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Protagonistas: “Se você está ali, tem condição de estar ali”, diz Renata Heranio, CEO da Tecnobank, sobre liderança feminina

Publicado 30/10/2026 • 21:28 | Atualizado há 6 dias

KEY POINTS

  • Renata Herani afirma que a maternidade ampliou sua ambição profissional e reforçou a importância de liderar pelo exemplo.
  • CEO da Tecnobank deixou o governo federal em busca de autonomia e para evitar associação a um grupo político específico.
  • Executiva relata situações de assédio e defende segurança emocional para enfrentar preconceitos e cobranças por perfeição.

Renata Herani, CEO da Tecnobank, afirmou que a maternidade a tornou mais ambiciosa e mudou sua maneira de exercer a liderança. Em entrevista nesta sexta-feira (30) ao quadro Protagonistas, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a executiva contou que passou a encarar a trajetória profissional com mais responsabilidade depois de se tornar mãe. “A maternidade me deixou mais ambiciosa”, disse.

À frente de uma empresa de tecnologia que atua em 21 estados e participa da digitalização do financiamento de veículos, Herani assumiu a presidência em 2025, após mais de uma década na companhia. Antes, construiu carreira no setor público, com atuação em relações institucionais e na articulação entre Executivo e Legislativo.

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“Antes de ser mãe, eu me sentia menos compromissada com o meu sucesso”, afirmou. Ela explicou que antes cogitava abandonar a carreira para levar uma vida mais simples, mas que a chegada da filha mudou essa perspectiva. “A maternidade, eu acho que me trouxe mais responsabilidade”, acrescentou, ao defender que o comportamento de quem lidera precisa corresponder ao que exige dos outros.

Do governo federal à iniciativa privada

A decisão de deixar o setor público ocorreu quando Herani percebeu que sua ascensão profissional passava a associá-la a um grupo político. Cientista política, ela ingressou no governo em uma função técnica e chegou ao cargo de assessora especial da Presidência da República, durante o governo de Dilma Rousseff.

“Eu percebi que eu estava ficando carimbada, sabe, de ter um lado, de estar naquele grupo”, relatou. “Como cientista política, eu não queria ter esse carimbo, eu queria ser uma profissional isenta de lado político”, afirmou. Ela disse que também buscava melhores perspectivas financeiras e espaço para conduzir projetos com resultados mais visíveis.

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A executiva descreveu a sensação de atuar em uma estrutura governamental muito ampla: “Eu tava me sentindo assim, sabe, tô enxugando gelo”. A mudança para a iniciativa privada, segundo ela, foi motivada pelo desejo de ter mais governabilidade sobre o trabalho, com a possibilidade de acompanhar projetos do começo ao fim.

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Assédio e preconceitos na trajetória profissional

Ao relembrar os desafios enfrentados como mulher em posições de destaque desde jovem, Herani mencionou episódios de assédio moral e sexual, inclusive em manifestações sutis. “Aquela piadinha, aquela brincadeira, aquele olhar, aquela coisa que fica na entrelinha”, exemplificou.

Para a CEO, é essencial que profissionais não transformem comentários depreciativos em julgamentos sobre sua própria capacidade. “A gente tem que ter uma postura muito firme nesses momentos de não se identificar com aquele preconceito”, afirmou. Ela ressaltou a importância da qualificação e da segurança emocional para não se intimidar diante dessas situações.

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“Se você está ali, você tem condição de estar ali”, disse, ao defender que mulheres reconheçam a legitimidade do espaço que conquistaram. Segundo ela, o preconceito pode se manifestar tanto de forma explícita quanto por meio de vieses inconscientes presentes nas relações profissionais.

A perfeição como horizonte, não como cobrança

A cobrança excessiva sobre o próprio desempenho também entrou na conversa. Herani afirmou que buscar a evolução constante pode ser positivo, desde que o ideal de perfeição não se transforme em punição. “A perfeição é um horizonte pra gente ser cada vez melhor, pra gente evoluir continuamente, diariamente”, explicou.

“A partir do momento que a perfeição é encarada como um fardo, aí ela deixa de ser um horizonte inspirador pra ser uma coisa punitiva”, avaliou. Para a executiva, a liderança exige reconhecer limites sem abrir mão do desenvolvimento: “A gente nunca vai ser perfeito, embora a gente esteja sempre procurando ser a nossa melhor versão”.

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