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Jovem de 18 anos faz fortuna garimpando tesouros em depósitos abandonados; renda extra chega a R$ 1 mi

Publicado 12/08/2026 • 22:15 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Jovem de 18 anos faturou cerca de US$ 135 mil em 2025 comprando depósitos abandonados e revendendo os objetos encontrados neles.
  • Michael Haskell começou o negócio em 2024 com um depósito de US$ 10 e chegou a vender obras de arte encontradas em uma unidade por US$ 36 mil.
  • Empreendedor dedica de 20 a 25 horas semanais ao negócio e afirma que a experiência mudou sua relação com consumo e bens materiais.

Valentina Duarte / CNBC Make It

Michael Haskell armazena grande parte de seu estoque na garagem da casa de sua mãe em Englewood Cliffs, Nova Jersey

O que é lixo para algumas pessoas se transforma em tesouro para Michael Haskell.

O jovem de 18 anos compra depósitos abandonados na região metropolitana de Nova York e vende o conteúdo encontrado neles. Seu negócio, Mike’s Unique Treasures, faturou cerca de US$ 135 mil (R$ 699,3 mil) em 2025 com vendas pelo eBay e em leilões, além de outros US$ 85 mil (R$ 440,3 mil) entre janeiro e meados de julho, segundo documentos analisados pela CNBC Make It.

As iniciativas empreendedoras de Haskell não começaram por aí. Durante a infância e a adolescência, ele vendia livros por alguns dólares no eBay ou comprava peças mais raras de Lego e as guardava para revendê-las com lucro depois que saíssem de linha. “Eu nunca soube o que faria” profissionalmente, diz Haskell. Mas “sempre achei que faria alguma coisa por conta própria”.

Essa é uma ideia compartilhada por muitos jovens. A Geração Z está contribuindo de forma “desproporcional” para o recente crescimento na abertura de empresas, segundo um relatório de julho do Bank of America Institute. Em junho, o crescimento dos pedidos de abertura de empresas entre integrantes da Geração Z foi mais que o dobro do registrado entre millennials e integrantes da Geração X. Dados internos do banco também apontam que os fundadores estão “ficando significativamente mais jovens”, afirma o relatório, observando que “com trabalhadores mais jovens enfrentando um mercado de trabalho difícil, abrir uma empresa pode ser visto como um caminho alternativo para aumentar a renda e avançar na carreira”.

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Haskell decidiu apostar nos depósitos em parte para se diferenciar de seus colegas. “Eu olhava ao redor e via todo mundo com média 4,0 e ficava um pouco inseguro”, diz ele, já que não tinha o mesmo desempenho. Ao pensar na faculdade, conta que se perguntava: “Como eu iria me diferenciar dos demais?”

As universidades vêm recebendo um volume crescente de candidaturas: o Common App, usado anualmente por mais de 1 milhão de estudantes para se candidatar a diversas instituições, afirma que o número de candidatos e inscrições continua crescendo ano após ano. Durante o ciclo de admissões de 2025-2026, a organização registrou, até 1º de março, aumento de 2% no número de candidatos e de 5% no total de inscrições, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Uma reprise casual de “Storage Wars” também influenciou Haskell: “Fiquei meio viciado a partir daí”, conta. No início de 2024, Haskell diz ter comprado seu primeiro depósito abandonado por US$ 10 (R$ 51,80) e vendido por US$ 40 (R$ 207,20) um cilindro de dióxido de carbono que encontrou no local. Pouco tempo depois, já conciliava regularmente a escola com sua atividade paralela.

“Eu ia aos depósitos aos sábados e domingos e corria para voltar e estar pronto para a escola na segunda-feira”, diz Haskell, que se formou em junho.

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Ele não sabe dizer o que o futuro reserva para seu negócio: “Talvez o início da faculdade seja o pior momento para meu negócio de depósitos, ou talvez seja o melhor”. Mas, para ele, não há problema, porque, de qualquer forma, diz que a experiência valeu a pena.

Em busca de pistas

Haskell vê algumas fotos dos depósitos que compra, mas não sabe de antemão exatamente o que há dentro deles. Isso faz parte da emoção.

Sua aposta mais lucrativa aconteceu logo no início, quando ele diz ter gasto US$ 450 (R$ 2.331) em um depósito que descobriu ter pertencido ao desacreditado marchand de Manhattan Andrew Crispo. O espaço continha uma pintura de Man Ray, um dos principais nomes dos movimentos dadaísta e surrealista, além de vários esboços do pintor modernista Walt Kuhn, que, juntos, foram vendidos por US$ 36 mil (R$ 186,48 mil).

Acertar esse “jackpot” convenceu seus pais de que ele havia encontrado uma oportunidade e, desde então, serve de motivação, conta: “Toda vez que estou dirigindo para um depósito, penso: será que este vai ser o próximo Crispo?”

