Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Operação Sem Refino expõe conexão entre economia, política e crime organizado
Publicado 14/08/2026 • 16:57 | Atualizado há 2 meses
Google suspende obras de data centers na Finlândia em meio a plano de US$ 15 bilhões
Rubio diz que Teerã perdeu “múltiplas” oportunidades de acordo nuclear em meio a impasse com Irã
Taxas de hipotecas atingem maior nível em quase 3 anos e demanda continua a cair
Assistente Muse, da Meta, lidera downloads; mas app precisa virar hábito
Ações da SpaceX voltam a disparar, mas desta vez há uma diferença importante
Publicado 14/08/2026 • 16:57 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A nova fase da Operação Sem Refino reforça as investigações sobre possíveis fraudes no mercado de combustíveis e evidencia conexões entre atividades econômicas, crime organizado e agentes políticos, na avaliação de Theodoro Balducci, advogado criminalista e especialista em Direito Penal Econômico. Em entrevista nesta sexta-feira (14) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Balducci explicou que as características do setor também podem facilitar práticas como a lavagem de dinheiro.
Balducci explicou que a grande quantidade de operações envolvendo valores relativamente pequenos e a pulverização dos pagamentos tornam o segmento particularmente suscetível a esse tipo de crime.
“O setor de combustíveis, como qualquer outro setor que envolve muita frequência de venda em valores relativamente pequenos, se torna um setor com muita facilidade para lavagem de dinheiro”, afirmou. Segundo o criminalista, são atividades que permitem “com alguma facilidade pagamentos em dinheiro e pagamentos de maneira bastante pulverizada”, o que pode favorecer a ocultação da origem dos recursos.
Leia mais: Cláudio Castro é alvo de buscas em operação da PF que investiga sonegação de R$ 52 bilhões da Refit
Além das movimentações financeiras, Balducci apontou que o próprio produto comercializado pode abrir espaço para irregularidades, apesar da forte regulamentação existente no mercado.
“É também um setor que, apesar de altamente regulado, a gente sabe que acaba enfrentando uma série de possibilidades de fraude também no próprio combustível”, explicou. Para ele, uma das dificuldades está na capacidade de fiscalização pelo consumidor: “É muito difícil, muitas vezes, o consumidor saber o que está colocando dentro do seu carro.”
Na segunda fase da Operação Sem Refino, as investigações avançam sobre eventuais fraudes relacionadas às licenças para comercialização de combustíveis, além de suspeitas de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
Leia também: Apostas ilegais: investigação da Polícia Federal revela estrutura usada para esconder dinheiro
“Essa nova fase da Operação Sem Refino busca investigar eventuais fraudes nas licenças para comercialização de combustíveis, além de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal”, pontuou Balducci. Ele acrescentou que há também notícia de possíveis crimes contra o sistema financeiro e que essas diferentes condutas podem levar a investigações relacionadas à lavagem de dinheiro.
Outro ponto analisado pelo criminalista envolve as suspeitas relacionadas à concessão de licenças. Caso uma fraude seja comprovada e esteja associada ao recebimento de vantagem indevida por agentes públicos, a investigação poderia alcançar também eventuais crimes de corrupção.
“Fraudes em licenças de combustível, se efetivamente ocorreram, há aí uma possibilidade também de nós falarmos potencialmente em um crime de corrupção”, explicou. Segundo Balducci, como funcionários públicos participam da emissão dessas autorizações, uma eventual fraude associada a interesse financeiro poderia configurar vantagem indevida.
Leia também: PF cumpre mandado contra o advogado Nelson Willians em investigação de fraudes bilionárias com apostas ilegais
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCQuestionado sobre como poderia ocorrer uma irregularidade envolvendo uma licença ambiental, o advogado ressaltou não conhecer o conteúdo específico dos documentos investigados, mas exemplificou uma possível situação. “Eventualmente há uma análise jurídica que se faz de olhar: aqui não é possível ter uma refinaria de combustíveis, por exemplo. E aí se faz uma licença ambiental, se autoriza essa refinaria com conteúdo ideologicamente falso”, disse.
Balducci também destacou que a investigação apura uma eventual ligação entre o grupo Refit e empresas relacionadas ao crime organizado, como o PCC. Segundo ele, essa circunstância também apareceu em outras investigações, como as operações Carbono Oculto e Poça de Lobato.
A presença de nomes ligados à política do Rio de Janeiro entre os investigados também foi abordada durante a entrevista. Na avaliação de Balducci, as apurações mostram um quadro mais amplo de aproximação entre estruturas políticas e organizações criminosas.
Leia também: PF cumpre mandado contra o advogado Nelson Willians em investigação de fraudes bilionárias com apostas ilegais
“Revela justamente um imbricamento entre política e crime organizado”, afirmou. O advogado lembrou que diferentes ex-governadores do Rio de Janeiro já foram alvo de medidas judiciais ao longo dos anos e acrescentou que esse tipo de conexão aparece com frequência no estado.
Para Balducci, as relações identificadas entre empresas e diferentes investigações também demonstram que a atuação do crime organizado alcança diversos segmentos econômicos e políticos. “Essas interligações entre essa empresa, essa operação, outras operações também mostram que o crime organizado está bastante espraiado em vários ramos da economia e da política nacional, infelizmente”, ressaltou.
A entrevista também abordou a situação de Ricardo Magro, empresário dono da Refit, que teve a prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) durante a primeira fase da Operação Sem Refino, em maio de 2026.
Leia também: Polícia indicia dois representantes do Goldman Sachs por estelionato e fraude no caso Oncoclínicas
Balducci explicou que Magro estava fora do Brasil quando a ordem foi expedida e permaneceu no exterior. “Foi acionada a difusão vermelha da Interpol, mas ele continua foragido, ele ainda não foi encontrado para essa prisão preventiva ser efetivada”, afirmou.
Segundo o criminalista, localizar e prender uma pessoa no exterior exige não apenas descobrir em qual país ela se encontra, mas também estabelecer cooperação com as autoridades locais. “É difícil acabar prendendo quando se encontra fora do país, porque se demanda não apenas a localização da pessoa, mas também uma cooperação com as polícias locais por meio da Interpol”, explicou.
Balducci ressaltou ainda que a Interpol não funciona como uma polícia internacional independente, mas como um mecanismo de cooperação entre forças policiais nacionais, facilitando o intercâmbio de informações.
“Não há notícia de onde ele esteja. Não é que ele está em um determinado lugar e não se busca prendê-lo. Não se sabe onde ele está, efetivamente”, concluiu.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings
Maiores Audiências
1
Lotofácil: concurso 3.798 tem prêmio de R$ 5 milhões; confira o resultado
2
DECISÃO 2026: Caiado anuncia apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial
3
CEO da Nokia afirma que data centers seriam construídos “duas vezes mais rápido” sem restrições de fornecimento
4
Microsoft garante exclusividade de streaming de GTA 6 no lançamento pelo Xbox Cloud Gaming
5
Casas Bahia corta estoque em 40% e reduz quadro em 4,6 mil pessoas