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Raphael Coraccini

Grupo português dribla marcas globais e terá 21 hotéis sob administração no Brasil até 2028

Publicado 18/09/2026 • 09:05 | Atualizado há 5 horas

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

KEY POINTS

  • Vila Galé pretende ampliar de 13 para 21 o número de hotéis no Brasil até 2028.
  • Rede portuguesa já confirmou oito novos empreendimentos e negocia outras duas unidades.
  • Grupo prevê entrar na região Sul e aponta tributação e diferenças regulatórias como desafios para investir no país.
Vista aérea do Vila Galé Cumbuco, no Ceará, com estruturas do resort à beira-mar.

Divulgação/Vila Galé

Vista aérea do Vila Galé Cumbuco, no Ceará; rede portuguesa prevê chegar a 21 hotéis no Brasil até 2028.

O grupo que administra o Vila Galé, uma das redes mais importantes de hotelaria de Portugal, quer avançar sobre a concorrência no Brasil com um modelo de negócios pouco comum no setor: ele concentra todas as etapas, da construção a da administração do hotel, enquanto os grandes grupos apenas administram ou cedem a marca para franqueados.

O Vila Galé tem 13 empreendimentos no Brasil e ensaia outros 10, sendo que oito já estão confirmados nos próximos dois anos e outros dois hotéis devem ser anunciados em breve. Ao longo dos seus 25 anos operando no Brasil, o grupo tem mantido os lucros obtidos no Brasil para expansão da sua rede local, confiando que os investimentos por aqui ainda precisam de fôlego para que, mais adiante, haja o retorno do capital para a matriz.

O grupo português já trabalha nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, e agora ensaia a entrada na região Sul, em Florianópolis, com unidade já confirmada, e em Curitiba, ainda não sacramentada, mas que está em fase final de acerto. “Nós continuamos muito interessados na situação do Brasil, temos já oito hotéis planejados para os próximos dois anos e vamos continuar a expandir”, afirma Gonçalo Rebelo, administrador do Villa Galé.

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Rebelo, que é português, fala sobre os desafios e as possibilidades de um grupo português investir no Brasil. Ele conta que o mercado brasileiro de turismo vinha crescendo, mas sofreu bastante durante a pandemia e segue com dificuldades para recuperar o patamar de atração que tinha atingido antes da pandemia. Fala ainda que boa parte disso acabou migrando para mercados já consolidados ou mesmo para concorrentes emergentes. Hoje, mais de 80% dos clientes do Vila Galé no Brasil são locais, enquanto em Portugal a relação é quase inversamente proporcional.

O desafio, segundo o empresário, é o Brasil ter uma política de incentivo ao turismo que seja perene. Disse que, em Portugal, a mesma política de incentivo ao turismo tem sido mantida há 30 anos, independentemente das mudanças no comando do país, que foram muitas. A perpetuação da política para o turismo acabou consolidando Portugal como um dos destinos mais proeminentes na Europa, inclusive para brasileiros.

O Brasil, de acordo com Gonçalo, precisa reunir esforços em torno de um projeto de desenvolvimento do país e incluir o turismo como diferencial competitivo.

“O principal desafio para um investidor internacional tem a ver com a dimensão continental e a forma de organização do país”, avalia. Ele menciona também desafios tributários e as diferenças de conduta dos diferentes entes federativos, o que aumenta a insegurança jurídica.

Brasil ganha peso dentro do grupo

A operação brasileira ganhou espaço nos resultados do Vila Galé em 2025. Segundo a companhia, a contribuição do país para a rentabilidade do grupo cresceu 23% em relação ao ano anterior e já se aproxima do peso das operações de Portugal e Espanha, mesmo com um número menor de hotéis.

Os hotéis brasileiros registraram 743 mil quartos ocupados no ano, alta de 12% em relação a 2024, enquanto a ocupação média ficou em 50%. O EBITDA da operação no país atingiu R$ 293 milhões.

O grupo também informou ter seis novos projetos em desenvolvimento no Brasil, que somam 1.209 quartos e investimentos de € 103 milhões. As unidades estão previstas para Alagoas, Santa Catarina, Minas Gerais e Maranhão.

Entre os projetos estão dois hotéis em Coruripe, um deles voltado exclusivamente para famílias com crianças, além de unidades em Florianópolis, Brumadinho e duas em São Luís.

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