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O sucesso no negócio de Haskell se resume a juntar pistas sobre a vida do antigo proprietário do depósito, segundo ele. Objetos relacionados à universidade onde alguém estudou, por exemplo, não necessariamente valem muito dinheiro, mas sugerem que o proprietário tinha formação universitária, o que, por sua vez, pode indicar a existência de itens mais caros em outras partes do depósito. “A maneira de ganhar dinheiro não é olhando para as coisas que estão diretamente à sua frente”, afirma. “É conectando os pontos entre vários pequenos itens que podem não ser óbvios.”

Haskell consulta regularmente alguns sites que permitem aos usuários encontrar e dar lances em depósitos abandonados. Com alguns amigos, ele também desenvolveu uma ferramenta de IA que procura nomes conhecidos associados aos depósitos.

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Depois de comprar um depósito, normalmente por US$ 500 (R$ 2.590) ou menos, ele passa algumas horas esvaziando o espaço antes de transportar, separar, anunciar e armazenar o conteúdo na casa de sua mãe, em Englewood Cliffs, Nova Jersey, até que os itens sejam vendidos. Haskell diz que às vezes usa ferramentas como Google Lens ou ChatGPT, ou compara anúncios do eBay, para estimar os preços de mercado dos objetos que encontrou.

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Atualmente, ele calcula dedicar de 20 a 25 horas por semana ao negócio. Nas centenas de horas que já investiu na atividade, aprendeu a reconhecer algumas das coisas que as pessoas costumam guardar, mas ainda há surpresas frequentes, afirma. Cada proprietário e “cada depósito é diferente”.

Casa também é estoque

Ao caminhar pela mistura eclética de móveis e objetos decorativos na casa de sua mãe, às vezes é difícil distinguir o que pertence à família daquilo que veio de um depósito: há luminárias antigas, esculturas artesanais de felinos selvagens em madeira, inúmeras conchas e pinturas de praticamente todos os tamanhos e estilos artísticos imagináveis.

As estantes da garagem estão ocupadas de forma compacta, mas organizada, por recipientes com diversos itens, de tênis Nike a relíquias da época da Guerra Fria, identificados com uma descrição ou número de lote escrito com marcador preto. Um longo corredor que liga a garagem à casa está repleto de caixas de papelão, caixotes de discos de vinil, alguns móveis de madeira e altas pilhas de livros. Haskell estima que existam entre 2 mil e 3 mil títulos espalhados pela casa.

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Esses itens podem permanecer na casa de sua mãe por um período que varia de duas semanas a dois anos, enquanto ele espera pela venda. Ou, se algum objeto encontrado em um depósito chamar sua atenção, como um tapete ornamentado ou uma luminária, ele fica com a peça.

Haskell diz que observar sua mãe negociando em vendas de espólio no passado o ensinou a fazer estimativas aproximadas de preços. Quando ainda era menor de idade, sua mãe o ajudava assinando a documentação dos depósitos. Às vezes, ela também coordenava as negociações com compradores para concluir vendas enquanto Haskell estava em aula.

Quando conciliar a escola e o negócio se tornava desgastante, ele pensava novamente na euforia de encontrar os objetos de Crispo, conta: “Encontrei um bom depósito. Então vamos buscar outro.”

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Repensando suas próprias coisas

Depois de dois anos revendendo o conteúdo de depósitos, Haskell não assiste mais a “Storage Wars”, programa que, segundo ele, não retrata seu trabalho com precisão. “Há muita pesquisa envolvida que não é mostrada”, afirma.

Haskell acredita que, como esperava, seu negócio o ajudou a entrar na Emory University, em Atlanta. Sua redação para o processo de admissão à faculdade foi centrada na experiência de tentar devolver uma Purple Heart, condecoração militar americana, que encontrou em um dos depósitos. Ele localizou um endereço em um pacote encontrado no mesmo espaço e foi até lá para tentar devolver a medalha. Mas ninguém respondeu às suas batidas na porta nem a uma carta. Como não quer vender a condecoração, decidiu guardá-la por enquanto.

Enquanto se prepara para seguir para o sul dos Estados Unidos para seu primeiro ano de faculdade, Haskell diz não saber o que acontecerá com seu negócio nos próximos quatro anos ou depois de se formar. Ele espera que seja mais difícil continuar a atividade em Atlanta, porque a região não é tão densamente povoada quanto Nova York, e está analisando outras ideias de negócios, como construir e administrar instalações de armazenamento ou comprar e reformar imóveis para revenda.

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Ele ainda não está encerrando a Mike’s Unique Treasures, mas afirma que, mesmo que não mantenha o negócio no longo prazo, já aprendeu algumas lições que levará consigo. A experiência “realmente mudou a maneira como vejo as coisas”, diz. Hoje, compra menos e prefere investir em itens antigos e de segunda mão, como móveis e roupas, que, segundo ele, muitas vezes têm qualidade superior.

“Especificamente nos Estados Unidos, as pessoas compram coisas novas demais”, acrescenta. Acumular cada vez mais objetos apenas por acumular, ou para ter mais bens materiais, não vale a pena, afirma: se algo não tiver valor financeiro ou sentimental, “aprenda a se desfazer das suas coisas”.

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