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Dependência externa de fertilizantes coloca próxima safra brasileira em nova zona de risco, diz especialista
Publicado 27/04/2026 • 13:23 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 27/04/2026 • 13:23 | Atualizado há 1 hora
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A forte dependência brasileira de fertilizantes importados deve colocar o produtor rural em uma nova zona de risco na próxima temporada agrícola, mesmo se houver uma trégua rápida no conflito do Oriente Médio. O alerta é de Felippe Serigati, pesquisador da FGV-Agro, ao analisar os efeitos da guerra sobre o abastecimento global de insumos.
“O fato é o seguinte: os preparativos aqui para nossa safra 26/27 estão começando com um conjunto importante de desafios”, afirmou. “Já existia pressão com os custos de financiamento, margens apertadas e agora se adicionou justamente o desafio de acesso e preço dos fertilizantes”, pontuou, durante entrevista nesta segunda-feira (27) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo o especialista, mesmo quando o produto não deixa totalmente de chegar ao Brasil, a redução da oferta internacional afeta toda a cadeia, já que fertilizantes são commodities negociadas globalmente e seguem preços de referência. “Mesmo que a gente vá buscar esses produtos em outro fornecedor, como o Canadá, por exemplo, o preço já vai estar mais alto”, explicou. “A restrição na oferta pega todo mundo”, frisou.
Leia também: Carlo Pereira: Brasil expõe fragilidade estratégica ao depender de fertilizantes importados
Na avaliação de Serigati, se o fertilizante permanecer caro, produtores podem optar por usar menor volume do insumo ou reduzir a área plantada, dois movimentos que tendem a diminuir a oferta agrícola. “Será que o pessoal vai tentar fazer a safra com volume menor de fertilizante? O resultado disso vai ser uma produtividade esperada menor”, disse. “Ou podem escolher plantar menos área. No final das contas, o efeito é o mesmo: menor quantidade ofertada”, ressaltou.
Ele lembrou que culturas permanentes, como café, laranja e cana, além da safra de inverno, sentem os impactos de forma diferente por exigirem fornecimento mais contínuo.
Mesmo em um cenário de cessar-fogo imediato, a normalização do mercado não seria automática, segundo o pesquisador. Isso porque instalações produtivas e estruturas logísticas foram danificadas durante o conflito.
“Vamos supor que hoje a guerra acabe e o Estreito de Hormuz volte a operar normalmente. Isso faz os preços voltarem aos níveis de fevereiro? Não volta”, destacou. “A recuperação dessa infraestrutura não é trivial e nem imediata”, acrescentou.
Leia também: Indonésia mira Brasil e Ásia com nova ofensiva para exportar fertilizantes
Serigati citou ainda o caso do Qatar, onde a recuperação de uma importante jazida de gás natural pode levar pelo menos dois anos. O gás é matéria-prima relevante para a produção de ureia, um dos fertilizantes usados mundialmente.
“Enquanto o preço estiver alto, isso incentiva outros fornecedores a aumentarem a produção. É o mercado funcionando”, observou. “Um importante remédio para o preço alto é o próprio preço alto”, concluiu.
Para o pesquisador, mesmo com iniciativas para ampliar a produção nacional, o país continuará dependente das compras externas por muito tempo, tanto pelo tamanho da demanda quanto por limitações estruturais da oferta doméstica.
“Provavelmente o Brasil vai continuar sendo importador líquido de fertilizantes”, avaliou. “Se não fossem as importações, nós não teríamos o agro brasileiro operando no ritmo que opera”, lembrou.
Leia também: Escalada global encarece fertilizantes e aperta margens no campo
Ele defendeu a diversificação de fornecedores e reforço da produção interna onde houver viabilidade econômica, mas ponderou que acompanhar o ritmo de crescimento do agronegócio nacional é um desafio complexo. “Mesmo ampliando isso, provavelmente nós continuaremos importando fertilizantes por muito tempo”, concluiu.
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