,8% e chegaram a R$ 49,7 milhões. O saldo de recebíveis antecipados encerrou junho em R$ 1,36 bilhão, contra R$ 1,05 bilhão um ano antes.

A antecipação de recebíveis é utilizada pela CVC como fonte de liquidez: a empresa recebe antes os valores de vendas feitas no cartão, pagando juros por essa operação.

No primeiro semestre, o resultado financeiro negativo alcançou R$ 162,3 milhões, uma piora de 26,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Geração de caixa perde força

A companhia ainda gerou caixa no trimestre, mas em volume bem inferior ao registrado um ano antes.

O fluxo de caixa operacional caiu de R$ 131 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 60,2 milhões agora. O fluxo de caixa livre recuou de R$ 105,7 milhões para R$ 30,3 milhões.

No primeiro semestre, os dois indicadores ficaram negativos. O fluxo operacional foi de menos R$ 61,4 milhões, ante geração positiva de R$ 77,8 milhões um ano antes. Já o fluxo de caixa livre passou de R$ 32,1 milhões positivos para R$ 137,5 milhões negativos.

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CVC corta estrutura e fecha lojas

Em meio à pressão sobre os resultados, a companhia iniciou uma reestruturação em maio, com redução de níveis hierárquicos e extinção de três vice-presidências.

A administração estima potencial de redução de mais de R$ 80 milhões em custos ainda em 2026, sem considerar despesas com rescisões.

A rede brasileira também terminou o trimestre menor do que começou. Foram oito aberturas e 20 fechamentos, reduzindo o número de lojas ativas de 1.455 para 1.443.

Na Argentina, foram quatro aberturas e sete encerramentos, deixando a operação com 184 lojas. No total, a CVC terminou junho com 1.627 unidades nos dois países.

Apesar da piora em diversas linhas do balanço, a dívida líquida caiu para R$ 215 milhões, ante R$ 396,2 milhões um ano antes, e a alavancagem ficou em 0,5 vez o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses.

A companhia afirmou que espera capturar de forma mais ampla, a partir do terceiro trimestre, os efeitos dos cortes de despesas realizados em maio e citou a sazonalidade mais favorável do turismo de lazer no segundo semestre como fator para a recuperação dos resultados.

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