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Produtores de carne veem espaço para aumento do consumo, mas apontam gastos com bets como entrave
Publicado 05/05/2026 • 21:06 | Atualizado há 43 minutos
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Publicado 05/05/2026 • 21:06 | Atualizado há 43 minutos
KEY POINTS
Divulgação/Abiec
A preocupação com avanço das apostas online no Brasil e o impacto no comportamento do consumidor já era uma pauta encampada pelos supermercadistas. Agora, ganha o apoio dos produtores brasileiros de carne. O setor teme perder a oportunidade de aumento do consumo da proteína bovina no mercado nacional neste ano. Isso tudo, pelo movimento já constatado pela Abras, a Associação Brasileira dos Supermercados: o crescimento das chamadas bets está corroendo a renda disponível e, com isso, alterando o padrão de consumo no país.
O aumento da renda não está seguindo a tendência de aumento no consumo de alimentos pela população. A possibilidade de folga financeira está sendo direcionada para as apostas online.
“Tudo que é gasto em bets retirou R$ 970 bilhões do atacarejo”, relatou o presidente da Abiec, a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne, Roberto Perosa, com base em dados consolidados pelo setor supermercadista. “Não queremos fechar as bets, mas medidas mais restritivas”, explicou Perosa numa conversa com jornalistas na semana em que viaja para mais uma missão à China, hoje o principal mercado para a carne brasileira, mas que impôs uma cota de exportação e uma sobretaxa salgada de 55% sobre tudo aquilo que superar 1,1 mil toneladas estabelecidas para este ano.
“Nós queremos que o consumo aumente internamente. A queda na exportação aumenta a oferta interna. E o crescimento do consumo poderia ser maior. A renda aumentou, mas não houve aumento de consumo”, detalhou o presidente da entidade que representa a indústria de carne bovina brasileira. A preocupação já foi apresentada ao governo. Inclusive, com sugestões de medidas que poderiam ser tomadas para evitar a corrosão da renda.
Dentre as propostas apresentadas pela Abiec, estão o bloqueio de URLs (endereços) de sites ilegais de apostas; o bloqueio de pix para bets ilegais; e a proibição de cassinos online, ou seja, qualquer atividade que não estejam relacionadas a apostas esportivas.
A questão é uma das atuais frentes de trabalho da Associação. A principal é encontrar soluções viáveis para manter a produção e a atividade do setor depois de atingir o limite da cota de exportação estabelecida pelo governo chinês para a carne brasileira neste ano.
Mas a indústria exportadora já trabalha com a previsão de encerramento do fluxo produtivo voltado para a China entre o fim deste mês e começo do próximo, para só retomá-lo entre a última quinzena de outubro e a primeira de novembro, tempo suficiente para atender a demanda aberta com a nova janela da alíquota que começa em 1º de janeiro de 2027.
De qualquer forma, serão cinco meses sem produzir e, consequentemente, vender para a China. “Não existe nenhum mercado com consumo parecido para redirecionar a carne”, alerta Perosa. “Ou se acham novos destinos ou se reduz a produção. Estamos buscando. Hoje, nós exportamos para 177 países”.
Para Perosa, a solução mais próxima de chegar perto da demanda chinesa seria a abertura de três novos mercados: Japão, Coreia do Sul, e Turquia. Mas não há prazos nem certezas até mesmo em relação ao mercado japonês, que é, virtualmente, o mais avançado nas tratativas oficiais lideradas pelos dois governos.
Enquanto isso, segue o pedido para que o governo federal regule a cota de exportação para a China. “O governo tem que ajudar na organização das cotas internas no Brasil”, reforçou Perosa.
Cota de exportação Mercosul-UE
Cota também é uma preocupação relacionada ao acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que entrou em vigor no último dia 1º/5. Enquanto não houver acordo entre os países, caberá aos europeus a definição da origem do volume de carne bovina exportado dos quatro países sócios do Mercado Comum do Sul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – para os consumidores europeus, segundo o presidente da Abiec.
Para encaminhar uma definição, o setor privado deve fazer uma reunião para tentar entender as demandas do Paraguai. “E pressionar governos a conversar com o Paraguai”, antecipou Perosa. “O Paraguai tem 2% de Market Share, mas quer ficar com 25%. Essa divisão tem que ser de acordo com a capacidade produtiva”, defendeu.
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