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Energia

Capacidade nuclear global pode triplicar até 2060 com avanço de pequenos reatores modulares

Publicado 16/09/2026 • 18:00 | Atualizado há 59 minutos

KEY POINTS

  • AIEA projeta que a capacidade nuclear global pode chegar a 1.284 GW(e) até 2060 no cenário mais elevado.
  • Pequenos reatores modulares podem representar 28% da nova capacidade nuclear prevista no cenário mais alto.
  • Aumento da demanda por eletricidade, segurança energética e envelhecimento dos reatores influenciam as projeções.
Capacidade nuclear global pode triplicar até 2060 com avanço de pequenos reatores modulares

Foto: unsplash

Capacidade nuclear global pode triplicar até 2060 com avanço de pequenos reatores modulares

A capacidade mundial de geração de energia nuclear pode mais que triplicar até 2060, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O cenário mais elevado do relatório de 2026 prevê que a capacidade operacional passe dos atuais 377 gigawatts elétricos (GW(e)) para 1.284 GW(e) nas próximas três décadas.

A projeção considera dois cenários. No mais conservador, a capacidade nuclear chegaria a 696 GW(e) em 2060, quase o dobro do nível registrado no fim de 2025. Já no cenário alto, o volume alcançaria 1.284 GW(e), o que representa mais de três vezes a capacidade atual.

Leia também: Energia nuclear pode mais que triplicar até 2060 com avanço da IA, prevê AIEA

A AIEA ressalta que os números não representam uma previsão exata. Além disso, os dois cenários procuram estabelecer uma faixa considerada plausível para o desenvolvimento da energia nuclear, levando em conta fatores como políticas nacionais, tecnologia, financiamento, construção de novos projetos e evolução da demanda por eletricidade.

Pequenos reatores podem responder por parte da expansão

Os pequenos reatores modulares, conhecidos pela sigla SMR, aparecem com participação relevante nos dois cenários. No cenário alto, a AIEA estima a instalação de 1.017 GW(e) de nova capacidade até 2060. Desse total, os SMRs representariam 28%. No cenário baixo, a expansão prevista seria de 521 GW(e), com os pequenos reatores correspondendo a 23% da nova capacidade.

A participação dos SMRs também varia conforme a região. Na América do Norte, a tecnologia pode representar cerca de 60% da nova capacidade nos dois cenários. Na América Latina e no Caribe, a estimativa chega a aproximadamente 40%.

No Sudeste Asiático, os pequenos reatores também podem representar cerca de 40% da nova capacidade projetada. Já na Europa Setentrional, Ocidental e Meridional, a participação estimada fica em torno de 10% no cenário baixo e 15% no alto.

A AIEA aponta ainda diferenças em outras regiões. Na África, os SMRs corresponderiam a 40% da nova capacidade no cenário baixo e a cerca de 30% no cenário alto. Na Ásia Ocidental, a participação ficaria próxima de 25% nos dois casos.

Frota nuclear envelhecida aumenta necessidade de novos projetos

A expansão projetada também está relacionada ao envelhecimento dos reatores existentes. De acordo com a AIEA, 67% da capacidade nuclear mundial está em operação há pelo menos 30 anos. Além disso, 46% da capacidade já supera quatro décadas de funcionamento.

Esse cenário aumenta a necessidade de novos projetos para compensar futuras aposentadorias de reatores. Ao mesmo tempo, a agência considera que a extensão da vida útil de unidades existentes pode continuar desempenhando um papel importante.

Nas projeções, os especialistas consideraram diferentes possibilidades para cada país, incluindo reatores em operação, possíveis renovações de licenças, desligamentos programados, aumento de potência e projetos de construção considerados plausíveis.

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Assim, a expansão da energia nuclear até 2060 não depende exclusivamente da construção de novas usinas. A manutenção de parte da capacidade existente também entra nos cálculos da AIEA.

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Demanda por eletricidade pode impulsionar energia nuclear

A necessidade mundial de eletricidade é outro elemento importante para as projeções. A AIEA estima que o consumo final global de energia aumente cerca de 20% até 2060, enquanto a produção de eletricidade deve mais que dobrar no mesmo período.

O relatório também aponta incertezas sobre o crescimento futuro da demanda por eletricidade. Entre os fatores mencionados está a possibilidade de aumento significativo da necessidade de eletricidade segura e limpa para alimentar a economia digital, além da maior eletrificação dos setores de transporte e indústria.

Nesse contexto, a expansão da inteligência artificial ganha importância porque o crescimento da economia digital pode elevar a demanda por eletricidade, especialmente para infraestrutura como data centers. A matéria anterior do Times Brasil relaciona esse movimento ao avanço da energia nuclear, enquanto o relatório da AIEA trata a demanda adicional da economia digital como uma das incertezas que podem influenciar o crescimento da capacidade nuclear.

Segurança energética influencia projeções da AIEA

A agência também revisou para cima as estimativas em relação à edição de 2025. Segundo o relatório, a mudança reflete o reconhecimento crescente do papel que a energia nuclear pode desempenhar na segurança energética e no crescimento econômico de longo prazo.

A AIEA cita ainda o aumento das preocupações com segurança e preço da energia após as crises registradas desde 2022. Nesse período, interrupções nos fluxos de petróleo e gás reforçaram a discussão sobre a diversificação das fontes de geração de eletricidade.

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O relatório aponta que instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento, também passaram a demonstrar maior envolvimento com a energia nuclear. Para a agência, esse movimento indica uma ampliação do interesse internacional pela fonte.

Apesar da projeção de crescimento, a AIEA destaca que alcançar o cenário alto dependerá de condições favoráveis. Políticas nacionais, financiamento e capacidade de construção serão necessários para viabilizar os projetos. A agência também afirma que a capacidade mundial pode superar os 1.284 GW(e) previstos no cenário alto, mas isso exigiria fatores adicionais que permitam acelerar a expansão nuclear.

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