Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Enquanto olha para a Europa, o Brasil pode perder a Índia
Publicado 29/01/2026 • 11:36 | Atualizado há 3 meses
Ações de Boeing, veículos elétricos e chips ficam no radar durante negociações entre Trump e Xi
CEO da Allegiant defende modelo de baixo custo após conclusão da compra da Sun Country
SoftBank registra ganho de US$ 46 bilhões com aposta bilionária na OpenAI
Ações da Cisco disparam 17% após salto em pedidos de IA, apesar de corte de 4 mil empregos
CEO da Nvidia se junta à viagem de Trump à China após ligação do presidente dos EUA
Publicado 29/01/2026 • 11:36 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Gemini
O cenário do comércio exterior brasileiro vive um paradoxo. Enquanto a diplomacia celebra a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, o empresariado deve reconhecer que a euforia europeia pode ser uma miopia estratégica. A Europa, com suas crescentes exigências ambientais e regulatórias, impõe barreiras não tarifárias que, na prática, dificultam o acesso a diversos produtos nacionais. Paralelamente, a instabilidade protecionista do Hemisfério Norte, evidenciada pelas tarifas agressivas de até 50% impostas pela administração Trump em 2025, exige uma reorientação imediata de nossas cadeias de valor. A resposta a essa fragmentação global não está no Ocidente, mas sim no Oriente: a Índia.
A Índia não é apenas uma alternativa, mas o destino lógico para o volume e o pragmatismo que o Brasil precisa. Sua dinâmica econômica hoje remete à China de uma década atrás: um país em franca urbanização, com uma mão de obra jovem e competitiva, e uma demanda colossal por infraestrutura e insumos básicos. Com projeção de crescimento do PIB em torno de 6,5% para 2025, a Índia se consolida como a economia de maior expansão global. O profissional de Comex deve enxergar o mercado indiano como o hedge estratégico contra o risco geopolítico.
Leia também: Petrobras fecha contratos bilionários e amplia presença no mercado da Índia
Nossa relação bilateral, que movimentou US$ 12,1 bilhões em 2024, é de complementaridade essencial. O Brasil tem a missão de alimentar o gigante asiático, exportando açúcares, óleos vegetais e, com potencial de crescimento, proteínas animais. Em contrapartida, a Índia, como a “farmácia do mundo”, fornece insumos farmacêuticos e químicos vitais para o nosso agronegócio. É um ciclo virtuoso: o Brasil garante a segurança alimentar e energética indiana, enquanto acessa bens de capital e componentes com custos competitivos, essenciais para a modernização de nossa indústria.
O momento de mudar a rota é agora. Enquanto o Mercosul negocia a ampliação de seu acordo preferencial com a Índia, o empresário brasileiro deve se antecipar. A Índia “precisa de tudo”, e o Brasil tem a capacidade de suprir essa demanda. Ignorar este mercado em franca ascensão, fixando-se apenas nas incertezas do Ocidente, é um erro que custará a vanguarda do comércio exterior nas próximas décadas.
Marcela Macedo Ferraz é especialista em Comércio Exterior e Internacionalização de Empresas. Diretora da Laxl International Trading e da CBUP Global, Marcela é coordenadora do curso de Pós-graduação em Comércio Exterior e Internacionalização de Empresas do IPOG.
Mais lidas
1
Dívidas dos clubes brasileiros batem R$ 16 bilhões em 2025; veja ranking
2
Linha do tempo: como os sócios da Naskar abandonaram a sede e sumiram com o dinheiro de investidores
3
BC multa Banco Topázio em R$ 16,2 milhões, veta operações com cripto e põe outras instituições no radar
4
Por que a Enjoei decidiu encerrar a Elo7? Entenda o que levou ao fechamento
5
Rombo contábil de R$ 5 bilhões na Aegea afeta Itaúsa e adia planos de IPO