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Tarifa dos EUA pressiona exportações e dificulta reorganização das cadeias de suprimentos
Publicado 22/07/2026 • 20:47 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 22/07/2026 • 20:47 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já provoca impactos em diferentes setores da economia e deve gerar efeitos duradouros sobre as cadeias globais de suprimentos.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Paulo Rezende, diretor do Núcleo de Infraestrutura, Logística e Supply Chain da Fundação Dom Cabral, afirmou que a principal consequência da medida é o aumento da imprevisibilidade para exportadores e operadores logísticos.
Os segmentos mais afetados devem ser os de máquinas e equipamentos, bens manufaturados e parte da agroindústria. No caso da indústria de transformação, ele destaca que os setores de calçados e vestuário estão entre os mais expostos às tarifas, enquanto, no agronegócio, produtos como açúcar, sucos e itens da cadeia madeireira também passaram a enfrentar a sobretaxa.
Rezende ressalta que o impacto não se restringe aos embarques futuros. Contratos assinados antes da entrada em vigor da medida, em geral, não contam com proteção contra mudanças tarifárias, o que obriga empresas brasileiras e compradores americanos a renegociarem preços, prazos e a divisão dos custos adicionais.
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“O que existe agora é uma corrida pelos chamados aditivos contratuais. Exportadores e importadores precisam renegociar preços, prazos e a divisão desses custos adicionais para salvar as parcerias comerciais.”
A situação é ainda mais delicada para empresas que produzem bens sob encomenda. Como esses produtos são desenvolvidos para clientes específicos, muitas vezes não há possibilidade de redirecionar a produção para outros mercados, tornando a negociação mais complexa.
O tarifaço também afeta diretamente o setor logístico. A redução ou o adiamento de embarques diminui a demanda por fretes e dificulta o planejamento de transportadoras e operadores portuários, que passam a lidar com maior incerteza sobre rotas, utilização de frotas e investimentos.
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Siga o Times | CNBC“Os operadores logísticos e as transportadoras são os primeiros grandes afetados. A principal dor é a incerteza, que dificulta o planejamento de rotas, a compra de combustíveis e a alocação de frotas no longo prazo.”
Segundo ele, os efeitos já começam a ser percebidos nos portos das regiões Sul e Sudeste, que vinham registrando crescimento na movimentação de cargas destinadas aos Estados Unidos.
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Com a mudança no fluxo comercial, esses terminais podem enfrentar aumento da ociosidade enquanto buscam atender novos mercados, principalmente na Ásia e no Oriente Médio.
Embora empresas exportadoras estejam intensificando a busca por novos destinos, o especialista alerta que a reorganização das cadeias logísticas internacionais não ocorre de forma imediata.
Rotas marítimas, contratos de transporte e disponibilidade de navios são planejados com antecedência e possuem limitações operacionais.
“A adaptação das cadeias de suprimento é bastante difícil. Os contratos são de longo prazo e o tarifaço gera, acima de tudo, imprevisibilidade sobre o futuro.”
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