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Agro

Aval ao etanol de milho brasileiro abre nova frente para combustível marítimo, diz pesquisador da FGV

Publicado 06/05/2026 • 13:17 | Atualizado há 29 minutos

KEY POINTS

  • Etanol produzido a partir do milho de segunda safra teve pegada de carbono aprovada pela IMO para uso no transporte marítimo.
  • Segundo especialista da FGV Agro, combustível brasileiro emite menos carbono que diesel marítimo e etanol de milho dos EUA.
  • Validação internacional amplia potencial do Brasil no mercado global de biocombustíveis e fortalece competitividade do agro.

A aprovação da Organização Marítima Internacional (IMO) para o uso do etanol de milho brasileiro no transporte marítimo coloca o país em posição de destaque na corrida global por combustíveis de menor emissão de carbono, segundo Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. Ele afirmou que a validação internacional abre uma nova oportunidade para o agronegócio e para o setor energético brasileiro.

Além de comemorar, é uma notícia muito interessante”, afirmou Serigati nesta quarta-feira (6), em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, o avanço ocorre em um momento de pressão global pela redução das emissões de carbono em diferentes cadeias produtivas. “O grande vilão é justamente os combustíveis de origem fóssil, como petróleo, carvão mineral e derivados”, destacou.

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O pesquisador explicou que o diferencial do etanol brasileiro está justamente na baixa pegada de carbono do milho de segunda safra. “O que chamou atenção nessa aprovação é que a pegada de carbono do milho safrinha é muito menor inclusive do que a do próprio etanol de cana convencional”, ressaltou.

De acordo com Serigati, o diesel marítimo emite pouco mais de 93 gramas de carbono equivalente por unidade de energia, enquanto o etanol de milho de segunda safra brasileiro emite 20,8 gramas. Já o etanol de milho produzido nos Estados Unidos chega a 55,2 gramas.

Ninguém está dizendo que o óleo diesel será completamente substituído amanhã, mas existe uma sinalização muito clara de que o etanol de milho brasileiro reduz significativamente a pegada de carbono do transporte marítimo”, pontuou.

Clima tropical ajuda a explicar vantagem brasileira

Segundo o pesquisador, a principal diferença competitiva do Brasil está no sistema produtivo agrícola viabilizado pelo clima tropical. “O milho de segunda safra tem suas emissões diluídas com a safra anterior, principalmente a soja”, explicou.

Ele afirmou que, após a colheita da soja, o produtor brasileiro consegue utilizar a mesma área para plantar milho, aproveitando parte da estrutura produtiva já existente. “Uma parte dos custos de produção e das emissões fica compartilhada com a primeira safra”, observou.

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Na avaliação de Serigati, esse modelo reduz tanto os custos econômicos quanto ambientais da produção brasileira. “Nos Estados Unidos e em regiões de clima temperado isso é muito mais difícil por causa das limitações naturais impostas pelo inverno”, destacou.

Etanol de milho ganha atratividade com novos usos

Felippe Serigati afirmou que a aprovação da IMO tende a ampliar ainda mais o interesse pelo etanol de milho no Brasil. “Essa validação aumenta a atratividade do etanol produzido a partir do milho”, disse.

Segundo ele, o grão oferece vantagens logísticas importantes em relação à cana-de-açúcar. “O milho pode ser armazenado, coisa que é inviável com a cana”, apontou.

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O pesquisador destacou ainda o aproveitamento de subprodutos da cadeia produtiva do etanol de milho, especialmente o DDG, utilizado na alimentação animal. “Toda essa cadeia ficou mais diversificada, mais complexa e também mais atrativa”, frisou.

Apesar disso, Serigati afirmou que o avanço do milho não significa perda de espaço para o etanol de cana. “Não é uma história de substituição do etanol de cana”, ponderou.

Ele citou o desenvolvimento da tecnologia BECCS, sigla em inglês para bioenergia com captura e armazenamento de carbono, como um possível novo salto competitivo para o combustível derivado da cana.

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Segundo o pesquisador, estudos indicam que esse modelo pode reduzir a emissão do etanol de cana para cerca de 10,4 gramas de carbono equivalente por unidade de energia, abaixo inclusive do etanol de milho de segunda safra.

Aprovação pode abrir espaço para outros biocombustíveis

Na avaliação de Serigati, a decisão da IMO cria precedente para novas aprovações envolvendo combustíveis renováveis brasileiros. “A primeira barreira já foi superada”, afirmou.

Segundo ele, a validação do etanol de milho mostra que biocombustíveis podem ser utilizados também em motores de maior potência, como os do setor marítimo. “Essa avenida já foi aberta”, concluiu, ao citar o potencial futuro de produtos como o etanol de cana e combustíveis derivados de óleo de soja e gordura animal.

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