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Google afirma ter dado o maior salto da história da robótica, e o robô que rega plantas sozinho quase convence; veja as imagens
Publicado 09/08/2026 • 15:58 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 09/08/2026 • 15:58 | Atualizado há 2 horas
Confesso que assisti ao vídeo três vezes seguidas, tentando entender se estava vendo o futuro ou só mais um comercial bem editado do Vale do Silício. Não é fácil separar as duas coisas, ainda mais quando quem publica o vídeo é o próprio Google.
Mas esse aguenta o replay. O protagonista é o Apollo 2, humanoide branco e cinza que recebe uma ordem meio boba, coloca o regador de plantas na lixeira verde, na prateleira de baixo, e cumpre a tarefa sem parecer que está decorando um script.
Ele anda até a mesa, pega o regador, vira o corpo inteiro na direção da estante certa e guarda o objeto exatamente onde devia. Parece pouco, você diria, se não soubesse que até bem pouco tempo isso era proeza de laboratório.
A cena foi gravada pela Google DeepMind no Robot Park, um galpão de testes em Austin, no Texas, e divulgada na quinta-feira (30) para anunciar o Gemini Robotics 2, a nova geração de inteligência artificial que a empresa descreve como o maior salto de robótica que já deu.

Até a versão anterior, o cérebro de IA da DeepMind só sabia comandar a metade de cima de um robô, os braços, as mãos, o tronco fixo numa bancada. Ótimo pra separar parafusos. Péssimo pra qualquer coisa que exigisse atravessar a sala.
O Gemini Robotics 2 resolve isso. Carolina Parada, que comanda a robótica da DeepMind, contou à revista Wired que o sistema agora controla o corpo inteiro do robô, dos pés às pontas dos dedos. Ela chamou isso de um passo rumo à tal inteligência artificial física de uso geral, expressão que hoje parece obrigatória em qualquer anúncio do setor.
Nos testes divulgados pela empresa, o Apollo 2 acertou 92% das vezes ao desparafusar uma lâmpada, usando uma mão de cinco dedos com 22 graus de liberdade. Bom número. Só não é cem por cento, o que convém lembrar antes de imaginar um robô trocando a lâmpada de casa sem supervisão.
Leia também: Google fez da nuvem seu negócio mais lucrativo na corrida bilionária pela inteligência artificial
A parte que realmente importa nesse anúncio não é o robô andando, é o que a Google chama de portabilidade, um jeito elegante de dizer que o mesmo cérebro artificial aprende a comandar corpos completamente diferentes sem precisar recomeçar do zero.
O sistema roda em três camadas. Uma cuida do movimento, convertendo o que o robô vê e ouve em ação física. Outra faz o raciocínio mais alto, planeja tarefas longas e organiza vários robôs trabalhando em equipe. E tem uma terceira, mais leve, que roda direto na máquina, sem internet, útil justamente quando o robô está longe de qualquer wi-fi.
Essa versão leve aprende a controlar um robô novo, com formato, sensores e articulações diferentes, usando menos de 200 exemplos e algumas horas de treino. Não meses, horas. Na prática, o cérebro que hoje move o Apollo 2 já é testado em parceria com Boston Dynamics, Agile Robots e Franka Robotics, fabricantes de robôs que fisicamente não têm nada a ver uns com os outros.
🔍 Um modelo de visão, linguagem e ação, ou VLA na sigla em inglês, é um sistema que enxerga uma cena pela câmera, entende uma instrução e transforma isso em movimento. A mesma lógica de um chatbot, só que em vez de responder com texto, ele responde com um braço mecânico se mexendo.

É essa portabilidade que faz analistas do setor compararem o momento ao salto que os modelos de linguagem deram, quando um único sistema passou a substituir milhares de programas feitos sob medida. Antes, cada robô nascia do zero, com engenharia própria. Agora a inteligência virou produto, coisa que se instala, não que se constrói junto com a máquina.
E isso muda quem lucra nessa cadeia. Se o cérebro é portátil e pertence à Google, o valor de mercado migra do fabricante do corpo pra quem controla o software que faz esse corpo pensar. Mesma lógica do celular, quando o sistema operacional passou a valer mais do que a caixa de metal ao redor dele.
A Google não está sozinha nessa aposta. A Tesla segue empurrando o Optimus, a Figure levanta rodada bilionária atrás de rodada bilionária, mas a DeepMind chega com algo que os concorrentes ainda não mostraram com a mesma clareza, um cérebro que troca de corpo sem precisar aprender tudo outra vez.
A própria empresa reconhece os limites, o que já é um alívio, considerando o histórico do setor de prometer mundos e fundos. Parada disse que os movimentos finos com os dedos ainda são um desafio e que a velocidade do robô está longe da humana. O Apollo 2 caminha, mas caminha devagar, como quem calcula cada passo antes de confiar no próprio equilíbrio.
O acesso também segue restrito. O modelo de raciocínio está em prévia pública no Google AI Studio, mas as versões que movem o corpo do robô ficam com pouco mais de cem parceiros escolhidos a dedo. Raio de segurança que a Google diz ser proposital, afinal ninguém quer uma máquina autônoma pesada dividindo o corredor com gente de carne e osso antes da hora.
Leia outras colunas em AI-451.
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